GDF garanta que desobstrução das margens do lago Paranoá se iniciará na próxima semana

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O governo de Brasília retomará
o processo de desobstrução dos cerca de 80 quilômetros da orla do Lago Paranoá,
que havia sido suspenso em abril de 2015 por decisão judicial. Em
21 de julho, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
(TJDFT) confirmou a validade do acordo entre o Executivo local e o Ministério
Público do DF e Territórios (MPDFT) para cumprir sentença de 2011. “Vamos
fazer o que a Justiça determinou e liberar os acessos às margens”, afirma
a presidente da Agência de Fiscalização do DF (Agefis), Bruna Pinheiro.


Na
operação, a autarquia vai retirar cercas, muros e objetos que impeçam as
pessoas de circular na faixa de 30 metros ao redor do reservatório. A ação,
programada desde o início deste ano, foi dividida em quatro partes — a primeira
começará na semana que vem e compreende derrubadas na QL 2 do Lago Norte e na
QL 12 do Lago Sul (Península dos Ministros). Proprietários de 47 lotes que
serão atingidos neste primeiro momento foram notificados em abril.

A
segunda etapa envolverá 110 terrenos nos Lagos Norte e Sul. Em seguida, cercas
e muros de 282 imóveis nas duas regiões administrativas serão retirados. A
quarta fase inicia-se com a primeira e consistirá em ações de fiscalização, por
meio de sobrevoos e fotos via satélite, a fim de impedir novas invasões.
“Se houver reincidência, o proprietário, além de ter a construção retirada
outra vez, deverá ser multado”, avisa Bruna.

Preservação ambiental

A ordem para deixar a orla livre veio de uma sentença judicial de
2011, provocada por uma ação civil pública ajuizada em 2005 pelo MPDFT. A
exigência alinha-se com a vontade do Executivo de tornar o ambiente acessível
para toda a população, não só para os moradores dos lotes das redondezas. A
distância está definida na Resolução nº 302, de 2002, do Conselho Nacional do
Meio Ambiente. De acordo com a norma federal, os 30 metros entre a margem do
lago artificial e as construções urbanas são de área de preservação permanente
e, portanto, devem ser protegidos e recuperados.


Coube
à Agefis apresentar um plano de desocupação durante audiência no TJDFT em 23 de
fevereiro. Em 12 de março, foi assinado o acordo entre o governo e o Ministério
Público para colocar em prática a primeira etapa em maio. O trabalho, no
entanto, foi adiado por resistência de moradores de uma das áreas afetadas, que
entraram na Justiça com um pedido de liminar para suspender a operação.

Não
serão removidas as propriedades regulares — aquelas em que o dono tem escritura
e comprovação de posse —, mesmo dentro da faixa de proteção. No caso das terras
da União e das embaixadas, o governo de Brasília oficiou ao Executivo para que
a desobstrução seja feita. Por serem de responsabilidade do governo federal, a
situação está sendo tratada entre a Procuradoria-Geral do DF e a
Advocacia-Geral da União, com o acompanhamento do MPDFT.
Bens públicos

À medida que a orla for desobstruída, o Instituto Brasília Ambiental
(Ibram) e a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) vão
reconstituir a paisagem, fazer ciclovias e instalar bancos para oferecer
conforto aos futuros visitantes. Se houver píer ou outros equipamentos
construídos pelos moradores na faixa dos 30 metros, eles serão aproveitados
pela administração e se tornarão bens públicos.


O
governo de Brasília, por meio do Ibram e da Secretaria de Gestão do Território
e Habitação, elabora planos de recuperação da área degradada e de uso e
ocupação do solo, além de ampliar os parques que beiram o reservatório, a
exemplo do Ecológico Península Sul e do Ecológico do Lago Norte. O órgão
ambiental do DF iniciou estudo para avaliar os danos provocados pelas
construções irregulares no solo, na vegetação e nas águas represadas.

Agência Brasília

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