Entorno do DF: Investigações contra Lupi chegam ao PDT de Goiás.

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Correio Braziliense diz que assessor do ministro Carlos Lupi era ligado a Adair Meira e à deputada federal Flávia Moraes, presidente regional do PDT
Agência Estado
Ministro Carlos Lupi: sob denúncias de irregularidades na pasta do Trabalho
 

Afonso Lopes
Não é a primeira vez que um ministro é atingido por vendaval de acusações e, com o aumento da curiosidade geral, a imprensa acaba desenrolando fios que levam aos interesses estaduais. É este o caso do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT nacional. O jornal “Correio Braziliense” publicou, em sua edição do dia 13, que o empresário Adair Meira, da ONG Pró-Cerrado, mantinha-se como elo entre o braço direito e principal assessor do ministro, Marcelo Oliveira Panella, e a presidente regional do PDT, a deputada federal Flávia Moraes. Marcelo, ex-tesoureiro do PDT nacional, foi o interventor nomeado por Lupi no diretório do PDT em Goiás, que acabou entregue à deputada Flávia Morais, que na época ainda era secretária de Cidadania e Trabalho, no governo de Alcides Rodrigues.

O jornal diz também que a Pró-Cerrado recebeu quase R$ 30 milhões da secretaria comandada por Flávia. Em troca, Adair Meira teria atendido inúmeros ofícios da secretária para inclusão de jovens no programa de atendimento da Pró-Cerrado. O “Correio Braziliense” destaca na edição que ambos negaram esse favorecimento.

O problema é que a situação não parece assim tão simples de se entender. Para o Ministério Público Federal, existem, sim, suspeitas de que a deputada Flávia teria se beneficiado do sistema existente dentro da Secretaria de Cidadania, tornando-se uma campeã de votos nas eleições do ano passado. O Ministério Público tentou, inclusive, impedir a diplomação de Flávia, mas a Justiça não acatou o pedido.

Em outra episódio, igualmente narrado pela imprensa, confirmou-se que o ministro Carlos Lupi é bem mais íntimo de Adair Meira do que diz ser. O dirigente da Pró-Cerrado garante que Lupi e a cúpula do PDT goiano foram recebidos num jantar em sua casa. Ele teria atendido pedido feito pela deputada Flávia Morais. “A deputada não tinha casa em Goiânia e me pediu para fazer o jantar. Fiz”, teria dito. E completou: “fui o garçom”. Adair diz que há até como provar que o jantar aconteceu. Segundo ele, existem fotos nos álbuns pessoais de Flávia Moraes e do vereador Paulinho Graus, de Goiânia. Nem precisa de tanto. No depoimento no Senado, na quinta-feira,17, o próprio ministro admitiu ter participado do jantar, mas alegou que não se lembrava onde ter sido realizado.

 

Acusação

Fora a questão do possível favorecimento da Pró-Cerrado à campanha eleitoral da deputada Flávia Morais, não existe nenhuma suspeita de envolvimento da dirigente do PDT goiano no esquema de Carlos Lupi e de Marcelo Oliveira Panella, que saiu do Ministério do Trabalho sob acusação de cobrar propina. Ainda assim, é evidente que as relações social-políticas entre todos pode gerar desdobramentos futuros, especialmente no campo eleitoral. Flávia teria dito recentemente que poderá disputar a Prefeitura de Trindade nas eleições do ano que vem. É certo que os adversários dela já estão colecionando e classificando tais fatos para usarem durante os debates da campanha.

E não há como antecipar até que o ponto esse tipo de confusão pode mexer com os ânimos do eleitor. É sempre uma questão de momento e oportunidade. Algumas denúncias pegam como papel-de-mosca. Outras, às vezes mais evidentes e muito mais graves, passam batido e não influenciam o desenrolar da campanha.

A disputa em Trindade no ano que vem promete ser quente. O empresário e deputado estadual Jânio Darrot, do PSDB, segundo mais bem votado no ano passado, já disse que pretende entrar na disputa. Ele irá representar as forças ligadas à base aliada estadual. O prefeito Ricardo Fortunato, do PMDB, teve um início de mandato promissor, caiu bastante, mas parece que vem se recuperando. Ele pode receber o apoio de Flávia contra o adversário comum, Jânio. Nesse caso, a eleição seria plebiscitária. Se a pedetista também entrar na disputa, a situação torna-se imprevisível, mas é quase certo que entre os três, apenas dois devem ser protagonistas principais.

Essa possibilidade é que aumenta bastante a incerteza em relação ao problema do ministro Carlos Lupi, do ex-chefe de gabinete e interventor do PDT em Goiás, Marcelo Panella, e Adair Meira, dono da Pró-Cerrado. Flávia Morais poderá se posicionar, então, à beira de um abismo eleitoral. Até porque além das relações da ONG com o Ministério do Trabalho, certamente os contratos da Pró-Cerrado com a secretaria que era comandada pela deputada do PDT poderão ser usados para, no mínimo, aumentar a confusão.

De qualquer forma, independentemente da campanha pela prefeitura de Trindade, deve-se esperar um pouco para ver até onde a imagem da deputada federal Flávia Morais poderá ou não ser arranhada politicamente em todo esse episódio iniciado com as denúncias contra o ministro Lupi. Isso é coisa para o futuro. Até aqui, a ex-primeira-dama de Trindade só tem colecionado vitórias, e se manteve em ascensão. Continuará assim?

Jornal Opção

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