Ceilândia tomada pelo Crack

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Victor Augusto
80% das últimas apreensões na cidade se tratam da droga
Sulamita Rosa
Os moradores de Ceilândia estão assustados com o avanço do crack na cidade. Usuários usam a droga à luz do dia sem se preocuparem. Embaixo das árvores, em construções abandonadas, nas esquinas e até dentro de bueiros ocorre o tráfico e o fumo da droga.
Os arredores da estação do Metrô, na Ceilândia Centro se tornaram verdadeiras cracolândias onde jovens e mulheres passam o dia fumando crack. A maioria são moradores de rua, mas, de vez ou outra aparece homens e mulheres bem vestidos a procura da droga. Alguns se escondem debaixo de papelões ou tapam o rosto com a roupa, mas, a maioria não se preocupa com quem passa pela rua. Quando a Polícia chega todos fogem correndo do local, mas, assim que a autoridade vai embora, os usuários voltam para matar a “estiga” da droga. 
O problema que ocorre em vários pontos assusta a população e os comerciantes. Há cerca de três anos, Diana (nome fictício) possui um comércio em frente ao ponte de droga. A comerciante conta que no local rola tudo. “Eles fazem de tudo aí, uso e venda da droga. Muitas vezes já vimos brigas e eles andam armados com facas. Até prostituição acontece. A Polícia vem, eles saem, mas, voltam. Não vão embora”, declara. Durante a noite, os usuários são como zumbis em busca do crack, perambulam pelas ruas e transformam as calçadas dos comércios e das residências local para fumar a droga. Diana conta que os moradores e comerciantes são obrigados a conviver com o medo. “Eles já assaltaram carros, comércios, residências e moradores. Quando chove, eles não estão nem aí e ficam debaixo dos prédios, quando amanhece o dia fica aquela sujeira toda”, desabafa.
A moradora Amanda (nome fictício) conta que os usuários também abordam a população. “Eles pedem comida e dinheiro e quando a gente não dá, ameaçam. A gente dá por que temos medo”, afirma. Ela pede uma solução para o problema. “O problema aqui não é policiamento, por que a Polícia sempre está passando. Não adianta tirar eles por que eles vão para outro lugar, tem que existir programas do governo para tratar o crack, locais para reabilitação e centro de recuperação para essas pessoas”, sugere.
O delegado-chefe da 15° DP, Fernando Fernandes conta que existem diversas cracolândias espalhadas pela cidade. “Mapeamos algumas cracolândias para evitar que o pessoal volte, mas, o problema é a legislação que trata o usuário como doente. O usuário é levado para a delegacia para averiguação e em seguida encaminhado para a Sedest (Secretaria de Desenvolvimento e Transferência de Renda), abrigos ou para o Nuad (Núcleo de Acolhimento de Usuário de Álcool e outras Drogas). Também temos convênio com a Secretaria de Saúde que encaminha dependentes para tratamento ambulatorial”, explica. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública, em 2010 foram apreendidos 35.615 gramas de crack no DF. O delegado afirma que o crack se espalhou pela cidade. “80% das últimas apreensões de drogas realizadas na Ceilândia se tratam de crack, 10% da maconha, e de 5% a 10% cocaína”, informa.
Além de fazer vitimas cada vez mais, o avanço da droga deixa a população refém do crime. “A droga é a porta para a violência. Aonde tem boca de fumo, tem o furto que começa dentro de casa para sustentar o vicio. Depois a pessoa começa a roubar e aumenta o número também de estupros porque o usuário faz as coisas sem noção o número de homicídios também aumentam por causa dos acertos de contas de grupos rivais. Aterroriza toda a comunidade”, enfatiza Fernandes.
Outra droga derivada do crack já surgiu na Ceilândia. “O Oxi é a mistura da pedra de crack com ácido sulfúrico, querosene e cal e é feita para render o crack. A droga tem aparência mais clara e forte odor e é vendida mais barata, mas, seu efeito é devastador para o organismo”, explica. Fernandes acredita em três pontos importantes para acabar com crack no DF. “Primeiro a repressão, a Polícia na rua repreende as drogas, em seguida a prevenção da família e do Estado, com palestras nas escolas sobre o assunto. E o tratamento, a internação compulsória. O viciado não vai tomar a iniciativa. Se a pessoa é usuária, então está doente e deve ser internada e sair apenas depois de curado”, enfatiza.
O crack se tornou uma epidemia no DF. A primeira apreensão de crack foi feita em 2007, de lá para cá a droga se expandiu pela Capital. Nessa terça-feira (1), a Secretaria de Segurança Pública criou um Núcleo especifico de reforço de enfrentamento ao crack. O novo órgão vai coordenar as ações de segurança pública para atacar a droga em todas as frentes, mas com atenção especial para a articulação com outras secretarias do Distrito Federal que possam auxiliar através de ações sociais e de saúde pública voltadas para os usuários da droga. O primeiro passo do Núcleo é a sistematização dos trabalhos científicos (estudos e pesquisas) que possam ajudar a traçar um diagnóstico real sobre o problema do crack no DF.
Os estragos do crack
O crack é uma droga que vicia e mata rápido. Derivado da mistura de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio, a fumaça produzida pela queima da pedra de crack chega ao sistema nervoso central em dez segundos, devido ao fato de a área de absorção pulmonar ser grande. Seu efeito dura de três a 10 minutos, com efeito de euforia mais forte do que o da cocaína, após o que produz é muita depressão, o que leva o usuário a usar novamente para compensar o mal-estar, provocando intensa dependência. O usuário também tem alucinações e paranóia. A droga eleva a temperatura do corpo e pode causar acidente vascular cerebral (AVC), causa destruição de neurônios e provoca a degeneração dos músculos do corpo (rabdomiólise), o que dá aquela aparência característica (esquelética) ao indivíduo: ossos da face salientes, braços e pernas finos e costelas aparentes. O crack inibe a fome, de maneira que os usuários só se alimentam quando não estão sob seu efeito narcótico. Outro efeito da droga é o excesso de horas sem dormir. A pedra de crack geralmente é vendida de R$ 5 a R$ 10.

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