Clube dos DescalSOS oferece treinamento para jovens de Ceilândia, Água Lindas e Recanto das Emas.

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Morando nos Estados Unidos desde o início de sua carreira como atleta profissional, nos anos 1980, Joaquim Cruz costumava trazer de lá alguns pares de tênis para doar a jovens que frequentavam treinos de atletismo em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal onde nasceu. Em 1999, o campeão olímpico dos 800 metros nos Jogos de Los Angeles, em 1984, conseguiu comprar dezenas de pares de tênis devolvidos após alguns dias de uso. O grande número de pares e o cheiro de novo chamaram a atenção da Receita Federal, que reteve o material. Desfeita a confusão, o atleta foi perguntado se iria desistir de trazer os tênis. “Da próxima vez, vou trazer o dobro, e ainda vou fundar o Clube dos Descalços”, respondeu.

Fundado em 2003, o Clube dos DescalSOS CAIXA oferece treinamento de atletismo para 120 crianças e adolescentes de Águas Lindas, Recanto das Emas e Ceilândia, regiões administrativas do Distrito Federal. Com patrocínio da CAIXA e apoio de uma marca de material esportivo, o projeto social do Instituto Joaquim Cruz (IJC) oferece aos jovens tênis, uniforme e lanche. “Percebemos que alguns jovens vinham treinar sem nada no estômago”, conta Ricardo Vidal, diretor do IJC. “Depois que incluímos o lanche nos treinos, a frequência melhorou e deixamos de perder alguns talentos.”
Alguns atletas recebem, ainda, uma ajuda de custo para poder se dedicar mais aos treinos. É o caso de Warley Dutra Siqueira, de 18 anos. Estudante do primeiro ano do Ensino Médio, Warley treina há dois anos no Clube dos DescalSOS CAIXA, período em que foi campeão distrital juvenil duas vezes nos 200 m e uma vez nos 100 m. Antes de começar a treinar atletismo, Warley conta que não frequentava a escola direito e “mexia com coisas erradas”. Hoje, o estudante planeja o seu futuro no esporte. “Espero chegar lá um dia, ser um grande atleta e quebrar o recorde do Brasil nos 100 m”, diz sobre a marca de Robson Caetano, que já dura 26 anos.
Clube dos descalsos mosaíco (2).jpgMorando em San Diego, nos Estados Unidos, Joaquim Cruz acompanha as atividades do instituto de longe, mas uma vez por ano vem participar do grande evento da entidade, o Festival IJC CAIXA de Atletismo, que reúne cerca de 400 crianças entre 9 e 12 anos para competir em todas modalidades do atletismo. “O que mais me emociona é saber que o sonho ainda está bem vivo, e continua sendo almejado e realizado pelos novos jovens participantes do projeto”, diz Cruz.
Pista de terra e representantes na seleção brasileira

Os treinos no Recanto das Emas são realizados nos 300 metros de uma pista de terra aplainada. “Mesmo numa pista de terra, sem os 400 metros da pista oficial, já conseguimos ter seis representantes na seleção brasileira”, orgulha-se Manuel Evaristo Neto, um dos três professores do projeto. Evaristo explica que, mesmo com o propósito de se dedicar a jovens entre 12 e 17 anos, o projeto também recebe crianças menores. Para elas, a estagiária de educação física Jeissiane Souza de Almeida, de 20 anos, passa atividades para desenvolver a coordenação motora e a consciência corporal.


“Minha motivação é ver as crianças correndo na maior alegria, mesmo não tendo ganhado uma competição. É perceber que faço diferença na vida delas”, diz Jeissiane. Atleta do Clube dos DescalSOS CAIXA desde os 9 anos, a estudante decidiu cursar educação física por influência do professor Evaristo. Desde o seu início no projeto, Jeissiane calcula que já tenha trazido cerca de 80 jovens para os treinos. Alguns acabam desistindo, mas outros ficam, como Ester dos Santos Moura, de 14 anos.
Estudante do oitavo ano do Ensino Fundamental, Ester chegou ao IJC em setembro de 2012. No ano seguinte, competindo pela primeira vez nos Jogos Escolares, a atleta conquistou uma medalha de ouro nos 250 m e uma de prata nos 75 m. “E já ganhei três bicicletas: duas na Corrida de Reis [em 2013 e 2014] e uma na Maratoninha CAIXA [em 2012]”, conta orgulhosa. Treinando de segunda-feira a sábado, a adolescente sabe que não pode descuidar dos estudos. “Tive que melhorar minhas notas para continuar no projeto.”
Fonte: Agência Caixa

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