Distritais começam o ano sob a expectativa de moralização.

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Distritais assumem com um dos colegas indiciado por formação de quadrilha e fraude em licitação. Corregedor, que ainda será escolhido nos próximos dias, terá que se manifestar sobre as denúncias envolvendo Benedito Domingos, do PP


A retomada dos trabalhos na Câmara Legislativa dará oportunidade aos brasilienses de avaliarem o resultado do pleito de outubro passado. Os distritais começam o ano sob a expectativa popular de moralização e de mudança de hábitos na Casa, bombardeada por escândalos e denúncias de corrupção ao longo da última legislatura. Um dos desafios a ser enfrentado pelos deputados é o de investigar condutas suspeitas dos próprios colegas. A decisão de abrir processo por quebra de decoro contra Benedito Domingos (PP), indiciado pela Polícia Civil do DF por formação de quadrilha e fraude em licitação, será o primeiro teste de desempenho ao qual os parlamentares terão que passar. 


Caberá ao corregedor-geral da Câmara o papel de dar encaminhamento ao caso de Benedito ou de repassá-lo aos cuidados da Justiça, mas a escolha do novo investigador da Casa sairá de um acordo firmado entre os blocos partidários. Ou seja, a responsabilidade de eleger o corregedor será dividida entre os 24 distritais. As revelações da Operação Caixa de Pandora, que entre outras coisas mostraram a relação promíscua entre poderes Legislativo e Executivo, fizeram com que a vaga ficasse em aberto quase todo o ano passado. Nenhum deputado queria estar à frente do cargo. Nessa legislatura, um dos cotados é Wellington Luís (PSC), presidente do Sindicado dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF). Os nomes de Eliana Pedrosa (DEM) e Agaciel Maia (PTC), pivô dos atos secretos do Senado, também foram ventilados, mas a indicação de Wellington está mais fortalecida. 

Líder do bloco de PT e PRB na Casa, o deputado Chico Vigilante (PT) promete levar assuntos espinhosos na primeira sessão do ano, marcada para ocorrer amanhã. Ele quer propor a criação de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para apurar denúncias contra o Pró-DF, cuja concessão de lotes foi suspensa pelo governo por suspeita de irregularidades, e o Transporte Urbano do DF (DFTrans). “O Pró-DF é o programa onde ocorrem as maiores roubalheiras do DF. Já o sistema de transporte público está acabado, com muitos problemas. A gente precisa apurar as causas da situação para apontar a solução”, afirmou o deputado. 

Renovação
A nova legislatura traz nomes citados na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, como os distritais peemedebistas Benício Tavares e Rôney Nemer. Os escândalos que atingiram a Casa não foram suficientes para aumentar o índice de renovação, que ficou em 58% — o mesmo da outra eleição. Das 24 vagas, 14 serão preenchidas por pessoas que não fizeram parte da legislatura anterior (veja quadro). 

O professor do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, não acredita que os parlamentares estejam dispostos a abrir os trabalhos legislativos investigando os colegas eleitos. Para ele, “não há clima” para embalar os processos e a prioridade inicial deverá ser a resolução de pendências do orçamento de 2011 além do estabelecimento real de uma relação com o novo governador, Agnelo Queiroz (PT). “Primeiro, eles irão resolver problemas mais urgentes para depois pensar em limpeza”, afirmou o cientista político. 

Acusações graves
Benedito Domingos (PP) é alvo de uma série de acusações graves, que envolvem desde suspeitas de pagamento de propina em troca de apoio à campanha eleitoral a denúncias de conluio para favorecer empresas de sua família. Reportagens publicadas pelo Correio nas últimas duas semanas mostraram as suspeitas contra o parlamentar, que se disse “decepcionado com a vida política” e até anunciou que não disputará mais eleições.


Do Correio Braziliense.

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