Comemoração e protesto marcam inauguração da UED em Ceilândia

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Emília Silberstein/UnB Agência
 

Comemoração e protesto marcam inauguração da UED em Ceilândia
Primeiro dos quatro prédios previstos no projeto do campus definitivo da unidade, o edifício oferece 46 salas, oito laboratórios e auditório com 90 lugares
Em cerimônia marcada pela presença de pioneiros da fundação de cidade e aproximadamente 150 alunos e professores que cobraram a conclusão das obras do campus novo, foi inaugurada a Unidade de Ensino e Docência da UnB Ceilândia, na tarde desta segunda-feira, 20 de agosto. Primeiro dos quatro prédios previstos no projeto do campus definitivo da unidade, o edifício oferece 46 salas, oito laboratórios e auditório com 90 lugares.

Ao lado de representantes do Governo do Distrito Federal, parlamentares, diretores da unidade acadêmica e integrantes dos movimentos Incansáveis da Ceilândia e Pró-Universidade Pública na Ceilândia, o reitor José Geraldo de Sousa Junior afirmou que o prédio representa a primeira etapa de um projeto em consolidação e reforçou o compromisso de conclusão do campus. “Esse é um evento de atualização de compromisso. A edificação desse espaço inédito, no ano do jubileu, torna a Universidade completa, como sonhavam seus fundadores”, disse o reitor durante a cerimônia, assistida por alunos e professores.
José Geraldo lembrou que mais de R$ 35 milhões foram investidos na obra, incluindo recursos da própria UnB, do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e de emendas asseguradas pela bancada do Distrito Federal no Congresso Nacional. “Esse resultado é coletivo. Os movimentos sociais aqui presentes são também autores deste projeto”, disse. “Os Incansáveis lutaram décadas pela titulação das terras de Ceilândia e sabem o valor da agregação de história e de luta nesse projeto”, afirmou, fazendo referência ao grupo de pioneiros da cidade, como Raimunda Lopes da Silva, 73 anos, e o marido Raimundo Borges da Silva, presentes à solenidade acompanhados do filho Manoel Lopes.
“Como se dizia na minha terra, Ceilândia era uma terra jogada para as cobras”, contou Raimunda, que mudou do Ceará para Brasília em 1969. “Não tinha energia, água encanada. Então me emocionei hoje, pois a universidade aqui faz parte de uma luta antiga”, disse.
Swedenberger Barbosa, secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Distrito Federal, reafirmou que a entrega do prédio representa apenas uma etapa de um projeto ainda em consolidação e anunciou a liberação de R$ 7,9 milhões para conclusão do segundo prédio do campus: a Unidade Acadêmica. “O GDF tem de criar as condições para que a universidade cumpra seu papel”, disse. “Esse prédio é resultado de uma gestão que preza pela democracia. É possível defender a democracia sem ser democrático, mas a combinação entre defender a democracia e exercê-la é o que deve ser ressaltado aqui”, completou.
Emília Silberstein/UnB Agência
 Swedenberger Barbosa anunciou R$ 7,9 milhões para conclusão da UAC
O plano diretor do campus novo contempla três prédios, além do recém-inaugurado: a Unidade Acadêmica (UAC), cuja obra é de responsabilidade do GDF e está prevista para ser entregue em dezembro; o Módulo Esportivo e de Serviços (MESP), já construído, mas pendente de ligação de esgoto para que possa ser usado; e a Unidade de Ensino e Pesquisa, em fase de finalização do projeto.
SUCESSÃO – Antes da solenidade, um grupo de estudantes e professores se aglomerou em frente ao prédio para protestar contra a demora na entrega de toda a estrutura do campus, acusando a inauguração de ser um ato de campanha no processo de sucessão da UnB. “Não sou candidato à reeleição. Estamos aqui inaugurando um módulo, e não o campus. Esse é um ato de finalização de gestão. A presença dos candidatos é uma chamada ao compromisso que deve ser estabelecido com esta comunidade. Esta é uma unidade em consolidação”, disse o reitor aos estudantes, assim que chegou ao prédio.
Valmir Lopes, estudante do curso de Saúde Coletiva, representou os alunos no descerramento da placa do prédio e se pronunciou quanto às razões do protesto. “Nosso movimento é apartidário e estamos comprometidos em não deixar que nosso ato seja usado como material de campanha. Nosso movimento é legítimo. A construção do campus é o mínimo que esperamos. Queremos vagas noturnas, melhores condições de estrutura, um restaurante universitário”, destacou.
Emília Silberstein/UnB Agência
Para integrantes do movimento “Incansáveis de Ceilândia”, campus é consolidação de uma cidade em que foi preciso brigar para garantir moradia
Das 10 chapas, sete estavam representadas, quase todas tanto pelos candidatos a reitor quanto a vices. “Fico feliz com a presença dos candidatos. Somos fiduciários da responsabilidade de tornar a UnB uma universidade multicampi”, destacou. “Convoco a todos para se mobilizarem na consulta. A paridade dos votos é a função avalizadora desse processo Ocupem as urnas com seu voto”, concluiu. “Convoco a todos para se mobilizarem na consulta dessa semana”, reforçou o reitor.
Diana Moura Pinho, diretora licenciada do campus da UnB Ceilândia, disse que a manifestação dos jovens indica o “espírito de luta da Ceilândia”. Ela destacou o crescimento do campus desde seu início, em 2008. “Tínhamos 240 estudantes, 28 professores e 20 técnicos. Hoje temos cerca de 1.700 estudantes, 108 professores e 48 técnicos.” A UnB Ceilândia possui alunos distribuídos em cinco cursos da área de saúde: Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Saúde Coletiva e Terapia Ocupacional.
Emília Silberstein/UnB Agência
 
