Entorno do DF é a região do medo.

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Segundo a promotora de Justiça Patrícia Oliveira, a situação já foi pior. Ela coordena o Projeto Entorno do MP-GO, que desde 2007 acompanha a situação de segurança e social da região e cobra ações de Goiás, do DF e da União. Para ela, duas ações são emergenciais para diminuir a violência no Entorno. “A primeira é convocar prioritariamente para lá, pelo menos 70% dos 300 policiais já aprovados em concurso”, diz. A segunda é a implantação de presídios em Formosa, Águas Lindas e Novo Gama.
De acordo com a promotora, R$ 81 milhões para essas obras foram liberados em 2008 por um programa do Ministério da Justiça, mas permanecem nos cofres da União, pois nem o DF, nem Goiás, nem as prefeituras apresentaram projetos para construção.
Os policiais civis que atuam no Entorno reclamam da falta de estrutura para trabalhar. Na 1ª Delegacia de Polícia de Valparaíso, faltam grades nas janelas, o carro usado pelos policiais não tem rádio e os pneus estão carecas. A contenção de gastos faz com que policiais que atuam no Entorno do Distrito Federal tenham uma cota de 11 balas por semestre, segundo um policial que pediu para ser identificado apenas como Rodrigo.
No curso de formação da Academia de Polícia, os agentes praticaram com 30 tiros. “Só para comparar, no último curso da Polícia Federal, o treinamento foi com 2.400 tiros”, disse Rodrigo, que afirmou ter custeado aulas à parte porque considerou a formação “insuficiente” e teve medo de errar ao ir para as ruas.
O coordenador do Gabinete de Gestão de Segurança admite que a situação é precária, mas diz não ter saber da falta de equipamento básico. “Não tenho conhecimento disso”, disse. “As forças especializadas andam com mais munição. Pessoal do dia a dia tem um quantitativo adequado. Nunca chegou reclamação.”
O governo federal repassa ao DF anualmente R$ 10 bilhões para a área de segurança pelo Fundo Constitucional. Segundo ele, o investimento no Entorno beneficia não apenas as cidades de Goiás, mas também o Distrito Federal. “Tudo que é ruim para o Entorno é ruim para o DF. Estamos buscando saúde, educação. A segurança fica com flanco aberto. Investir no Entorno é muito bom para a capital.”
Segundo ele, a solução para a região deve ser compartilhada. “Precisamos de uma decisão política, cada um dizendo o que vai fazer, com os custos claros. DF tem fundo constitucional (verba repassada pelo governo federal), de R$ 10 bilhões. Com um R$ 1 bilhão por ano, daríamos segurança ao Entorno”, diz Araújo.
O coordenador lembra da proximidade da Copa do Mundo – Brasília sediará jogos da competição e pleiteia a abertura do mundial de 2014. “Vamos ter jogos da Copa do Mundo. Que cartão de visita é esse para o mundo?”, indaga. “O custo de estrutura e equipamento, fora pessoal e custeio, é bem mais aquém do que a preparação de um estádio da Copa.”

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