Capitão Bruno, que fez por que quis, sentirá o gosto da pimenta…

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O último brasileiro a dizer que fez porque quis (na realidade, a memorável frase foi fi-lo porque qui-lo) sem correr o risco de ser exemplarmente punido, foi Jânio Quadros.  Ele dizia o que pensava e agia conforme mandava a própria consciência. O ex-presidenbte era folclórico. Em resposta a provocação de um repórter (por que o senhor bebe?, indagou o jornalista) Jânio simplesmente ponderou que “bebo porque é líquido; se fosse sólido, come-lo-ia”.

Mas Jânio era presidente. Fazia porque queria, sem esbravejar. Bebia porque gostava, sem espancar. Chegou mesmo a ensaiar um golpe mal sucedido, ao renunciar à Presidência da República imaginando ser reconduzido ao Palácio do Planalto nos braços do povo. Quem viveu aqueles tempos, quem conhece um pouco da nossa história, sabe disso.
Agora nos vem um ensandecido oficial da Polícia Militar do Distrito Federal dizer com ironia que fez porque quis. A prepotência desse tal capitão Bruno Rocha chocou a sociedade, embora, ao que conste, sequer tenha sido repreendido por seus superiores. Porém, tem gente preocupada com os próximos atos de insanidade desse ainda comandante da Tropa de Choque da Polícia Militar.
Já passou pela cabeça de alguém o que seria se esse insignificante que se esconde atrás de insígnias visse os manifestantes como líquido e sólido, bebendo seu sangue e comendo sua carne? Se não fosse carnívoro, seria pedófilo, prostituto ou algo do gênero.
Quem acaba de levantar a voz contra toda essa prepotência é a deputada distrital Eliana Pedrosa, prestes a trocar o PSD pelo PPS, partido pelo qual, acredita-se, disputará o Palácio do Buriti em 2014. Ela tem corrido contra o tempo. Não pela filiação em si, que já se tem como um dos momentos históricos da política brasiliense, mas pela cerimônia que irá coroar a chegada a uma nova legenda. Nem por isso, contudo, deixou de arranjar um espaço em sua agenda para falar com Notibras.
Nessa conversa, a deputada se disse estarrecida com a maneira como estão sendo tratados os jovens que ocupam as ruas em protestos pacíficos. No 7 de Setembro, o que se viu no caso específico da capital da República, foi a ação truculenta de policiais militares incapazes de honrar a farda que vestem. O que mais impressionou, enfatizou a parlamentar, foi assistir as cenas em que um oficialzinho de merda ataca manifestantes com spray de pimenta e simplesmente assume que promoveu ato de tamanha covardia porque quis. E sentenciar, irônico: “Podem ir à Corregedoria me denunciar”.
Isso é um descalabro, afirma uma estarrecida Eliana Pedrosa.
– A simplicidade e naturalidade com que o militar tratou o uso do spray nos leva a pensar na inversão de valores no trato com manifestações. Hoje, todo manifestante é tido como baderneiro, até que se prove o contrário, mesmo entre aqueles que lutaram nas ruas pela redemocratização do nosso país. Esta inversão leva à máxima: “Atiro, depois pergunto quem é”.
Sublinhando sua discordância com ações dos vândalos, que devem ser contidos pela mesma polícia, Eliana acentua que generalizar e tratar todos como bandidos se constitui motivo de preocupação. É, nas palavras dela, tirar o direito à força da livre manifestação de pensamento. Em síntese, trata-se de um atentado à Constituição Cidadã.
A deputada vai mais além, ao lembrar que entre os manifestantes agredidos estavam trabalhadores. “Jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas receberam tratamento de choque durante o exercício da profissão. E pensar que um mês antes a Secretaria de Segurança anunciou um curso exclusivo para representantes da mídia aprenderem a se comportar durante uma manifestação”.
– A imagem de uma fotógrafa sendo atingida por spray de pimenta fala por si só. Que curso; para quê?, questiona.
A voz firme da deputada que é conhecida por não gostar de bravatas, está soando por todo o Distrito Federal. Bruno Rocha vai ter de aprender a ser maleável. A garantia é de Eliana Pedrosa. Ela pediu à Comissão de Segurança da Câmara Legislativa a imediata convocação do capitão. Será uma oportunidade para que ele explique a desproporcional força desprendida por mais de quatro mil policiais para conter um grupo de 500 jovens. O mais gostoso é saber que ele não é baiano como o chefe maior. Portanto, pimenta no olho dele não será refresco.
Informou Notibrás/ Imagem: Web

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