Antônio Simões, da Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação, disse que a construção de uma universidade é um processo contínuo. “Eu me formei na Universidade de Viçosa e ela ainda hoje está em construção. As demandas continuam. No dia que uma universidade parar de ser construída, ela acaba”, defendeu. Simões disse que espera que os avanços tenham continuidade e reforçou que, “quanto mais a UnB se expandir, melhor para a sociedade”.
O deputado distrital Chico Vigilante (PT) representou a Câmara Legislativa do Distrito Federal e saudou a instalação definitiva da UnB em Ceilândia. “Esse é um motivo de orgulho. Quando alguém agora critica a cidade, a gente diz que lá tem a UnB. Essa juventude brilhante quer mais, quer que termine logo os outros prédios e isso vai acontecer. Essa mesma juventude sabe do valor da democracia. Em outros tempos, a polícia teria impedido a entrada de manifestantes, o que era errado. Hoje vocês entram e são convidados a falar.”.
Emília Silberstein/UnB Agência
 
HISTÓRICO – A entrega oficial da Unidade de Ensino e Docência conclui um capítulo importante na consolidação do campus de Ceilândia – um processo marcado por vários percalços. “Em 2008, o GDF contratou a Uni Engenharia para assumir a obra, mas essa empresa teve o contrato rescindido em 2010 após apresentar vários problemas. As obras ficaram paralisadas por quatro meses em 2011”, diz Alberto Alves de Faria, diretor do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer da UnB (Ceplan).
No dia 15 de junho de 2011, aproximadamente 250 alunos protestaram contra o atraso das obras da nova sede da faculdade, que já deveria ter sido entregue em 2009. Os alunos haviam ocupado a reitoria da UnB por cerca de 10 horas em protesto. A ocupação chegou ao fim com a assinatura de um acordo. O reitor assinou uma carta-compromisso com 10 itens reivindicados pelo movimento. Veja aqui a matéria.
Emília Silberstein/UnB Agência
 
Em setembro, outra ocupação da Reitoria, desta vez por 11 dias, com reivindicações por maior qualidade acadêmica e estrutural na UnB Ceilândia. Os estudantes desocuparam a Reitoria após reunião do Conselho Universitário (Consuni). Leia aqui.
Durante a solenidade dessa segunda, o reitor da UnB aplaudiu o protagonismo dos estudantes no processo de consolidação do campus de Ceilândia. “Não se desmobilizem. Vocês terão orgulho disso em sua história de vida, orgulho de ter integrado a turma pioneira desse campus. Ainda que com sacrifício e carga acentuada de atividade, tanto acadêmica e militante, vocês também são autores nesse projeto”, afirmou.
Débora Cronemberger – Da Secretaria de Comunicação da UnB

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