Escolas do grupo de acesso levantam o público.

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No primeiro dia de desfiles das escolas de samba do grupo de acesso do carnaval do DF, agremiações fizeram o público sambar e se encantar com carros alegóricos e fantasias ousadas
ROBERTO BARROSO
A passagem da realeza de Momo na avenida e os fogos de artifício indicavam o início de mais uma noite de desfiles no Ceilambódromo, nesse domingo (19). Na concentração, a primeira escola de samba do grupo de acesso aguardava o momento de mostrar aos jurados e ao público que está preparada para ocupar um lugar no grupo especial em 2013.

Ao som do cavaquinho e com o enredo Alô, alô, me mande uma mensagem, por favor, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Vila Paranoá abriu o primeiro dia de disputa da segunda divisão do Carnaval de Brasília. Cores vibrantes e fantasias repletas de brilho foram marcas registradas da escola, que narrou a evolução da comunicação desde a pré-história até os dias de hoje.

Uma verdadeira viagem no tempo invadiu os espaços da avenida, começando com mensageiros reais e passando pela troca de mensagens na idade da pedra, na China e no Egito, até chegar à era digital, em que a troca de informações é instantânea e global. A agremiação saiu com dois carros alegóricos e 384 integrantes.

Ao final da apresentação, o vice-presidente da Vila, ainda sem fôlego, classificou a passagem da escola como um exemplo de garra. “Foi o desfile da superação. Tivemos desencontro de fantasias, alguns dos nossos ônibus se perderam. Mas entramos, cumprimos nossos objetivos e creio que agradamos a todos”, disse Davi Santos.

Reverência às mulheres – A segunda escola do domingo foi o Grêmio Recreativo e Cultural Projeto Colibri, de São Sebastião. A comissão de frente era formada por homens, que, usando calças cintilantes e adereços que lembravam o pássaro que dá nome à escola, faziam uma coreografia em reverência à mulher brasileira, homenageada no enredo deste ano.

Mulheres comuns, famosas, que fizeram ou seguem fazendo história, foram cantadas no samba que animou a plateia. Maria Bonita, Anita Garibaldi, Cora Coralina e Dilma Rousseff foram algumas das personalidades celebradas. Até personagem de novela ganhou uma ala, com integrantes vestidas de Pereirão – personagem que faz consertos em geral, vivido pela atriz Lilia Cabral. Em outra ala, mulheres catadoras de lixo distribuíam sorrisos.

A previsão era de que 800 pessoas desfilassem na escola, que teve problemas com a quebra de ônibus e entrou com 467 integrantes. O presidente do Projeto Colibri, Milton Lemos, destacou o empenho da escola na preparação do desfile. “Mesmo com os problemas, que acontecem, desfilamos com um número alto de integrantes e entramos com quatro carros alegóricos, tudo dentro do tempo. Se nós fazemos isso com duas semanas, imagina o que vamos fazer com dois meses?”, indagou o dirigente, referindo-se à antecipação da liberação de verbas para o Carnaval, que será possível a partir de 2013 com a Lei do Carnaval (nº 4738), sancionada em dezembro do ano passado pelo governador Agnelo Queiroz.

Educação, ontem e hoje – Novos fogos de artifício (que estouravam a cada agremiação que entrava) anunciaram a chegada do Grêmio Recreativo Escola de Samba Império do Cerrado (Império do Guará). O enredo Educação, escola de A a Z contou no Ceilambódromo a trajetória dos estudos desde o jardim da infância à faculdade, exaltando a internet e lembrando histórias infantis como o Menino Maluquinho e o Sítio do Pica-pau Amarelo.

Em uma das alas, pequenas Emílias e Viscondes de Sabugosa lembraram a história criada por Monteiro Lobato, homenageado no último dos três carros alegóricos da Império. A presença de um casal de mestre-sala e porta-bandeira-mirim chamou a atenção, assim como a diversão dos 380 integrantes da escola, que continuou na dispersão.

“Nossa escola desfilou animada do início ao fim. Não deixamos espaços vazios na avenida e o mais importante: transmitimos ao público a importância da educação. Viemos para ganhar”, avisou o vice-presidente da escola, José Maria de Castro.

O amor e o coração – Encerrando o primeiro dia de desfiles do grupo de acesso, a Associação Carnavalesca Recreativa e Cultural Acadêmicos de Santa Maria falou de amor ao cantar o enredo Coração, a vida que se faz viva. Os 500 componentes da agremiação transmitiram ao público a história do coração, fonte de vida que provoca emoções e sentimentos quando ouvimos uma música ou nos apaixonamos, por exemplo.

