Entrevista: Sandro Avelar, Secretário de Segurança Pública.

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Da Agência Brasília

“Vamos estabelecer uma relação de confiança com a comunidade”

Sandro Avelar secretário de Segurança Pública do DF

Em entrevista, secretário de Segurança Pública apresenta metas para gestão, avalia situação atual e afirma que o combate ao tráfico está entre as prioridades de uma gestão que terá a transparência e a parceria com a comunidade como suas marcas


Empossado no último dia 8, o novo secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, 41 anos, enfrentou na última semana o primeiro grande desafio de sua gestão: um assalto com quatro reféns na quadra residencial 711, na Asa Sul, área nobre da capital federal. Delegado da Polícia Federal há 13 anos, Avelar nasceu em Goiânia e foi criado em Brasília.


Antes de assumir o cargo no GDF, foi diretor do Sistema Penitenciário Federal (SPF) no Ministério da Justiça, delegado regional de combate ao crime organizado na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, presidente da Associação dos Delegados de Polícia Federal, membro da Comissão de Reforma do Código de Processo Penal no Senado Federal, professor de Direitos Humanos na Academia Nacional de Polícia Federal e presidente da Fundação da Polícia Federal.


Em entrevista à AGÊNCIA BRASÍLIA, Sandro Avelar definiu como metas o combate ao tráfico de drogas e a intensificação dos trabalhos de inteligência dos órgãos da secretaria, além de ações integradas com outros entes do governo. Afirmou ainda que pretende aproximar a polícia da comunidade, com foco especial nas escolas, e anunciou as primeiras conquistas, como o estabelecimento de convênios com o governo federal e a redução da criminalidade em locais considerados crônicos, como a Universidade de Brasília.


Qual o panorama atual da segurança pública no Distrito Federal?
A segurança pública no DF é bastante qualificada. Temos corporações reconhecidamente competentes.  A Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e o Detran (Departamento de Trânsito) têm servidores muito preparados, embora o número deixe a desejar. Temos que aumentar esse efetivo, especialmente considerando que em breve teremos aí a Copa do Mundo. Brasília será uma das sedes e como é a capital, precisa ser um exemplo para as demais. Temos a intenção de aumentar os efetivos das nossas corporações. No caso da Polícia Militar, já agora, em outubro, vamos formar 640 PMs. Mais 700 homens devem se formar até o começo do ano que vem. Já é um incremento importante para os quadros da Polícia Militar, mas ainda não é o ideal. Nosso objetivo é, até o final do governo, consolidar um quadro funcional que tenha entre 18 mil e 19 mil homens.


Hoje, quais seriam os maiores problemas da segurança pública no DF?
São aqueles que têm afetado o país como um todo. O uso de crack, por exemplo, nos preocupa muito, porque quem usa fica sujeito a cometer vários crimes. Vemos homicídios, furtos, roubos, latrocínios, tudo vinculado ao uso e ao tráfico. Então, o combate ao crack é uma das nossas prioridades. Temos outras, como reforçar o policiamento nas escolas, para evitar que aconteça em Brasília algo parecido com o que aconteceu no Rio de Janeiro. Tudo isso pretendemos fazer com a doutrina de policiamento comunitário, para aproximar a Polícia Militar da comunidade escolar, onde será possível identificar quem são os alunos, os pais e os amigos. Vamos estabelecer uma relação de confiança com a comunidade. Vamos identificar as escolas onde o índice de criminalidade é mais preocupante e começar o trabalho a partir delas. É uma forma de se fazer policiamento comunitário ligado a uma área tão importante, que é a educacional, e voltado para os mais jovens, que também são nossa prioridade.


Seria uma alternativa ao patrulhamento feito pelas duplas Cosme e Damião. Quais seriam as outras opções ao Cosme e Damião?
O policiamento ostensivo também é importante, seja através de rondas com viaturas e motos ou mesmo a pé, como o Cosme e Damião. Os postos de policiamento comunitário também serão utilizados como base, um local em que nós possamos ter um efetivo ampliado e a presença de viaturas da PM, para que, dali, elas saiam para fazer rondas ou para atender ocorrências.


O senhor já listou alguns problemas e anunciou que seu enfrentamento é prioridade. Existem outras prioridades?
O policiamento inteligente também é uma prioridade e vai depender da aquisição de tecnologia. Câmeras de monitoramento, aparelhos de GPS. Ou seja, é uma prioridade de médio prazo, em razão de depender de algumas aquisições, que serão feitas atendendo também à expectativa da Copa.


Já existe algum planejamento sobre o uso de câmeras de monitoramento?
Esse assunto precisa ser dividido em dois pontos. Um é o que vai ser feito para a Copa do Mundo, que usará recursos federais. Nesse caso, a União vai adquirir 700 câmeras de segurança distribuídas entre os pontos atinentes ao evento. Ou seja, aeroporto, Setor Hoteleiro, rodoviária, estádio de futebol, para cobrir 100% desses pontos que, de alguma forma, terão interface com a Copa, inclusive os trajetos. O outro ponto diz respeito ao nosso programa de governo de equipar as nossas unidades administrativas com câmeras, seguindo um modelo que já está sendo usado no Itapoã.


