“Entreguei ela saudável. Me devolveram o corpo”, diz mãe de criança afogada em Ceilândia.

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Maria Francisca, com fotos de Geovana nas mãos, soube do afogamento da filha por vizinhos: 'Eu entreguei a minha filha saudável para a escola; me devolveram só o corpo' (Bruno Peres/CB/D.A Press)
Maria Francisca, com fotos de Geovana nas mãos, soube do afogamento da filha por vizinhos: “Eu entreguei a minha filha saudável para a escola; me devolveram só o corpo”


Com a fotografia da filha nas mãos e sem forças para levantar, Maria Francisca da Silva Moraes, 25 anos, tentava suportar uma dor inexplicável.
Entre o choro e a revolta, a auxiliar de serviços gerais cobrava uma resposta para a morte prematura de Geovana Moraes Oliveira, 6 anos. Não admitia que a estudante do 1º ano do ensino fundamental pudesse se afogar dentro de um ônibus escolar da Secretaria de Educação, em uma das vias mais movimentadas da Ceilândia. “Eu entreguei a minha filha saudável para a escola; me devolveram só o corpo”, desabafou.



A tragédia que tirou a vida da criança ocorreu no início da noite de terça-feira. Chovia muito quando o motorista da empresa Rodoeste Transportes e Turismo Franscisco Alves, 37 anos, tentou transpor um viaduto da QNN 5/7, na parte norte da cidade. O local estava alagado, mas Francisco avaliou que era possível atravessar. Na metade do percurso, o motor parou. Coincidiu com a hora em que a chuva ficou mais forte. A falta de escoamento na rua fez com que a água invadisse rapidamente o ônibus, levando pânico aos 20 estudantes. Só Geovana não conseguiu ser resgatada com vida.

[FOTO2]Maria Francisca viu a filha do meio — ela tem uma menina de 9 e um menino de 3 anos —, pela última vez, na madrugada de terça. Como parte da rotina da família, levantou às 5h, acordou Geovana com um beijo e pediu que ela se deitasse ao lado do irmão mais novo, pois ele não gosta de dormir sozinho. Despediu-se de todos e saiu para trabalhar. Chegou em casa por volta das 19h e soube por vizinhos que Geovana tinha sido levada para o Hospital Regional da Ceilândia (HRC). Ao chegar à unidade de saúde, percebeu que a equipe médica a olhava “de maneira estranha”. “Logo depois, vi a minha filha morta. Ainda tinha esperanças de ela acordar, mas eu havia perdido a minha princesa para sempre”, contou, aos prantos.

O velório e o enterro de Geovana ocorrem hoje, às 8h, no Cemitério de Taguatinga — a empresa de transporte prometeu custear as despesas e gastos com acompanhamento psicológico dos familiares. A Escola Classe 8, onde Geovana estudava, fará três dias de luto. A professora Sheyla Batista afirma que a menina era introvertida e, aos poucos, começava a se enturmar. “Ela era uma criança tímida e tranquila. Gostava muito de desenhar. Agora é que ela estava se soltando mais..

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