Chuva de quatro horas destrói casas em Taguatinga e escolas em Ceilândia

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O primeiro dia de aula do ano letivo foi marcado por tristeza em Ceilândia. Umas das professoras do Centro de Ensino Fundamental 25, na área norte da cidade, chorou ontem ao ver o estado em que ficou o colégio após a chuva de granizo de quase quatro horas que causou destruição por toda a cidade. O estoque que garantiria a merenda das crianças pelos próximo dias boiava em meio à lama e à água, que atingiu quase um metro de altura e invadiu as salas. A escola, que fica em um terreno de declive, foi tomada pela enxurrada. O muro da frente desabou e a água levou tudo o que encontrou até chegar ao muro nos fundos do centro de ensino e também derrubá-lo. O colégio foi apenas um das seis unidades atingidas na cidade. A Regional de Ensino também foi alagada.

Uma equipe de engenheiros do Governo do Distrito Federal, acompanhada pela secretária de Educação, Regina Vinhaes, foi chamada para uma visita emergencial aos locais destruídos. Três unidades de ensino tiveram muros derrubados, duas foram alagadas e uma teve parte do telhado arrancada. Apenas no CEF 25, cerca de 21 mil livros novos foram destruídos. Computadores também se perderam em meio à destruição. Apesar do estrago, ninguém se feriu. “Foi uma fatalidade. Graças ao trabalho da direção nenhuma criança ficou ferida. Amanhã mesmo começarão as obras de reconstrução, vamos separar recursos e deslocar outros para refazer tudo”, afirmou a secretária Regina Vinhaes, enquanto avaliava o estrago. 

Cerca de 800 alunos, entre 12 e 15 anos, estavam no CEF 25 no momento do temporal. “Tivemos que furar rapidamente buracos nas paredes para impedir que o nível da água subisse. Podia ter sido uma tragédia, com esse tanto de alunos aqui dentro”, avaliou o diretor do colégio, Jair Roberto da Silva. A escola foi uma das 300 que passaram por reforma no início desse ano para o início do período letivo. “Sempre fazíamos reparos e dessa vez arrumamos toda a parte elétrica, que se perdeu”, explicou o diretor.

Mesmo depois do desabamento dos muros, as crianças permaneciam nas proximidades da escola observando os estragos. “Choveu pedra e de uma vez a água entrou, todo mundo foi saindo e ouvimos o barulho do muro. Ficamos com medo da parede cair também”, contou o aluno Gleisson Henrique, 14 anos, que filmou tudo com o celular. 

Moradora da região, a vendedora Maria Aparecida Faria, 55 anos, também teve a casa, próxima ao colégio, inundada. “Essa não é a primeira vez que isso acontece aqui. Eu já perdi tudo duas vezes e a minha casa foi condenada pela Defesa Civil. A boca de lobo não dá conta da força da água por causa do desnível do terreno”, explicou a moradora. 

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a chuva registrada no DF ontem foi considerada moderada. O instituto destaca, no entanto, que não possui estação de medição em Ceilândia, onde ocorreram os maiores estragos. De acordo com o instituto, o maior índice pluviométrico foi no Recanto das Emas, 18,6 milímetros. No Plano Piloto, o nível chegou a 7,6 milímetros. “Moro aqui em Ceilândia há 50 anos e nunca vi uma quantidade de água assim antes. Mas a população pode ficar tranquila que tudo será reparado”, disse o diretor da Regional de Ensino de Ceilândia, Nelson Moreira.


Paralisação no metrô
As chuvas alagaram a Estação do Metrô Guariroba no fim da tarde de ontem em Ceilândia. O serviço foi interrompido por cerca de 30 minutos, até que a água escoasse. Mais tarde, os trens passaram a circular em velocidade mínima entre as estações Metropolitana e Ceilândia Sul. Uma descarga elétrica na subestação de energia foi a responsável pelo problema. Cerca de 30 minutos depois, o funcionamento do transporte foi normalizado. As interrupções ocorreram entre as 16h40 e as 17h20.

Escolas afetadas» Centro de Ensino Médio 2
» Escola Classe 21
» Escola Classe 31
» Escola Classe 55
» Centro de Ensino Fundamental 25
» Centro Interescolar de Línguas de Ceilância



Moradores têm perdas
Rodos, baldes e bacias. Com esses objetos e muita colaboração, moradores do Conjunto E2, da QNM 38, em Taguatinga Norte, tentavam limpar e amenizar, na tarde de ontem, os estragos causados pelo temporal, que castigou a cidade. Uma casa ficou totalmente destruída e, pelo menos, outras 15 foram alagadas, durante as duas horas de chuva torrencial com pedras de granizo.

Mais de 50 pessoas, entre familiares e vizinhos, se uniram no intuito de ajudar uns aos outros. Uma das moradoras ficou assustada e precisou ser levada ao hospital, com pressão alta e dores no peito. A chuva só deu trégua por volta das 18h, mas até o fechamento desta edição, a energia elétrica ainda não havia sido restabelecida na quadra. Os moradores alegam que os bueiros da rua não são suficientes para o enorme volume de água que caiu sobre a cidade.

“Eu construí essa casa, estou aqui há 23 anos e hoje vi tudo ser destruído. O pior é que tenho um filho deficiente, que está trabalhando. Ele e minha esposa ainda não sabem de nada que aconteceu. Não sei onde meus filhos vão passar a noite”, desabafou Geraldo João da Silva, 60 anos. Com a força da chuva, o muro da casa do aposentado desabou e a água revirou todos os móveis, danificou aparelhagens de som e derrubou algumas paredes. Poucos objetos sobraram. Os vizinhos alegam que o muro da casa de Geraldo — a última da quadra — atrapalha o escoamento da água. “Eu até sei desse perigo, mas vou fazer o quê? Não tenho para onde ir”, argumentou o aposentado. 

SolidariedadeA união dos moradores salvou a vida de uma mulher de 44 anos. “Minha mãe fez cirurgia e não está podendo andar. Ela estava deitada quando a água começou a subir pela parede e o colchão dela boiou. Dois vizinhos entraram aqui e a colocaram em cima da mesa da cozinha, que era o lugar mais alto”, contou Cinthia Graziela Bezerra. Na casa dela, a água atingiu quase um metro de altura e praticamente todos os móveis foram danificados. “A geladeira, o sofá, a mesa, os armários. Praticamente tudo ficou debaixo da água”, lamentou Cinthia. 

No Conjunto C, da QNM 38/40, uma árvore foi arrastada pela enxurrada por cerca de 300 metros e fechou uma rua, impedindo a passagem de carros e de pedestres. O motorista Alcy de Oliveira conseguiu segurar a árvore, que foi arrancada pela força do vento. “Ela veio na direção do meu caminhão e eu passei com os pneus em cima dos galhos, aí  parei  a árvore. Fique muito feliz em saber que consegui salvar as pessoas e os carros que poderiam ser atingidos, comemorou Alcy.



Correio Braziliense

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