Quanto aos equipamentos da polícia, no recente assalto com reféns na 711 Sul, vimos o uso do Comando Geral Móvel. O senhor pode explicar como funciona esse ônibus e de que forma foi usado nessa ocasião?
O Comando Móvel serve como base para aquelas pessoas que estão ali, gerenciando a crise, com banco de dados para identificar o perfil do marginal que está envolvido naquele fato. É possível identificar também quem são as vítimas. Enfim, ajuda no trabalho de levantamento das informações que são necessárias para o desenrolar daquela situação. Com relação à 711, acho que fica, inclusive, uma mostra da capacidade das nossas forças policiais. A Polícia Militar demonstrou extrema competência ao gerenciar a crise e o desfecho foi o melhor possível, sem feridos.


Em seu discurso de posse, o senhor ressaltou a importância de que as investigações sejam conduzidas de forma tecnicamente perfeitas, para que não sejam desperdiçadas por não cumprir as formalidades jurídicas.
É preciso que cada Força faça bem a sua parte. Que a Polícia Militar realize o trabalho de policiamento repressivo. E que a Polícia Civil cumpra muito bem sua função de polícia judiciária, de investigação, e que ao fazer essa investigação cumpra todas as formalidades previstas na lei, para que, submetidas ao Poder Judiciário, não haja nenhuma nulidade que ponha a perder todo esse trabalho. Nesse aspecto, tenho certeza de que nós temos polícias muito qualificadas, reconhecidas até por polícias de outros estados.


E quanto à segurança na Região do Entorno? Sabemos que essas cidades não fazem parte do Distrito Federal e que a responsabilidade de garantir sua segurança é do governo de Goiás. Em que medida o GDF pode ajudar a melhorar a vida de quem mora nessa região?
O GDF está pronto para colaborar. É claro que se trata de uma região administrativa de outro estado, então compete a Goiás prioritariamente cuidar. Não existe hoje nenhum instrumento que nos possibilite atuar no Entorno. Esse plano, caso venha a ser elaborado, teria de ser um convênio, como já foi firmado em outras oportunidades, nos dando a atribuição de atuar na região com os outros estados, oferecendo também suas contrapartidas.
 
A Universidade de Brasília não competiria à polícia do Distrito Federal, mas envolve também o trabalho da Secretaria de Segurança Pública. O governador Agnelo Queiroz firmou em março uma parceria com a UnB, onde são recorrentes as reclamações de insegurança. O policiamento está previsto nessa parceria? Existe algum plano para a UnB?
Existe, sim. Tivemos, inclusive, uma reunião recente com a reitoria da UnB e nos prontificamos a ajudar, não só no campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte, como também nos campi do Gama e de Planaltina. Inclusive já temos colhido bons resultados. O índice de criminalidade na UnB caiu vertiginosamente: em torno de 70% no Darcy Ribeiro, inclusive os furtos.


A Secretaria de Segurança também firmou recentemente convênio com o Ministério da Justiça. Qual é o objetivo desse acordo?
É um acordo de cooperação para que nós possamos participar ativamente da arrecadação de armas, engrossando as fileiras pelo desarmamento. Estamos nos prontificando a receber armas de fogo em todas as nossas cidades. Vamos dispor unidades dos órgãos vinculados à Secretaria de Segurança Pública, como Corpo de Bombeiros, postos do Detran, polícias Militar e Civil, para que o cidadão de bem possa entregar as suas armas. Na primeira campanha só a Polícia Federal recebia esse armamento. Através desse convênio, a Secretaria de Segurança Pública do DF vai colaborar ativamente na campanha pelo desarmamento.


Sobre a política de combate às drogas, que o senhor apontou como uma prioridade, já é possível notar rondas e até mesmo carros da polícia parados próximos à Rodoviária do Plano Piloto e no estacionamento do Conic. Qual a estratégia de combate ao tráfico no centro da capital?
O combate mais efetivo é feito com investigações realizadas pela delegacia especializada da Polícia Civil, para identificar e prender os principais traficantes. Investigações bem conduzidas resultaram em prisões importantes. A Polícia Militar, ao fazer o policiamento preventivo nesses locais onde notoriamente se dá o consumo da droga, inibe que as pessoas fiquem ali consumindo e vendendo drogas – o que também é importante. Com essas duas Forças, cada uma dentro de suas atribuições e trabalhando de forma integrada, alcançaremos o resultado esperado.


Uma das marcas do atual governo do DF tem sido a intersetorialidade, integrando várias secretarias com um mesmo objetivo. A Secretaria de Segurança participa de alguma ação integrada contra as drogas?
Sim. Temos uma ação com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, porque o crack, por exemplo, não é um problema só de segurança, mas que também envolve saúde pública e a necessidade de dar abrigo às pessoas que precisam ser retiradas das ruas, onde consomem entorpecentes. É um trabalho que já vem sendo realizado.


Para terminar, como o senhor gostaria que sua gestão fosse lembrada pelas próximas gerações?
Pela transparência. Porque não fugimos à discussão. Buscamos mostrar para a sociedade o que realmente está acontecendo no Distrito Federal e também procuramos corresponder às expectativas da população. O papel da imprensa é fundamental para dar transparência a esse processo e trazer informações importantes que sirvam como um termômetro das nossas ações. Temos que ressaltar que o Distrito Federal trabalha com dados precisos, com muita transparência, sem maquiagem de informações.

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