Carta Aberta: Ceilândia é indivisível!

Compartilhe essa matéria

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram

Diante
da proposta do governo Rollemberg, de dividir arbitrariamente a
Ceilândia ao meio para atender acordos políticos que não
contribuem para a resolução dos seus graves problemas, o Fórum
Permanente Ceilândia Viva divulga a seguinte Carta Aberta:
 
A
promessa de Rollemberg de “ouvir entidades e movimentos sociais na
escolha e nomeação dos administradores regionais” não resistiu a
20 dias de governo. 
 
Essa
crise ele não poderá jogar no colo do ex-governador Agnelo. Essa
ele próprio inventou e vai ter que carregar, pois deixou o gosto
amargo da desconfiança nas bocas que gritaram seu nome nas eleições
do ano passado.

 
Não
foi por acaso que Rollemberg incluiu a questão da escolha dos
administradores regionais na sua campanha. Ele sabia dessa antiga
reivindicação das cidades, pois as percorreu diversas vezes à
procura de votos. Ele sabe que essa proposta significou o apoio de
milhares de eleitores para sua campanha de 2014. Agora, o eleitor
espera que ele comprove a coerência de sua política.
 
Não
queremos crer que Rollemberg tenha falado em escolha e eleições
diretas para administradores regionais sabendo que a proposta era
impossível, pois teria sido leviandade da parte dele. Também não
queremos crer que ele tenha falado apenas para ganhar votos, pois
isso teria sido oportunismo, que na política é vício que
envergonha a sociedade. Os eleitores do Distrito Federal votaram em
Rollemberg confiantes em causas mais nobres, entre elas a autonomia
política e administrativa das cidades, a participação popular nos
destinos do DF e o fim do abandono das periferias, comum a todos os
governos que o antecederam. Causas do socialismo verdadeiro, que não
podem ser esquecidas em gavetas, nem negociadas com deputados, nem
transformadas em leviandade e oportunismo.
 
Independente
das razões que o fizeram prometer a escolha e eleição dos
administradores, ouvindo as entidades e os movimentos sociais, resta
ao governo Rollemberg cumprir o prometido, sob pena de ver escorrer
pelo ralo o apoio que lhe deu o eleitor brasiliense em 2014. Queremos
que Rollemberg tenha coragem e não se deixe enganar. Esses que agora
o pressionam para que seu governo falte com a palavra nessa questão
das administrações regionais, vão rir quando as pesquisas de
opinião reprovarem o seu governo, pois lavam as mãos hoje e lavarão
no futuro.
 
Idêntico
às outras regiões administrativas do DF, que acreditaram na
seriedade da proposta do governo Rollemberg de ouvir o movimento
social organizado para a escolha e indicação dos administradores, o
caso de Ceilândia é emblemático. Desde o resultado das eleições
2014, a cidade se desdobrou em reuniões, construção de Fórum
Permanente, seminário, lista tríplice e outros esforços de
participação próprios da ética que devolve à política o seu
caráter legítimo de ação em prol dos interesses coletivos.
 
Vê-se,
no entanto, que a paciência pode não ter sido a melhor conselheira
no caso de Ceilândia, pois o governo Rollemberg desconsiderou o
diálogo democraticamente colocado à mesa: sequer marcou a audiência
solicitada pelo Fórum Permanente e só recebeu a comissão da cidade
– por meio de uma assessora de plantão, após visita surpresa ao
grupo de transição no dia 12 de dezembro passado. Depois disso,
silêncio sepulcral.
 
Não
foi por falta de tempo, nem de informação que os movimentos sociais
– entre eles o Fórum Permanente Ceilândia Viva, deixaram de ser
recebidos pelo grupo de transição e pelo governo empossado no dia
1º de janeiro de 2015. Mas, essa falta proposital de diálogo –
que é própria daqueles que escolhem, antecipadamente, “com quem
querem se comprometer” pode produzir estragos políticos
indesejáveis ao novo governo.
 
Ceilândia,
por exemplo, é a grande vítima: a maior cidade do DF em número de
eleitores e a segunda em arrecadação de impostos, foi rachada ao
meio com um golpe autoritário, como não seria de se esperar de um
governo democrático, principalmente de um governo dirigido por um
socialista. Ao contrário, foi dada em pagamento para deputados e
grupos políticos que, mesmo incapazes e ilegítimos, se consideram,
“donos da cidade” e se negam a contribuir para o fortalecimento
da unidade cultural, política e social da cidade.
 
Como
socialista que é, desde que entrou na política – como alega ao
dizer que nunca esteve em outro partido além do PSB, Rollemberg
deveria demonstrar ao povo brasiliense o que aprendeu com o
socialismo nessas décadas de militância.
 
Temos
certeza que não há uma só formulação de inspiração socialista
que o tenha orientado no sentido de desunir, separar e fragmentar
artificialmente uma cidade como Ceilândia, cuja unidade de 44 anos
foi construída com a luta incansável dos erradicados das favelas do
Morro do Urubu, Vila do IAPI, Placa das Mercedes, Vila Tenório,
Esperança, Bernardo Sayão, Morro do Querosene, Curral das Éguas e
outras mais recentes – esforço heróico de construção basilar de
convivência harmônica de uma comunidade de 600 mil habitantes.
 
Convictos
de que a divisão autoritária da cidade, sem base científica que a
justifique e sem consulta à sociedade ceilandense, é uma agressão
sem precedente que não resolverá seus graves problemas, mas causará
uma inaceitável ruptura cultural, social, econômica e psicológica
com danos irreparáveis à organização da cidade, conclamamos o
cidadão ceilandense para:
 
1
– DIZER NÃO a proposta do governo de dividir arbitrariamente a
cidade de Ceilândia.
 
2
– ASSINAR o abaixo-assinado que será enviado à Câmara
Legislativa do DF para que ela REJEITE a proposta de divisão da
cidade de Ceilândia.
 
Ceilândia,
22 de janeiro de 2015
 
FÓRUM
PERMANENTE
 

CEILÂNDIA
VIVA

Deixe uma resposta

Veja Também:

Últimas Postagens

Siga-nos nos Facebook

%d blogueiros gostam disto: