Deputados distritais disputam cargos comssionados na Câmara Legislativa

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Deputados recém-chegados à Câmara Legislativa fazem pressão para que os cargos comissionados da estrutura da Casa sejam repartidos. Ontem à tarde, os novatos deram plantão na Presidência e sinalizaram que só votarão projetos em plenário caso o problema seja resolvido até 1º de março, prazo definido pelo grupo para a nomeação dos apadrinhados. A postura atrapalhou o plano do Executivo de ver aprovado, na sessão de ontem, a proposta que autoriza o empréstimo de US$ 55 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que financiará obras de saneamento e infraestrutura nas cidades do Distrito Federal. Por falta de quórum, a sessão foi encerrada sem nenhuma votação. 

Desde a derrubada da liminar que impedia novas nomeações na Casa, os distritais de primeira viagem aguardam a divisão dos espaços para acomodar pessoas de confiança, o que não aconteceu até o momento. Para que a partilha seja feita igualmente entre os 24 parlamentares, os mais experientes terão que abrir mão da sua cota. O gesto de desapego é um empecilho para o avanço das conversas entre os colegas. Há deputados que têm o dobro de vagas da cota definida em acordo no dia da eleição da Mesa Diretora, em 1º de janeiro passado. 

Na ocasião, foi acertado que cada parlamentar teria direito a seis cargos na estrutura, no valor total de R$ 55 mil. O problema é que atualmente há distritais com um número muito maior de indicações ou que, mesmo sem exercer a função legislativa continuam mantendo os apadrinhados na Câmara, como é o caso do atual secretário de Justiça, Alírio Neto (PPS). Ele está licenciado para ocupar o posto no governo, mas mantém 11 lugares.

O Correio teve acesso a informações sobre a atual situação da estrutura administrativa da Casa (veja quadro). Tratam de nomeações (CNE 2, CNE 1, CL 15, CL 14, CL 13, CL 12, CL 11, CL 3 e CL 1) cujo salário pode chegar até R$ 12 mil. O deputado Cristiano Araújo (PTB) ocupa o primeiro lugar no ranking, com 12 nomeações. O peemedebista Rôney Nemer tem 10 indicações. O presidente da Câmara, Patrício (PT), Eliana Pedrosa (DEM) e Benedito Domingos (PP) possuem oito cargos cada. Só o Partido dos Trabalhadores (PT) tem sob sua gestão 17 cargos.

 Dos 14 distritais novatos, quatro já foram contemplados com a partilha de espaço na Casa: Wellignton Luiz (PSC), Washington Mesquita (PSDB), Evandro Garla (PRB) e Joe Valle (PSB). O último é o que mais ganhou cargos comissionados, um total de sete. Um parlamentar que preferiu não se identificar disse que está havendo uma “concorrência desleal” entre os colegas. “Ficamos um mês sem poder fazer as nomeações e agora temos que ir contra a concorrência desleal de deputados que têm a estrutura montada. Tem gente que controla R$ 70 mil, R$ 80 mil em salários”, afirma. 

Sala de espera
 O assunto tomou conta da reunião de ontem, convocada pelo presidente da Câmara, Patrício. O encontro deveria tratar da pauta de votações em plenário. Os deputados só saíram da sala dele depois de três horas de espera. “Falamos à secretaria dele que esperaríamos o quanto fosse necessário. Enquanto isso, criamos uma comissão para dar andamento ao assunto. Até amanhã, temos que receber a lista com a divisão”, conta outro parlamentar. 

Outra medida acertada entre o grupo é que todos os ocupantes de cargos comissionados deverão ser exonerados para facilitar a montagem do novo quadro. Se as exigências não forem atendidas, os parlamentares ameaçam não avançar com as votações de interesse do governo.

Partilha do poder

  • Cristiano Araújo (PTB)  /  12
  • Alírio Neto (PPS)  /  11
  • Rôney Nemer (PMDB)  /  10
  • Aylton Gomes (PR)  /  9
  • Benedito Domingos (PP)  /  8
  • Eliana Pedrosa (DEM)  /  8
  • Patrício (PT)  /  8
  • Joe Valle (PSB)  /  7
  • Benício Tavares (PMDB)  /  6
  • Evandro Garla (PRB)  /  4
  • Chico Leite (PT)  /  4
  • Wellington Luiz (PSC)  /  1
  • Washington Mesquita (PSDB)  /  1
  • PT/Paulo Tadeu  /  1
  • PT/Érika Kokay  /  2
Correio Braziliense.

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