Ceilândia: Projeto leva alunos de escolas públicas de Ceilândia ao Museu Nacional.

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A sessão de cinema reuniu estudantes de ensino médio, que foram assistir à programação acompanhados pelos professores (Dênio Simões/Esp. CB/D.A Press)
A sessão de cinema reuniu estudantes de ensino médio, que foram assistir à programação acompanhados pelos professores

Por meio da tela de cinema, é possível perceber a realidade de forma diferente. Com intuito de incentivar olhares diferenciados, o projeto Novas Perspectivas levou ontem 300 jovens de Ceilândia a uma sala de projeção no Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Alunos de escolas públicas assistiram a três filmes curtos, todos ligados, de alguma forma, à cidade onde vivem. A região é a maior do DF, com aproximadamente 400 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ali, a produção cultural é viva. Não há, porém, salas de cinema.

A sessão começou com o documentário O chiclete e a rosa, sobre crianças que atuam como vendedoras em bares de Brasília. Através das lentes de sua câmera, a diretora Dácia Ibiapina contou histórias de meninos e meninas que vivem em Ceilândia e em outros lugares do Distrito Federal. Em seguida, o público conheceu o curta Procura-se, do cineasta Iberê Carvalho. O filme aborda a vida de uma menina chamada Camile, de classe média alta, em busca do cachorro perdido.

No meio do caminho, Camile conhece os filhos de um carroceiro — vivido pelo rapper brasiliense Gog — que encontraram o animal. Surge amizade e barreiras sociais são transpostas, com humor e uma dose de humanidade. As cenas se passam na Vila Planalto e no Varjão. O último a ser exibido foi o documentário Rap, o canto da Ceilândia, de Adirley Queiroz. A plateia vibrou ao ver a história e paisagens de Ceilândia expostas com sensibilidade e em ângulos diversos.

Entusiasmo
Ao fim da exibição, os estudantes mostraram-se cheios de novas ideias. “Acho um desrespeito com os moradores de Ceilândia não ter uma sala de cinema na cidade. Hoje, eu vi na tela coisas que nunca tinha visto na minha cidade”, disse Talita Gomes, 14 anos, aluna do 8º ano do Centro Educacional 6 (CED 6) de Ceilândia. Victor Medeiros, da mesma idade e matriculado no CED 13, costuma sair da região onde vive e buscar o acesso à cultura na vizinha Taguatinga. “Vou todo sábado ao cinema. Não falta público na minha cidade, falta é espaço para frequentar”, reclamou.

Luan Souza, 15 anos, sentiu que Ceilândia foi valorizada ao ver a cidade em imagens bem-cuidadas. “Ajuda a gente a gostar mais de onde vive”, afirmou o adolescente, nascido nessa região administrativa. Victor Douglas Sousa, 16, tem o sonho de ser cineasta. Também se interessa por dança e teatro. “Conversei com o cineasta (Iberê Carvalho estava presente) e ele me deu várias ideias de como aproveitar alguns roteiros que tenho na cabeça. Tenho muitas ideias, mas falta foco, alguém para me guiar. Oportunidades como a de hoje são importantes para despertar”, avaliou.

O curador da mostra, João Pácifer, explica como selecionou os filmes exibidos. “Quis trazer para a tela a realidade deles, para nos comunicarmos. Ao mesmo tempo, quis apresentar o cinema de Brasília, que está criando voz, mas é feito há muito tempo. É importante que eles tenham acesso ao que está próximo e não só a novelas e filmes estrangeiros”, concluiu.

Os organizadores da mostra querem levar crianças e jovens de outras regiões administrativas para as sessões. Falta definir o calendário. Além disso, será preciso apoio das regionais de ensino. Ontem, eram esperados 600 alunos de Ceilândia, mas somente a metade participou. O Instituto de Relações Internacionais, responsável pela iniciativa, oferece lanche e transporte gratuito.

 
Leilane Menezes para o Correio Web.
 

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