Estádio Mané Garrincha está muito longe de representar lucro.

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O conhecido ditado popular “trocar gato por lebre” pode ser usado como referência ao Estádio Mané Garrincha. Entregue em maio deste ano, o espaço   ainda está longe de proporcionar lazer   acessível à população de todas as classes sociais. Pelo contrário. Para participar dos eventos, é preciso investir alto. Mas   o prejuízo ao cidadão vai além.  O que se vê são gastos públicos bem  maiores que a arrecadação. No jogo entre Flamengo e Santos – em maio –, por exemplo, os cofres do DF receberam R$ 4 mil. Em contrapartida, apenas com a convocação de 2.132 policiais em folga, foram gastos R$ 639,6 mil. É a chamada gratificação por serviço voluntário.

No clássico entre Vasco e Flamengo, em julho, a disparidade segue no mesmo ritmo. Dos R$ 529,2 mil arrecadados, aproximadamente  R$ 450 mil   foram gastos somente com   segurança. Ou seja, 85% do lucro foi para o pagamento de policiais. Já no jogo entre Flamengo e Portuguesa, foi ainda pior: a convocação de 800 policiais   custou  R$ 450 mil, enquanto  o lucro  foi de apenas R$ 90 mil. Ou seja, o gasto foi cinco vezes maior. Cada policial recebe R$ 300 pelo trabalho.
“Um buraco negro para absorver recursos dos cofres públicos”. Essa é a definição dada pelo especialista em administração pública José Matias-Pereira para o estádio. “Ao detectar uma situação como essa, na qual é preciso garantir segurança a esses eventos e o governo se vê obrigado a reforçar o efetivo, podemos verificar que essas contas não fecham. A construção não traz qualquer  benefício à cidade. Pelo contrário”, diz.
Equívoco
Ele destaca que os gastos vão além do valor pago pela convocação do policial em folga. “Os custos são muito maiores do que os pagos aos policiais militares. Se gasta com o carro, gasolina e equipamentos. Por isso, o que podemos concluir é que temos um buraco negro para absorver todos os recursos, que poderiam, inclusive, serem usados em outras áreas”, declara.
Para o especialista, a construção do estádio se deu de forma   equivocada. “Como  Brasília, com todos os problemas que concentra, constrói um estádio com valores tão altos?”.
Arena até hoje não tem alvará



Ontem, o caderno Torcida, do  JBr,  mostrou que calendário esvaziado do Estádio Mané Garrincha   não é o único dos problemas enfrentados pelo principal palco de eventos da capital.  Desde a inauguração, em 18 maio, a arena, que se tornou um dos cartões-postais da cidade, não tem alvará definitivo de funcionamento.  O local não recebeu o Habite-se, documento que autoriza a utilização de um imóvel construído seguindo exigências de segurança.

Enquanto isso,  o estádio tem sido utilizado por intermédio de licenças eventuais, concedidas após  vistorias do   Corpo de Bombeiros e  da Polícia Militar. A licença para o show da Beyoncé, na terça-feira, ainda não foi requerida.  
O governo Agnelo  alegou que “todos os eventos no estádio seguem rigorosamente as normas de segurança do Corpo de Bombeiros e fiscalização pela Agefis”.  
Diante desta realidade, o especialista em administração pública José Matias-Pereira dispara: “Em 2014, o que  eu espero é que a população, na qual eu me incluo, saiba votar”.


Informou clicabrasilia.com.br

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