Entorno: Mesmo com a Força Nacional Entorno, criminalidade continua crescendo

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Levantamento feito pelas polícias de Goiás nos municípios que circundam o DF revela o aumento nos índices de criminalidade mesmo com a presença do grupamento especial


Ariadne Sakkis para o Correio Web

 Luziânia, distante 66km de Brasília, lidera a estatística de casos de homicídios, tentativas de assassinatos e estupros no Entorno  (Kleber Lima/CB/D.A Press - 3/8/11)
Luziânia, distante 66km de Brasília, lidera a estatística de casos de homicídios, tentativas de assassinatos e estupros no Entorno


O mais recente balanço de criminalidade dos 21 municípios goianos integrantes do Entorno do Distrito Federal mostra o crescimento da violência na região (veja arte). À exceção de roubo a transeuntes, que apresentou queda de pouco mais de 2%, os números indicam um cenário cada vez mais preocupante, mesmo com a presença da Força Nacional de Segurança Pública. A cidade de Luziânia, distante 66km de Brasília, concentra, por exemplo, mais casos de homicídios, tentativas de assassinato e estupros de todo o cinturão. Para especialistas e autoridades, falta de estrutura, educação, saúde e empregos turbinam as situações de violência.

Entre janeiro e novembro deste ano, 591 homicídios aconteceram ao redor do DF, mais de 22% do que em 2010. Apesar de Planaltina de Goiás ter tido o maior aumento proporcional entre todas as cidades — houve incremento de 68% de um ano para outro, passando de 25 assassinatos em 2010 para 42 em 2011 —, foi em Luziânia onde se derramou mais sangue: 139 pessoas tiveram mortes ligadas à violência.

O levantamento feito pelas polícias de Goiás revela que o crime mais comum e que mais expandiu foi o furto em residência. Mais de 1.793 pessoas registraram ocorrências dessa natureza, contra 720 no ano anterior. Nesse contexto, Valparaíso teve o pior resultado e viu crimes como esse crescerem impressionantes 377% de um ano para outro. Assim como a população, o comércio passou por momentos difíceis no Entorno, já que o total de ocorrências subiu de 671 para 821, entre janeiro e novembro.

O mecânico José de Morais, 43 anos, sabe bem como é conviver com a insegurança em Santo Antônio do Descoberto. Segundo Morais, por duas vezes houve tentativas de arrombamento na casa dele, mas nada foi levado. Morador da cidade desde que nasceu, o mecânico disse que a presença da Força Nacional no Entorno não ajudou a reduzir os crimes. “O governo tinha que tomar uma providência, colocar a polícia na rua, fazer concurso e cuidar do povo. Tenho medo de sair de casa e me sinto inseguro no meu lar. Isso é uma vergonha”, reclamou.

Fatores
Não é só Morais que pensa assim. O coordenador acadêmico do Núcleo de Segurança Pública da Fundação Universa, professor George Felipe Dantas, acredita que a violência endêmica dessa região se deu pela ocupação desordenada e anterior à chegada do Estado. Além disso, ele cita o enfraquecimento da família, a ausência de educação, empregos e estrutura urbana, aliados às carências policiais, como fatores de nutrição da violência. “A grande questão da contemporaneidade é que esse problema está à beira de se tornar o maior problema nacional e ele não é tratado como tal”, afirma.

O comandante da Polícia Militar de Goiás e chefe do Gabinete de Gestão de Segurança no Entorno, coronel Edson Costa Araújo, afirma que a atuação policial na região deve sofrer alterações no início do ano que vem. As polícias civis do DF e de Goiás devem assinar, com o Ministério da Justiça, um convênio para permitir a atuação de ambas as polícias no cinturão do DF. Para ele, apenas a formalização do Plano de Aceleração do Crescimento do Entorno (PAC), esperado para o início de 2012, pode reverter o cenário. “Não tem como cuidar da segurança se não houver escolas, saúde, empregos. O PAC do Entorno vai resgatar isso. Pelo menos, essa é a esperança das polícias e também da população”, assegura. Procurado pela reportagem, o Ministério da Justiça, ao qual a Força Nacional é subordinada, não retornou as ligações.

Colaborou Antonio Temóteo 



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