Delator da Caixa de Pandora, Durval cai em contradição e ataca Roriz.

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Durval Barbosa, o delator da Operação Caixa de Pandora, caiu em contradição ontem, ao prestar depoimento na audiência que instrui processo movido pelo Ministério Público do Distrito Federal contra a deputada distrital Eurides Brito (PMDB). Ele sustentou que, entre janeiro de 2003 e dezembro de 2006, desviou R$ 60 milhões de contratos de informática na Codeplan para a campanha de José Roberto Arruda. Nesse período, no entanto, o GDF estava sob o comando de Joaquim Roriz.

Durante depoimentos que respaldaram a Operação Caixa de Pandora, Durval sustentou que o esquema de desvio de recursos foi montado em torno de Arruda. Para o advogado do ex-governador, no entanto, a oitiva de ontem, na 2ª Vara de Fazenda Pública do DF, será uma boa peça de defesa. “Alguém vai acreditar que Arruda mandava em Roriz?”, questiona o desembargador aposentado Edson Smaniotto, que advoga para o ex-governador do DF. “Todo mundo sabe que Arruda e Roriz eram inimigos políticos, tanto é que ele (Roriz) apoiou a candidatura da Maria de Lourdes Abadia (PSDB)”, acrescenta o advogado. Em 2006, Abadia disputou com Arruda o Palácio do Buriti.

Smaniotto afirma que Durval só envolve Arruda para livrar-se das penas usando o benefício da delação premiada. “Se ele simplesmente dissesse que desviou dinheiro, seria uma confissão. Ele precisa envolver o Arruda para se livrar”, diz. O desembargador aposentado ressalta que é exatamente o que tem ocorrido no julgamento dos processos envolvendo Durval no Tribunal de Justiça do DF.

Durval: dinheiro desviado a mando de Roriz para beneficiar Arruda (Breno Fortes/CB/D.A Press - 30/3/10)
Durval: dinheiro desviado a mando de Roriz para beneficiar Arruda

“Por causa da redução de pena prevista na delação premiada, Durval tem sido condenado a penas pequenas e em seguida o tribunal considera que houve prescrição”, diz Smaniotto. E acrescentou, em nota: “Insistir em argumentar que Arruda mandava no governador Roriz, seu adversário, não tem como ser verossímil. Não passa de mais uma tentativa do delator para transferir a responsabilidade dos atos que ele próprio cometeu, no intuito de obter o prêmio da delação que tem contribuído para a sua impunidade”.

Ao desbloquear os bens do ex-governador José Roberto Arruda, a 2ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do DF já considerou que ele não poderia exercer ingerência sobre desvios de recursos ocorridos na gestão de Roriz. Na audiência de ontem, Durval acusou Roriz de autorizar o esquema de corrupção e acrescentou que muitas denúncias envolvendo o ex-governador ainda virão à tona. “Muita gente acha que Roriz foi poupado. Não é verdade”, disse. Durval disse também que o governo Arruda gastava R$ 605 mil por mês para pagar deputados distritais da base aliada. A defesa nega a existência do mensalão.

Sobre Eurides, Durval voltou a dizer que deu dinheiro a ela a pedido de Arruda. A ex-deputada nega. Ela sustenta que pegou os recursos por orientação de Roriz para pagar um evento de campanha. O Ministério Público do DF quer condenar Eurides por improbidade administrativa. Se isso ocorrer, ela poderá devolver aos cofres públicos a cifra de R$ 4,3 milhões. O dinheiro foi calculado com base no que a ex-distrital teria recebido de Durval, além de um valor considerado pelo MP a título de danos morais como compensação pela repercussão das imagens da Operação Caixa de Pandora.

Correio Web

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