Em projeto inédito, prédio para ex-moradores de rua será inaugurado em Ceilândia

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Um prédio destinado exclusivamente
a ex-moradores de rua será inaugurado nesta semana em Ceilândia. Esta é a primeira vez que um projeto do tipo é lançado na capital. O
imóvel tem 12 quitinetes. Em cada uma delas poderá morar, no máximo, duas
pessoas em situação de vulnerabilidade. As informações são do G1-DF.

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A luta pelo
espaço social na arquitetura é algo com o qual sonhamos desde o início de
Brasília, afirma Luis Sarmento, assessor da presidência da Companhia de
Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab). O governo se
reuniu para discutir e conseguir fazer essa construção. É uma sensação
prazerosa, de que está dando certo.


O projeto para colocar
de pé um prédio para pessoas em situação de rua foi uma parceria da Codhab com
o educador social e ex-morador de rua Rogério Soares, conhecido como Barba.
O
edifício foi construído em quatro meses, como forma de atender ao 
decreto
distrital nº 35.191/2014
, que trata da
concessão de casas populares para pessoas vulneráveis.



Os
beneficiados vão morar em um prédio erguido em uma região do Condomínio Sol
Nascente ainda praticamente vazia, localizada uma rua abaixo dos comércios e
das rotas dos ônibus. Para ir ao Plano Piloto ou a Taguatinga, por exemplo, o
morador terá antes de tomar transporte dali para o centro de Ceilândia.

No Sol Nascente, também estão
sendo construídas casas populares do programa Minha Casa Minha Vida. A Codhab
planeja o lançamento de mais prédios para pessoas em vulnerabilidade.

Ao lado do edifício com
12 quitinetes, será entregue uma casa de apoio para os moradores. Lá, será
ministrado um curso de capacitação e assistência social. Três moradores do novo
residencial dormem lá, provisoriamente, até que o prédio seja finalizado.

Quem pode?

Os moradores
contemplados com as quitinetes fazem parte de um grupo de 120 pessoas que já
haviam recebido auxílio-moradia mensal no valor de R$ 600 durante um ano. Após
esse período, 47 entregaram a documentação para se inscrever na Codhab. Os
selecionados, então, foram ao local conhecer a futura casa e confirmar se
realmente tinha interesse em morar no edifício.

Para estabelecer a
ordem, o governo optou pelas seguintes prioridades:

Casal ou
solteiro (a) com apenas um filho
Ter saído da situação de rua
Ter cadastro na Codhab-DF
Ter condições financeiras para
pagar contas de água e de luz e se alimentar
Não ser dependente de álcool nem
de outras drogas
Ter estabilidade psicológica para
não voltar a usar drogas nem abandonar a casa

A intenção do
governo é de que os moradores passem a pagar Imposto Predial e Territorial
Urbano (IPTU) daqui a 10 anos. Neste período, o governo terá autonomia para
conceder o imóvel para outra pessoa na lista de espera da Codhab caso alguém
saia do apartamento.

Para fazer a diferença

O educador
social Rogério Soares, o Barba, nasceu em São Paulo e foi abandonado pela mãe.
Acabou levado a um orfanato e, na infância, recebeu de um juiz o nome de
batismo que carregaria para sempre. Mesmo adotado por duas famílias em momentos
diferentes, foi devolvido por ambas.
Aos 16 anos, ele fugiu com um
amigo para morar em uma favela sob comando de uma facção criminosa. Com a
aparência do tempo que morava na rua, ganhou o apelido: Barba.

Junto do amigo, começou cometer
assaltos. Em um deles, a vítima, um policial, disparou vários tiros contra eles
para se defender. Rogério foi acertado, se arrependeu e pegou os documentos
para entrar no mercado de trabalho.

O primeiro emprego de Barba foi
em uma rádio, da qual acabou demitido por envolvimento com drogas. Ele passou
por Uberlândia (MG) e Goiânia antes de chegar à capital, em 2010, e se
estabelecer no “buraco do rato”, no Setor Comercial Sul, onde viveu
até a Copa do Mundo de 2014.

Hoje, quatro anos após ter saído
do “buraco do rato”, ele só volta ao local para ajudar os colegas que
ainda precisam de apoio. Por fim, tornou-se o “porta-voz da rua” nos
órgãos responsáveis pelas políticas públicas para os moradores em situação de
risco.

O governo faz políticas
públicas sem pensar nas pessoas. Enquanto não fizer projetos olhando quem vem
de baixo, nada vai dar certo, diz.

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