Ex-administrador do Shopping Popular continua tentando intimidar feirantes

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A tentativa de obtenção de lucro com o comércio irregular de bancas no Shopping Popular ainda não terminou. Segundo os depoimentos tomados pela Divisão Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), o ex-presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes do Shopping Popular (Asshop) Caio Alves Donato teria ameaçado feirantes que ainda não pagaram os valores referentes aos boxes vendidos irregularmente em um esquema encabeçado por ele (veja Memória). Uma equipe da unidade cumpriu ontem pela manhã um mandado de busca e apreensão na casa do acusado.

Os episódios de coação envolvem o uso de armas de fogo. De acordo com o diretor-adjunto da Decap, Henri Teles, as vítimas relataram que Caio afirmava ter comprado uma metralhadora para resolver os problemas com os devedores. O recado também foi direcionado às pessoas que denunciaram as fraudes. “As testemunhas disseram que ele começou a rondar as dependências do Shopping Popular e falar alto pelos corredores”, afirma Henri. Mesmo sem ter encontrado a arma, os policiais decidiram levar Caio à delegacia. Ele passou cerca de três horas na delegacia especializada, até a Justiça negar o pedido de prisão. “Não só ele, como os outros envolvidos estão sendo monitorados constantemente.”

As dívidas cobradas pelo ex-presidente da Asshop somam valores altos. O diretor-adjunto da Decap estima que Caio tenta reaver pelo menos R$ 378 mil, montante referente à venda irregular de bancas da praça de alimentação. “Isso sem contar o que era cobrado pelos boxes dos outros pontos do Shopping Popular. É um esquema milionário”, avalia. A reportagem não conseguiu contato com Caio para que ele comentasse o caso.

As fraudes reveladas no fim do ano passado ainda assolam o espaço. A direção do Shopping Popular lacrou, por tempo indeterminado, 121 bancas em virtude de problemas na documentação. De acordo com o administrador do local, Jorge de Oliveira Braga, algumas delas eram ocupadas por pessoas que não foram contempladas pelos sorteios do Governo do DF. Além disso, segundo ele, uma mesma barraca apresenta cinco proprietários. Em outro ponto, um box funcionava como depósito de materiais que eram vendidos em outros estabelecimentos da cidade. “Temos quase certeza de que não existem donos oficiais para essas barracas”, afirmou.

O governo tenta, enquanto isso, colocar ordem no espaço. Os comerciantes tiveram até o último domingo para comprovar serem os proprietários da concessão de uso das lojas. Braga calcula que cerca de 70% dos vendedores entregaram os documentos. Os responsáveis pelo Shopping Popular esperam analisar todo o material até o fim da semana que vem. “A convocação foi feita para levantarmos a real situação. Mas tem gente que comprou as bancas com a intenção de trabalhar. O caso de cada um vai ser analisado”, ressalta Braga.

Pouco movimento
Apesar de mais da metade das 1.784 bancas abrirem as portas diariamente, as reclamações em relação ao fraco movimento impera entre os feirantes. O GDF tenta agora criar alternativas para o espaço. Ontem, o administrador de Brasília, Messias de Souza, o coordenador de Cidades, Francisco Machado, e representantes do Banco de Brasília (BRB) e do Departamento de Trânsito (Detran) visitaram o local. Equipes técnicas do GDF farão um levantamento da área. 

A ideia é que o Shopping Popular passe a abrigar órgãos públicos. De acordo com o Detran, está em estudo a transferência de parte dos serviços do órgão para o Shopping Popular. Segundo Braga, além de parte do Detran, o local deve receber o posto de atendimento da Junta Militar de Brasília. “É uma cobrança dos comerciantes porque a instalação dos órgãos vai trazer mais clientes”, justifica o administrador. 




Correio Braziliense

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