O carro abre-alas se destacou pelos recursos de movimento. Um grande coração abria e fechava enquanto uma coruja – símbolo da sabedoria – aparecia por entre a abertura. Outro carro alegórico encantou a todos com um cupido gigante e sua flecha empunhada.

Se despedindo do carnaval brasiliense, o presidente da Acadêmicos de Santa Maria, Cícero Justino dos Santos, falou do potencial da festa em Brasília. “O Carnaval daqui é muito forte. E vai melhorar com a parceria com o GDF no ano que vem. O que posso dizer do nosso desfile é que demos o nosso melhor. Foi com muito sacrifício, mas chegamos”, contou o presidente.

Festa bonita – A plateia, que no início da noite era de 6 mil pessoas, aos poucos encheu as arquibancadas do Ceilambódromo. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 8 mil pessoas participaram da festa nesse domingo. Apesar do número elevado de pessoas, a PM não registrou nenhuma ocorrência. Apenas o Corpo de Bombeiros atendeu a oito ocorrências, sendo três por quedas de integrantes das escolas e cinco por excessos no consumo de álcool.

Prestigiando a festa no Ceilambódromo pela primeira vez, a dona de casa Cleisiane dos Santos, 24 anos, e o porteiro Maxiliano Caetano dos Santos, 23 anos, levaram o filho Maxwel dos Santos, de três anos, para ver os desfiles. “Viemos por curiosidade, para conhecer mesmo. Até agora gostamos bastante, as escolas estão muito bonitas”, disse Cleisiane.

Maxiliano afirmou que recomendaria a festa a outras famílias. “Quando as escolas entram, nós levantamos e damos uma sambadinha. O que mais está chamando nossa atenção são os carros alegóricos, não é filho?”, ressaltou o porteiro, voltando-se para Maxwel.

Os estudantes Nathália de Oliveira, 26 anos, e Gabriel Delfino, 17 anos, também tiveram suas primeiras experiências no Ceilambódromo nesse domingo. Nathália foi à festa especialmente para assistir ao desfile da Acadêmicos de Santa Maria. “Meu namorado toca cavaquinho na escola. Estou gostando da festa, pois tem segurança e os carros alegóricos estão muito bonitos”, destacou.

“Está tudo muito bonito. As letras das músicas, os carros, as fantasias”, complementou Gabriel. Ao ser perguntado se virá à festa no ano que vem o estudante não pensou duas vezes: “Sim!”, respondeu, sorrindo.

Samba e limpeza – Sem pompa, alegorias ou bateria, um grupo de desfilantes chamava a atenção no final de cada apresentação no Ceilambódromo. Eram os garis, responsáveis por preparar a avenida para a entrada das escolas. Animado, o grupo sambava e fazia coreografias no ritmo das vassouras e carrinhos de lixo.

“É tudo no improviso!”, revelou Michele Queiroz, de 19 anos. “Nós entramos e vamos fazendo os passos na hora”, explicou Heloneide Ferreira, de 41. As funcionárias moram em Ceilândia e todos os anos participam dos quatro dias de folia no Ceilambódromo. “É cansativo, mas é muito bom. O serviço fica mais divertido”, comentou Michele. E o público corresponde, interagindo com o grupo do início ao fim da avenida. “Ah, achamos muito legal! Eles dançam com a gente e sempre nos aplaudem”, finalizou Heloneide.

Grupo de acesso – Nenhuma das quatro escolas que desfilaram no domingo ultrapassou o tempo máximo, de 50 minutos, para atravessar a passarela do samba em Ceilândia. Nesta segunda-feira (20), outras cinco escolas se apresentarão pelo grupo de acesso. São elas: Associação Cultural Desportiva Mocidade de Valparaíso de Goiás, Grêmio Recreativo Carnavalesco União da Vila Planalto e Lago Sul, Associação Cultural Desportiva e Recreativa Dragões de Samambaia, Associação Cultural e Recreativa Escola de Samba Candangos do Bandeirante e Associação Recreativa Desportiva e Cultural Unidos do Recanto das Emas.

A apuração do resultado dos desfiles do grupo de acesso está prevista para quarta-feira de cinzas (22). As escolas serão avaliadas em nove itens, sendo eles “fantasia”; “mestre-sala e porta-bandeira”; “conjunto e evolução”; “harmonia”; “enredo”; “samba-enredo”; “bateria”; “comissão de frente” e “alegorias e adereços”. Para garantir a transparência do julgamento dos quesitos, os 30 jurados ficam em três cabines distribuídas ao longo da avenida e contam com TVs LCD com transmissão das apresentações em tempo real.
 

Alô/ Agência Brasília

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