Ceilândia exige a devolução do Centro Cultural Inacabado para a Cultura

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Centro Cultural Inacabado de Ceilândia, sua História
O Centro Cultural de Ceilândia começou a ser construído em 1986, durante o governo Sarney e em plena vigência do Plano Cruzado.
Uma das exigências do plano era que não houvesse reajustamento em contratos, como forma de manter a inflação baixa.

Com a chegada do ano de 1987, o plano começou a dar errado e a inflação voltou a crescer. Com isto, a empresa que havia iniciado a construção do Centro Cultural não conseguiu terminar a obra dentro daquelas condições.
A obra foi interrompida e somente em 1998, no governo Cristovam Buarque, foram concluídos dois blocos, um para a biblioteca e outro que seria para atividades culturais. Este último nunca chegou a cumprir totalmente sua destinação. Passava a existir o CCIC – Centro Cultural Inacabado de Ceilândia.
A cerca de dois anos o administrador da cidade, Ari de Almeida, retirou os moradores de rua do antigo espaço apelidado de “Castelo de Grayskull” sob a alegação de que o GDF construiria ali uma praça de lazer.
Nunca aconteceu e, da forma como segue, não deve acontecer até o final do governo em 2014.
Um Pouco da Arte Criada no CCIC
Entre 1998 e 1999, alguns Artistas da cidade montaram no Centro Cultural o espetáculo “The Wall”, fazendo todos os ensaios no local e ainda apresentações, saindo depois para circulação pelo DF.
Em 2000, começaram os ensaios da ópera “É Ela que Vem”, de autoria de Iuri Vieira e uma adaptação de Faroeste Caboclo. Os dois espetáculos não foram concluídos devido à morte prematura de Iuri Vieira.
A partir de 2006, o Hierofante Cia de Teatro passou a utilizar o espaço, tendo ensaiado e montado os seus mais recentes espetáculos.
Do Hierofante já saíram daquele espaço de ensaio os espetáculos “Ser Tão Celestial – Uma Homenagem a Patativa do Assaré”, “A Baba da Pintada” e “Bacantes e Brincantes”, além dos projetos “Invasão” que proporcionaram encontros de Artistas da Ceilândia, com convidados para palestras sobre diversos assuntos ligados às Artes Cênicas.
Entre 2009 e 2010, a Cia Imaginária de Teatro ensaiou e fez 21 apresentações do espetáculo “Laura – Em Memória dos Anônimos”, para a comunidade e para escolas de Ceilândia.
O CCIC também recebeu diversas oficinas de Interpretação para cinema e teatro, música e capoeira.
Desde 2008 o espaço comporta também as oficinas de Hip Hop ministradas por Alan Jhones Moreira, o “Papel”.
A Ceicine, Coletivo de Cinema em Ceilândia, realizou vários seminários, oficinas e produziu os chamados “cinema na placa”, com projeções de filmes em um outdoor localizado em frente ao Centro, como forma de chamar a atenção para o absurdo de uma cidade de aproximadamente 600 mil habitantes não possuir uma sala de cinema ou teatro públicos.
Nos intervalos destes espetáculos e intervenções culturais, houve toda espécie de tentativa de descaracterizar o espaço, com a destinação para cursos e sede para a área administrativa do GDF e mesmo da administração da cidade.
A Surpresa e novo ataque à Cultura de Ceilândia
Recentemente estávamos preparando a remontagem do espetáculo Laura e pretendíamos utilizar uma das salas do CCIC para os ensaios e o treinamento de atores com músicas na quarta e técnicas de interpretação para teatro na quinta, quando fomos surpreendidos com a notícia de que o Centro será agora destinado a atender novamente repartições da administração do GDF, as quais já estão montado seus equipamentos de informática no local. É ponto final, na concepção deles.
Pelas informações que recebemos, nem mesmo a DRC (Diretoria de Cultura de Ceilândia) poderá continuar a funcionar no local.
A sobrevida que o Centro teve até hoje deve-se à teimosia dos Artistas e da Comunidade Cultural da cidade que, mesmo sem condições adequadas de trabalho, fazem suas atividades naquele espaço.
O Centro Cultural atualmente encontra-se praticamente abandonado, em meio ao mato alto, banheiros com defeito, sem material básico, sem copo para que os frequentadores bebam água, janelas sem vidros e buracos nas paredes.
Até mesmo os vigilantes que trabalham no local foram assaltados diversas vezes.
Quem Perde?
Como resultado da falta de espaço para o desenvolvimento de atividades culturais, seja como atores, no sentido daqueles que agem e executam/produzem a sua Arte, ou como público consumidor, pode restar para os jovens e para a comunidade somente o caminho alternativo das drogas e da marginalidade.
Em um detalhamento maior, se não tem cinema, casas de cultura, teatro e dificilmente lhe são oferecidos shows e espetáculos de qualidade, que possibilitem aos jovens o seu pleno desenvolvimento como ser humano e cidadão, resta somente o caminho tortuoso do crime. A carência econômica e cultural resulta em indivíduos dispersos, ociosos e no desenvolvimento da agressividade como forma de expressão ou até de “diversão”.Edy Rock, integrante do grupo “Racionais MC “ diz: “Aqui (na periferia), a única coisa que tem é escolinha de futebol… ( ) aqui muita gente nunca foi ao cinema, nunca foi ao Mcdonald´s. Quem tem videogame? Aqui não tem praça, não tem lazer. Periferia é igual cadeia,… ( ) é essa mesmice que cria a neurose. O governo sabe, mas a ajuda não chega, demora , é desviada…”.
O Futuro?
Queremos que o CCIC seja um ponto brilhante irradiando sua força na escuridão da cidade e que a Cultura seja a sua luz.
Precisamos lutar pela finalização das obras do Centro Cultural Inacabado, mas neste momento faz-se urgente a retomada do espaço para a Cultura, que mais uma vez vê o único espaço que, mesmo precariamente, lhe é destinado, sofrer nova ameaça por parte de um governo que tem se mostrado totalmente insensível quando se trata da Cultura do DF.
Por isto propomos um ato contra o descaso e a favor do Centro Cultural Inacabado de Ceilândia.
Propomos um ato contra mais este ataque à Cultura de Ceilândia e do DF e exigimos uma resposta formal e imediata do GDF e da Administração de Ceilândia com relação a este assunto.
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A resposta veio por meio desta matéria do Correio Braziliense e a frase do Administrador.
Informações Forte Cultura

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