Crianças carentes de Ceilândia levam dez medalhas de ouro no Campeonato Brasiliense.

Compartilhe essa matéria

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram
Edílson Rodrigues/CB/D.A Press
O projeto Casa da Marieta abriga 40 alunos de jiu-jítsu e eles se revezam no uso dos quimonos que a entidade possui. Isabela, Wesley e Lael ganharam uniformes no campeonato


Quando eles falam onde moram, as pessoas imaginam uma rua asfaltada, com belas casas e árvores ao redor. Mas não se engane. No condomínio Casa Branca, a realidade é outra. Barracos, terra batida, buracos na pista… É nesse cenário, dentro do Sol Nascente, em Ceilândia, onde moram as crianças do projeto social Casa da Marieta. A pequena sala da sede, cujas portas ficam sempre abertas, abriga o tatame no qual 40 alunos aprendem os golpes do jiu-jítsu. Dez deles foram selecionados para participar pela primeira vez do Campeonato Brasiliense da modalidade, neste fim de semana, e todos conseguiram a medalha de ouro em sua categoria.

Antes de subirem ao tatame, ontem, eles já tinham motivos para comemorar: receberam quimonos de presente da Federação Brasiliense da modalidade. “Foi muito bom, porque só tínhamos dois no tamanho deles. Sem os novos uniformes, eles teriam que revezar”, diz a sensei Jane Medeiros, voluntária do projeto. Após o resultado, porém, os pequenos lutadores não têm novas lutas oficiais marcadas. “Dependemos de convite, porque não temos dinheiro para pagar inscrições”, completa a professora.

Incentivo

A oportunidade surgiu com o projeto da Federação, que bancou a inscrição de 200 crianças carentes na competição, de diversos projetos sociais. Todas elas ganharam quimonos. O que parece uma pequena iniciativa é, na verdade, bem importante para os iniciantes. Sem condições de comprar o próprio uniforme, os alunos da Casa da Marieta dividem as 10 roupas conseguidas por meio de doação.

Edílson Rodrigues/CB/D.A Press
Wesley luta no tatame, mas sabe que não pode brigar na rua

“Funciona assim: um luta, tira o quimono e passa para o próximo”, relata Jane Medeiros. Os novos também irão direto para o uso de todos os alunos do projeto. “Vai ajudar bastante. A roupa parece um detalhe, mas não dá para lutar sem ela”, completa.

Essa foi a segunda competição oficial enfrentada pelas crianças, ainda encantadas com a ideia de ganhar medalhas. A primeira foi há duas semanas, quando competiram no Sesc de Ceilândia. O resultado foi positivo: os nove que foram para o desafio voltaram com medalhas. O orgulho é evidente no olhar de Lael Ramos, de 8 anos. “Fiquei muito nervoso na hora. Faltou ar, precisei tomar uma água e depois melhorei. Eu achei que ia perder”, diz, envergonhado, tentando conter a alegria da vitória.

Também teve comemoração na casa de Isabela e Wesley Souza Barbosa. Os irmãos de 13 e 10 anos, respectivamente, ficaram empolgados com o título e já pensam em seguir carreira no esporte. “Eu quero ser lutadora. Viajar muito e ganhar medalha para o Brasil”, diz a garota, fã de Anderson Silva.

Mais que medalhas

Ainda é cedo para dizer se serão ou não atletas profissionais. Mas não há dúvidas sobre o benefício da atividade na construção do caráter dessas crianças. Eles têm fixado na mente os ensinamentos do esporte. “A gente aprende que é preciso fazer as coisas do jeito certo. A gente luta aqui dentro, mas lá fora temos que manter a calma. Não podemos sair brigando”, diz Wesley. “O jiu-jítsu ensina que temos que ter educação aqui e lá fora, na rua”, complementa a irmã.

O modelo de conduta que buscam é todo baseado na sensei Jane Medeiros. A professora, graduada também em karatê, buscou no projeto a possibilidade de repassar o conhecimento adquirido no tatame. Quando não está trabalhando na lanchonete no centro de Ceilândia, ela está com as crianças. “Eu morava em Ceilândia Sul e me mudei para cá para ficar mais perto deles. Quando não estamos no projeto, eles ficam lá em casa, a gente conversa muito, tento ensiná-los a ficar longe da violência, apesar de viver no meio dela”, explica Jane.

“Eles convivem o tempo inteiro com o crime, com as drogas. Eu mostro que eles podem ser diferentes e ter um futuro melhor”, explica a mentora, ao relatar que nesta semana um aluno entregou a ela uma “trouxinha” de maconha e disse que não queria mais se envolver com drogas.
Informações do site superesportes.com.br

Deixe uma resposta

Veja Também:

Últimas Postagens

Siga-nos nos Facebook

%d blogueiros gostam disto: