Em 3 anos, mais de 166 mil celulares foram roubado ou furtados no DF

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Entre 2015 e 2017, 166.615 celulares foram roubados, furtados ou
extraviados no Distrito Federal. Outros 12,4 mil somaram-se à conta apenas no
primeiro trimestre deste ano. As principais vítimas são pedestres distraídos,
mas os aparelhos também são levados durante outros crimes, como roubo de
veículos e furtos em residências. A pedido do Jornal de Brasília, a Polícia
Civil fez um levantamento das ocorrências com os objetos queridinhos dos
bandidos.

O nome “celular” aparece na descrição de 49.758 ocorrências de 2015, em
59.828 de 2016 e em 57.029 de 2017. Comparando apenas os dois últimos anos,
houve redução na média mensal de casos: passou de 4.949 para 4.721. No ano
passado, maio foi o mês com maior número de registros, com mais de seis mil
ocorrências. O Plano Piloto lidera o ranking (18,3%), seguido pelas cidades
mais populosas do DF: Ceilândia (13,6%), Taguatinga (10,2%) e Samambaia
(10,1%).

A maioria das vítimas (41%) foi roubada enquanto caminhava, como a
enfermeira Iara Silva Melo, 28, que perdeu três celulares em menos de um ano.
Todas as vezes ocorreram cedo, ao ir trabalhar, e perto de casa, no P Norte, em
Ceilândia. Uma vez, ela foi ameaçada com faca e foi obrigada a fingir que era
namorada de um dos ladrões. “Só registrei ocorrência do último caso porque o
celular tinha seguro. Não adianta fazer, não resolve. Só entra nas
estatísticas”, reclama.

Matheus Azevedo, estudante de 20 anos, também foi vítima. “Eu estava a
caminho da estação Arniqueiras do metrô, em Águas Claras, por volta das 17h,
quando o cara chegou, mostrou a faca e pediu o celular e a carteira”, lembra.
Ele conta que o aparelho sequer estava à mostra. “Roubam porque conseguem
revender. Deveria ter mais fiscalização para impedir isso, mas é difícil”,
avalia.

Celulares ainda são levados em casos de roubos de veículos, em paradas
de ônibus e furtos em comércios e em residências. Na segunda passada, a Polícia
Militar prendeu uma família especializada em roubo violento em casas. Quatro
homens agiam na área do setor de mansões de Samambaia e levavam os objetos para
a casa de um comparsa.
Quadrilhas especializadas

Pela grande média anual de furtos, a polícia vê a presença de um mercado
ilegal que “estende seus tentáculos nas ruas e comércios, até a venda dos
produtos, nos comércios irregulares e na internet”. Tudo isso é enfrentado
pelas delegacias regionais e especializadas com operações constantes.

Em dezembro, a Operação Icarus chegou a uma organização criminosa que
atuava no Aeroporto de Brasília e comercializava celulares furtados na Feira
dos Importados. Em novembro, a 17ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga, prendeu
um grupo que roubava lojas de celulares em shoppings. Em julho, a Operação
Parasitus e prendeu uma quadrilha interestadual atuante no mercado ilegal de
celulares. Juntos, esses criminosos geraram um prejuízo estimado em R$ 4
milhões.

Nos centros das cidades, a comercialização suspeita de aparelhos ocorre
à luz do dia. Ambulantes expõem os aparelhos sem nota fiscal sob caixas de
madeira ou simplesmente fazem malabarismos com celulares para oferecer a quem
passa. Na Praça do Relógio, em Taguatinga, no centro de Ceilândia e na
Rodoviária do Plano Piloto, os flagrantes são diários. “Celular é alvo porque é
caro e os criminosos conseguem revender com facilidade. Já chegaram a me
oferecer na rodoviária”, conta a empregada doméstica Mayara da Silva, 34.

Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar um produto de crime pode
levar à prisão. Tudo isso é considerado receptação. Conforme o Código Penal, a
pena é de reclusão por até quatro anos. A situação piora se o produto tem, como
destino, a venda. Nesse caso, o receptador pode ficar preso por até oito anos.

Bloqueio

– Entre outubro de 2017 e março de 2018, 1.889 celulares foram
bloqueados por intermédio da Polícia Civil. Até fevereiro, a média mensal era
de 232 unidades, mas março foi fora da curva, com 728 celulares bloqueados.
Desde aquele mês, o Departamento de Inteligência e Gestão da Informação
(DGI/PCDF) inutiliza aparelhos para combater o mercado ilegal de celulares.

– A Anatel começará a fazer um limpa neste mês. Mais de 40 mil celulares
do DF devem ser bloqueados. São aparelhos com o DDD 61 identificados com irregularidades.
Isso representa metade de todas as detecções da agência entre os três códigos
nacionais que recebem agora primeira etapa do programa, que inclui os DD 62 e
64, de Goiás. Os telefones suspeitos começaram a receber SMS em fevereiro para
regularizar a situação.

Ponto de Vista

Especialista em segurança pública, Marcelle Figueira lembra que celular
é um dos bens que podem ser roubados em crimes de oportunidade. “Há uma
dinâmica muito complexa em roubos e isso não se previne. O que se previne é o
ambiente, como iluminação, que pode levar à vulnerabilidade. Quando a pessoa
passa por um lugar vulnerável pode ter qualquer coisa roubada”, diz. Ela alerta
que o telefone pode ser usado como segundo meio delituoso, como quando entra
nos presídios.

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