Entrevista com Deputado Israel Batista

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O deputado distrital Professor Israel Batista (PDT) recebeu o Alô para falar da maior causa que defende: a educação. O parlamentar discute com clareza as mudanças no sistema educacional do DF, aponta soluções e projetos que trarão mais democracia ao ensino e mais dignidade aos estudantes. Deputado eleito pelo PDT, o distrital tem se mostrado cada vez mais forte junto ao Governo do Distrito Federal e junto à legenda que tem, entre outros nomes, grifes políticas como o senador Cristovam Buarque e o deputado federal Reguffe.  Recentemente, protagonizou o capítulo “racha” entre o PDT e o governo e saiu vitorioso quando defendeu, junto à legenda, a permanência do partido na base governista de Agnelo Queiroz.
O senhor propôs um projeto de lei que cria o programa Poupança Escola. Do que se trata?
É um resgate de um projeto que deu muito certo quando o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) era governador. O Poupança Escola mostra ao estudante e à sua família que estudar é um papel social importante e canaliza os recursos do Estado para uma ação produtiva. Hoje sabemos que a principal forma de redenção social é através de escola. Então, quando você cria um projeto que remunera o estudante, que cria para ele uma poupança, para que quando ele saia do Ensino Médio tenha um recurso, é muito importante. Ele pode, por exemplo, pagar um cursinho para concurso, um curso pré-vestibular ou ainda iniciar um pequeno negócio. Esse é um recurso que valoriza o ato de estudar e, mais do que isso, gera uma possibilidade de continuidade após o ensino médio.

Por que o foco no estudante do Ensino Médio?
O que acontece hoje é que a faixa etária mais perigosa para o jovem é a que se inicia logo no fim do Ensino Médio. Se ele não ingressar na faculdade ou no mercado de trabalho, passa a constituir uma parte vulnerável da sociedade. Vulnerável ao apelo das drogas, da violência, enfim, ele precisa de alguma atividade. Então, o Poupança Escola, associado a outras políticas, dentre elas a política de qualificação profissional e de financiamento universitário, faz parte de um conjunto de políticas consistentes para dar suporte a esse jovem egresso do Ensino Médio.

 
A dificuldade de acesso ao Ensino Superior melhorou nos últimos anos, com a proliferação das faculdades particulares. Mas ela ainda existe. Por quê?
Existe. Porque muitas vezes o estudante não consegue uma boa colocação na prova do Enem, que garantiria a ele um financiamento federal, por exemplo. O Ensino Médio precisa de reformas urgentes. Essas reformas tendem a melhorar a capacidade desse estudante de enfrentar uma prova como a do Enem. Hoje, muitos estudantes saem da escola sem condições de fazer a prova, então o acesso ainda é problemático, a faculdade ainda é cara e com a proliferação das instituições, o preço caiu, no entanto o diploma não é valorizado na hora da busca de um emprego. Esse estudante muitas vezes acredita no sonho no nível superior, faz isso preocupado com seu orçamento familiar, que geralmente não é muito grande, e às vezes cai numa armadilha. Ele paga pouco, mas o diploma não vale. O diploma vale em termos legais, mas efetivamente, na busca por um espaço no mercado de trabalho, é ineficiente, ruim.

O senhor apresentou um projeto de lei que cria uma padronização das escolas do DF, que ainda tramita na Câmara. Acha que ele sairá do papel ainda no governo Agnelo?
É possível, se houver engajamento. Se não for possível concretizar isso, pelo menos a gente cria o direito e dá um prazo para o governo executar. É um projeto realmente difícil, não tenho dúvida. É um desafio, mas que se for enfrentando, modifica estruturalmente as condições sociais de Brasília. A escola pública tem que ser igual para todos e não pode ser nivelada por baixo. Eu estou falando de padronização dos equipamentos, da estrutura física. É claro que ao mesmo tempo em que apresento este projeto, apresento outras iniciativas complementares para aumentar a qualidade do ensino público. É preciso que haja professores na escola, não pode haver liberação de alunos mais cedo por falta de professor, é preciso uma orientação pedagógica sólida, mas não dá pra fazer a escola só com recursos humanos, ela precisa de uma estrutura física adequada para funcionar.

Como será isso?
A lei de padronização vai exigir que uma instituição, para ser chamada de escola, tenha equipamentos mínimos, senão não será considerada escola.

Que equipamentos são esses?
Quadra coberta, laboratório de informática com internet rápida, auditório onde os estudantes possam realizar suas apresentações artísticas, musicais e onde o diretor possa se comunicar com os estudantes de uma vez só e ainda a biblioteca, que para mim é o mais importante. Tenho recebido de muitos estudantes, de vários grêmios estudantis, de várias cidades, reclamações generalizadas que as bibliotecas não atendem as demandas dos alunos por livros, poucos títulos de literatura e poucos exemplares de cada título. E pior do que isso, essas bibliotecas estão repletas de livros didáticos, elas precisam ampliar o acervo. Hoje temos uma grande diferença entre as escolas do Plano Piloto, como o Elefante Branco, e as escolas da periferia, muitas sem equipamento nenhum. A padronização fará com que o Estado não protagonize a diferença de ensino entre crianças de periferia e as do centro urbano.

O senhor continua dando aulas. Como é isso? Afinal de contas, agora o senhor é deputado.

Primeiro, é muito difícil por causa da falta de tempo. E os estudantes ignoram completamente o fato de eu ser deputado, eles não têm compreensão do que isto significa. E eu acho bom que não tenham porque eu posso dar bronca neles sem perder votos (risos). Eu prefiro não misturar os papéis de deputado e professor. Atualmente eu dou aula num projeto social de Águas Lindas, onde 450 jovens se preparam para o Enem, e um cursinho pré-vestibular. Tenho muita dificuldade de tempo por causa dos trabalhos da Câmara.

É um plano que pretende levar adiante? Afinal de contas, a sua carreira política está só começando.
Eu pretendo continuar, acho que não vai se tornar impossível, muitos políticos já fizeram isso. Eu me lembro de quando estudava na UnB, meu professor de Direito Romano era o ministro da Justiça, Dr. Miguel Reale Junior. O presidente da Organização dos Estados Americanos (OEA) era meu professor, Dr. Cançado Trindade. O professor Cristovam Buarque, mesmo governador, manteve uma turma às terças-feiras pela manhã, e ainda hoje, como Senador. Acho que só pararia se, no futuro, ocupasse uma pasta em que viajasse muito. Eu dou aula principalmente porque da sala de aula eu tiro a matéria-prima para a minha atividade legislativa, as leis que eu penso. Pretendo continuar.

Lorena Pacheco, do Jornal Alô.

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