Corregedoria da PM abre inquérito para apurar suposta agressão a menor.

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O adolescente se recupera no hospital, mas, com hemorragia em um dos rins, ainda corre o risco de perder o órgão.

Policiais militares do 8º Batalhão de Ceilândia responderão a um inquérito aberto ontem na corregedoria da corporação. Eles teriam agredido Felipe*, 15 anos, na madrugada de domingo, depois que o adolescente e um amigo maior de idade supostamente simularam um assalto a uma mulher que passava pela Via Leste da cidade. Por conta dos chutes que levou na barriga, o menor foi internado no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Até o fim da tarde de ontem, o estado de saúde do garoto era estável e ele aguardava transferência para o Hospital de Base do Distrito Federal.

A equipe médica que atende Felipe* ainda não tinha condições de afirmar se os golpes, de fato, comprometeram os rins do garoto. Segundo o relato dos familiares à Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa (CLDF), ao perceber a tentativa de roubo, integrantes do 8ª Batalhão surpreenderam Felipe e o colega. Antes de colocá-los na viatura, os policiais teriam espancado o garoto. A avó do adolescente contou que os pontapés causaram hemorragia interna e afetaram o rim esquerdo do jovem, que até o fim da tarde aguardava a realização de uma tomografia para constatar a necessidade, ou não, de intervenção cirúrgica.

O jovem se recupera, aos poucos, do que passou nos últimos dias. O médico do Hran responsável pelo atendimento afirmou que o quadro do rapaz permanecia estável até o fim da manhã de ontem. “Se a hemorragia não cessar, o rim vai precisar ser retirado”, sentenciou o especialista, que não se identificou. Em nota, a Secretaria de Saúde afirmou que os médicos têm realizado todos os procedimentos para “evitar a cirurgia que implicaria na retirada desse rim”.

A Polícia Militar do Distrito Federal começou ontem a apuração dos fatos. Segundo informações da corporação, todos os envolvidos serão ouvidos. De acordo com a PMDF, no momento, os comandantes do 8º Batalhão não vão comentar o assunto com a imprensa.

Pernoite
Representantes do Conselho Tutelar de Ceilândia e da CDH da Câmara Legislativa visitaram ontem a vítima na enfermaria do Hran. O grupo pretende recolher documentos, como a guia de atendimento, e encaminhá-los ao Ministério Público e à Corregedoria da PMDF. “O jovem nunca teve de cumprir medidas socioeducativas anteriores. Ele estava em situação de pernoite no Caje (Centro de Atendimento Juvenil Especializado) e enfrentaria a primeira audiência. Antes disso, ele passou mal e foi para o hospital”, contou a deputada Érika Kokay, vice-presidente da comissão.

Até a tarde de ontem, dois agentes do Caje vigiavam a enfermaria onde o garoto estava internado. “Ele ficou sob a custódia do Caje e tem de ser constantemente monitorado, até a liberação judicial”, explicou um tio de Felipe*. Segundo ele, os funcionários do Conselho Tutelar de Ceilândia fazem o acompanhamento do adolescente por conta de desvios de comportamento.

Na tarde do último sábado, o garoto assistiu a um jogo de futebol com os amigos. Sem voltar em casa, à noite, decidiu ir a uma festa na Via Leste de Ceilândia. Segundo o relato dos familiares, Felipe* deixou o evento com o amigo por volta das 2h de domingo. No caminho, viram uma moça sozinha e decidiram fingir que a roubariam. “O mais velho sugeriu: ‘vamos dar um susto nessa garota’. Os dois gritaram que era um assalto. Mas, em seguida, saíram correndo. Até mudaram de calçada. Foi aí que uma viatura com os faróis apagados apareceu. Os policiais já desceram batendo”, descreveu o tio do rapaz.

*Nome fictício em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente

Por Lucas Tolentino.

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