Entorno do DF: Em 1 década, 15 mil homicídios

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Assassinatos aumentaram na região metropolitana de Goiânia e Entorno do DF e Região Sudoeste do Estado
Em 1998, a taxa de homicídios no Estado de Goiás (número de assassinatos em 100 mil habitantes) era de 13,4,
quase metade da nacional, de 25,9. Em 12 anos, enquanto a taxa do País manteve-se praticamente estagnada, em Goiás ela teve um crescimento de 119,4%, passando para 29,4 homicídios por 100 mil. Considerando apenas o período de dez anos, de 2000 a 2010, o crescimento foi de 45,6%. Os resultados são do Mapa da Violência 2012, divulgado ontem. Em dez anos, 15.620 pessoas – o equivalente à população de Abadiânia – foram assassinadas no Estado.
No período de 2000 a 2010, Goiás passou de 20,2 homicídios por 100 mil para 29,4. No ranking nacional, saiu da 13ª para a 15ª posição entre os Estados. Goiânia, no mesmo período, saiu do 18º para o 15º lugar, de 28,6 para 39,8 homicídios por 100 mil no período. Os números absolutos também mostram um incremento bem maior no Estado do que no País. Em 2000, 45.360 pessoas foram assassinadas no Brasil, número que aumentou para 49.932 em 2010. Em Goiás, foram 1.011 assassinatos em 2000, número que aumentou ao longo dos anos, chegando a 1.766 em 2010.
A pesquisa, baseada em informações do Ministério da Justiça e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, traz também um capítulo dedicado à consolidação dos dados da violência homicida por unidades da federação. No tópico relativo a Goiás, o responsável pelo estudo, o pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, do Instituto Sangari, destaca a consolidação do Entorno de Brasília como uma área com índices assustadores de homicídios e de outra região, o Sudoeste do Estado, especialmente o município de Rio Verde.
Os maiores incrementos da década em municípios com população entre 100 mil e 200 mil habitantes em Goiás foram nas cidades de Luziânia, Águas Lindas, Valparaíso e Rio Verde. Nas cidades de 20 mil a 50 mil habitantes, destacaram-se as cidades de Padre Bernardo e Cristalina, também na região do Entorno do Distrito Federal. No País, mais de 1 milhão de pessoas foram assassinadas em 30 anos (os dados por Estados estão disponíves na publicação apenas de 2000 a 2010).
Centro
Para o advogado e especialista em segurança Ivan Hermano Filho, a posição estratégica de Goiás, no Centro do País, é determinante para a consolidação desse quadro na última década. Ele observa que há dez anos teve início a migração sistemática de grandes grupos criminosos para Goiás, que viram no Estado condições logísticas para estocar e distribuir armas e drogas. “É fácil estocar grandes quantidades desses produtos em fazendas aparentemente produtivas”, diz ele. “Esses criminosos vieram para controlar o atacado da distribuição de armas e drogas, que passa por Goiás”, acrescenta.
Enquanto no Rio de Janeiro e São Paulo crimes como sequestros e sequestros-relâmpago dão dinheiro para o crime organizado, em Goiás as modalidades são roubos de defensivos agrícolas, tratores e carros. São produtos caros, visados por grupos altamente organizados. “Não são os bandidos comuns que tínhamos aqui dez anos atrás”, diz Ivan.
Pela característica dos criminosos e da destinação do produto dos roubos – os carros, por exemplo, em vez de desmanche são visados para a clonagem -, aumentaram assassinatos em saidinhas de banco e roubos de carros (latrocínios). “Os ladrões preferem levar os carros funcionando, até para evitar ser rastreado, por isso o índice de latrocínio é muito grande”, analisa.
Outro fator que contribui para essa realidade é o avanço epidêmico das drogas, principalmente o crack, que hoje é frequente em lavouras de cana-de-açúcar (a maioria das lavouras e das usinas fica na Região Sudoeste do Estado). “Isso tem reflexos no crime”, alerta Ivan. No caso dos trabalhadores, quando a droga debilita o corpo a ponto de eles não conseguirem mais cortar cana, é comum o envolvimento com crimes.
São fatores interligados e a perspectiva, avalia Ivan, é bastante complicada. “Estamos colhendo agora algo que demorou dez anos para ocorrer. Quando as características do crime começaram a mudar, nada foi feito para conter esse avanço dos grupos organizados, naquela época”, avalia.
Fonte: Jornal O Popular

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