Casa dos horrores, ou Câmara Legislativa

Compartilhe essa matéria

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram

Antes
de sair de recesso, os distritais jogaram no colo de Rollemberg uma lista de
horrores compatível com o histórico da casa.

A
quem mesmo eles representam? Não a mim ou aos meus pares ou a qualquer cidadão
ou cidadã com um fio de convicções democráticas, direitos civis e um mínimo de
compromisso com o próprio tempo e lugar.


É
tão difícil comentar, de um modo razoavelmente civilizado e suficientemente
contundente, as últimas da Câmara Legislativa que talvez só um Dias Gomes
ressuscitado poderia construir uma nova Sucupira onde a mais atrasada política
continuasse a ser exercida.

Sem
a presença do mitológico Odorico Paraguaçu, por certo.

Os
personagens da anacrônica ficção que se apoderou do poder legislativo da
capital são demasiadamente insossos para compor uma narrativa irônica. Nem por
isso causam menos danos a Brasília, aos brasilienses e às noções de
inteligência, decência e civilidade.

Como
é possível que uma cidade projetada por homens da melhor qualidade –
democratas, utópicos, humanistas, socialistas, comunistas, poetas, pensadores e
pela bravura criativa e incansável do operário brasileiro – como é possível que
a cidade com esse excepcional componente genético venha elegendo,
sucessivamente, uma Câmara Legislativa que representa o pior da política brasileira.
O pior do pior, porque a escala de valores vem caindo vergitinosa e
perigosamente.

Num
constrangedor à-vontade, os distritais tripudiam com a inteligência (e a
memória) do eleitor. Ao rebater argumento de Chico Vigilante, contra o projeto
que proíbe protestos no Eixo Monumental em horários de rush, Cristiano Araújo,
autor da ideia, saiu-se com essa pérola: “Em países modernos, as pessoas se
manifestam com ordem”.

Tivesse
acompanhado as recentes manifestações de motoristas de táxi na França, teria se
poupado do ridículo. Ou os protestos anti-racismo que se espalharam pelos
Estados Unidos em maio último. Ou aquele outro maio, de que Araújo deve ter
ouvido falar, embora tenha deixado claro a Vigilante que cresceu na democracia.

Mais vergonhoso para os
brasilienses, porém, foi a aprovação de um projeto de lei que define família
como um homem e uma mulher casados ou em união estável. O feito distrital 
aconteceu
uma semana depois de os Estados Unidos aprovarem o casamento gay. Na
quarta-feira passada, a Igreja Episcopal norte-americana autorizou a cerimônia
religiosa para uniões de mesmo sexo.


Atentos
ao que acontece nas democracias contemporâneas, os distritais também se
preocuparam com a religião – se depender deles, as igrejas ficarão isentas de
pagamento de ICMS dos serviços de telecomunicação, água, luz e gás.

Na
despedida do primeiro semestre do primeiro ano desta legislatura, os distritais
rejeitaram a proposta de redução das administrações regionais e aprovaram a
concessão de verbas indenizatórias a policiais civis – a concessão de
auxílio-moradia, auxílio-alimentação e auxílio-uniforme, entre elas.

E
puseram um bibelô na mesa de horrores – trocaram o nome da ponte.

Blog da Conceição

Deixe uma resposta

Veja Também:

Últimas Postagens

Siga-nos nos Facebook

%d blogueiros gostam disto: