Deputado denuncia venda de promoções na Polícia Militar de Goiás

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Rosana Melo, O Popular
Cem mil reais. Esse seria o preço cobrado por uma promoção para coronel na Polícia Militar em meados de 2010, segundo denúncia do deputado estadual Major Junio Alves de Araújo (major da reserva), do PRB, em entrevista no fim da noite de ontem ao POPULAR. “Em 2010 circulou um dossiê sobre esse assunto, com nomes dos coronéis que compraram suas promoções. Não posso afirmar que foi o Cachoeira que pagou pelas promoções, sei que algumas foram pagas pelos próprios beneficiados”, disse o militar.

O deputado afirmou que as propinas que garantiam as promoções eram pagas ao ex-comandante-geral da corporação, coronel Carlos Antônio Elias. “No comando dele, noticiou-se bastante que existia até mesmo uma tabela de preços para promoções. Quem tinha interesse eram oficiais da alta cúpula que pagavam até R$ 100 mil para o coronel Carlos Antônio Elias”, denunciou.
Procurado pelo POPULAR no início da noite de ontem, o coronel Carlos Antônio Elias disse que o dossiê citado foi objeto de sindicância e inquérito e que a Justiça concluiu que as promoções ocorreram dentro de legalidade. “Durante o meu comando foram mais de 9 mil promoções. De soldados a coronéis foram beneficiados com elas”, disse.
Assim que soube, no fim da manhã de ontem, que a Polícia Militar vai instaurar uma sindicância na próxima semana para apurar responsabilidades sobre uma suposta “farra dos coronéis”, o Major Araújo comemorou: “Vamos desenterrar todas as promoções. Vamos desvendar muitos mistérios relativos a este assunto”.
A informação de promoções suspeitas na Polícia Militar, com suposta interferência de Carlos Cachoeira, foi publicada com exclusividade pelo Giro no POPULAR de ontem. Depois, em entrevista à TV Anhanguera e ao POPULAR, o deputado confirmou a informação e denunciou o pagamento de propinas.
O major Araújo revelou que a influência exercida por Carlos Cachoeira na PM fez com que muitos oficiais recebessem promoções indevidas na gestão passada. Segundo ele, o número de vagas para coronéis na corporação foi aumentado de 22 para 26, por meio de uma lei estadual, mas ainda assim, outros 10 tenentes-coronéis foram alçados ao posto máximo da PM indevidamente.
Normalmente há um coronel para cada mil homens na corporação. Hoje há uma crise na PM porque não há como promover por mérito ou antiguidade aqueles que realmente devem ser promovidos. “Há um excedente de coronéis, o que impossibilita novas promoções”, disse.
Segundo o deputado Major Araújo, não há como rever as promoções porque é previsto em lei que elas podem ocorrer mediante indicação política. “É preciso mudar a forma como a promoção é concedida”, defendeu. Segundo ele, por causa desse excedente de coronéis, neste governo quase não houve promoção.
A influência de Cachoeira na PM, segundo ele, era tão grande que muitos militares queriam trabalhar em Anápolis. “Lá, promoção era garantida”, disse. Ele contou ainda que muitas fiscalizações em casas de jogos eram determinadas pelo Comando do Policiamento da Capital (CPC), mediante ordens do empresário. As casas fechadas seriam todas de ‘concorrentes’ do grupo liderado por ele. “O comandante de uma unidade perdeu o cargo quando, por engano, fechou uma casa de bingo do Cachoeira.”
TV Anhanguera e O POPULAR tentaram ouvir o secretário de Segurança Pública e Justiça, João Furtado Neto, mas a assessoria informou que ele não falaria sobre o assunto. Pelo microblog Twitter, logo após a entrevista do major Araújo para a TV Anhanguera, o secretário reclamou que estavam querendo acabar com a paz dele durante a Páscoa. Disse também que o esquema de promoções irregulares na Polícia Militar aconteceu em uma gestão anterior a dele.
Alegou que quem sabe os nomes dos beneficiados com as promoções irregulares deve divulgá-los. Caso contrário, estará prevaricando. O Major Araújo, ao ter conhecimento do que o secretário havia falado, disse que não houve prevaricação nenhuma e que o dossiê que circulou em 2010 teria sido entregue para o secretário. “O atual governo sabia”, garante.
Nas últimas postagens sobre o assunto, João Furtado Neto afirma que tem “um Estado e um povo para defender” e que não vai perder tempo com o que chama de “histeria, fuxicos, oportunismo, vazamentos e falso moralismo”.

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