Ceilândia: “Motorista fugiu e não voltou”, diz PM que tentou salvar criança de ônibus

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“O motorista fugiu e não voltou. Ele foi o primeiro a sair, disse que ia buscar ajuda e desapareceu”, afirmou o sargento Etelmo Rodrigues que há 22 anos atua no Batalhão Escolar da PMDF (Polícia Militar do DF). Ele estava de folga e foi o primeiro a prestar socorro às crianças que ficaram presas dentro de um ônibus escolar que foi inundado durante as fortes chuvas que caíram na noite desta terça-feira (8) na capital federal. O veículo quebrou embaixo de um viaduto por onde passa o metrô na QNN 5/7 em Ceilândia (DF) e ficou praticamente submerso.  

Dentro do ônibus estavam 23 crianças, todas com idades entre seis e dez anos, uma monitora e o motorista que foi o primeiro a deixar o local. Entre as vítimas estava Giovana Moraes de Oliveira, de seis anos, que ficou presa ao cinto de segurança e morreu afogada. O sargento contou com exclusividade à reportagem do R7 que fez de tudo para salvar a menina.    
— Eu estava em uma padaria que fica a poucos metros do local do acidente lanchando. De repente, apareceu uma criança em pânico e disse o que estava acontecendo. Larguei tudo no balcão, deixei arma, carteira, tudo, e corri para ver o que era. Quando me deparei com a cena, tive que ir nadando para prestar socorro. O ônibus estava completamente embaixo da água.  
Assustadas, as crianças que conseguiram sair do ônibus diziam que uma colega tinha ficado presa ao cinto. Rodrigues mergulhou três vezes até sentir o braço da menina, já que não conseguia enxergar nada por conta da escuridão e da água turva.   
Depois de soltá-la e levá-la para a superfície, percebeu que a criança estava desacordada e tentou, por 20 minutos, reanimá-la.   
— Sou pai de dois filhos. Tenho um de 18 e outro de cinco anos. Lembrei deles e fiz tudo o que pude, mas infelizmente não consegui salvar a pequena. Chorei muito, porque me esforcei bastante e tinha esperanças. Queria ter dado um abraço nela no hospital e vê-la bem, mas acho que quando cheguei já estava morta.  
As demais vítimas ficaram na parte de cima do teto do ônibus e aguardaram pela chegada do Corpo de Bombeiros. Assim que a equipe chegou, o militar fez questão de dar preferência à Giovana porque sabia que o estado dela era o mais crítico de todos.  
— Minha preocupação era com ela e com uma outra menina que estava desmaiada. Quatro crianças foram levadas ao hospital e todas ficaram bem, mas infelizmente Giovana morreu.   
Durante a entrevista, Rodrigues contou que havia comentado pouco antes de tudo acontecer com um funcionário da padaria onde lanchava que ninguém conseguiria passar por baixo do viaduto.  
Para ele, o motorista, identificado como Francisco Carlos Rocha Alves, de 37 anos, foi imprudente ao tentar forçar a passagem e deixar o local.
— Eu sabia que lá estava alagado, porque sempre fica assim quando chove. Toda vez é a mesma coisa e nenhum carro, ônibus ou caminhão tem condição de passar por lá nessas condições. 
Emocionado, o pai de Giovana, George da Silva Oliveira, disse que esqueceram a filha dele e deram preferência às demais crianças antes da chegada do sargento.  
O homem estava em casa com a família esperando a chegada da filha, que tinha acabado de sair com os demais colegas do Centro Classe 08 da cidade, quando recebeu a notícia.   
Ele explicou que não esperava perder uma menina tão doce e carinhosa tão cedo e de uma maneira tão trágica assim.   
— Tiraram todas as crianças, menos a minha filha. Por quê? Quando ligaram achei que fosse só um arranhão, mas quando cheguei no hospital minha filha estava morta. Ela morreu afogada dentro de um ônibus escolar.   
Quatro crianças foram levadas ao HRC (Hospital Regional de Ceilândia) e ficaram em observação porque ingeriram muita água e apresentavam sinais de hipotermia (temperatura corporal muito baixa).   
Na manhã desta quarta-feira (9), porém, três delas receberam alta. A Secretaria de Saúde do DF informou, por meio de nota, que os médicos decidiram deixar a outra vítima em observação no Hospital de Base para que ela passasse por exames neurológicos.   
A Secretaria de Educação disse que o ônibus escolar é do ano de 2008 e pertence à empresa Rodoeste Transportes e Turismo, contratada pela pasta para atender estudantes da rede pública em Ceilândia.  
Toda a documentação estava em dia e o veículo em situação regular. O contrato, com validade de 12 meses, foi assinado em fevereiro deste ano após a empresa apresentar todas as documentações da frota e dos profissionais.   
O delegado Mauro Leite, da 15ª DP (Ceilândia Centro), onde a ocorrência está registrada, indiciou o motorista do ônibus por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, porque ele assumiu o risco ao avançar com o veículo mesmo vendo que a enxurrada já estava na metade da altura das rodas.  
corpo da criança foi enterrado na manhã desta quinta-feira (10) no Cemitério Campo da Esperança em Taguatinga (DF). O representante da empresa responsável pelo ônibus envolvido no acidente, Adelino Medeiros, esteve no velório e disse que está prestando todo apoio financeiro e psicológico à família.  
— Estamos acompanhando o caso, mas não sabemos ainda quais providências iremos tomar em relação ao motorista.   
O condutor estava com a documentação em dia e fazia a manutenção correta do veículo, mas o subsecretário de Infraestrutura da Secretaria de Educação, Marco Aurélio, disse que um inquérito será instaurado.  
— Vamos abrir um processo administrativo para apurar o que realmente aconteceu. 
Informou R7

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