Gim Argello, um senador de R$ 18 bilhões, tentará renovar o mandato

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Pavimentar uma candidatura ao Senado não é fácil. Tampouco é construída da noite para o dia. É preciso ter bagagem. E articulação. É nisso que Gim Argello aposta para buscar a reeleição em 2014. Em seis anos de Congresso, Gim fez amigos e aliados, aprendeu o caminho dos recursos federais e participou de importantes decisões, como a criação do projeto Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal.

Foi dele a ideia embrionária do programa, que foi levada a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, com o nome de Roda Brasil. O presidente Lula comprou a ideia, ampliou o programa e com a ajuda do marqueteiro João Santana batizou como Minha Casa, Minha Vida.
Ele relatou as medidas provisórias que tratam do tema e suas alterações. Entre elas aumento do teto; registro no nome da mulher e no caso de separação a casa ficará sempre com ela.
Gim lamenta que o grande público não tenha conhecimento de sua participação na elaboração do programa Minha Casa, Minha Vida, e de outros benefícios para a população conseguidos em seu mandato. Ao mesmo tempo admite que a culpa é dele mesmo.
O senador diz que optou em não massificar a divulgação de seu mandato. A intenção, segundo ele, é juntar um grande leque de realizações. Só depois levar ao conhecimento da sociedade e se apresentar como candidato à reeleição. Na quinta-feira (14), ele reuniu assessores, políticos e funcionários do Senado para avisar que será candidato.
Se queria impressionar, Gim Argello vem conseguindo. Ele destinou ao Distrito Federal R$ 17,8 bilhões em obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), de projetos e de emendas individuais.
O valor dá para construir 130 mil casas populares. Essa é a carta na manga do senador. Só para se ter uma ideia, é mais do que a soma de recursos conseguidos por todos os senadores que o Distrito Federal já teve até hoje.
Entre as obras, estão o Minha Casa, Minha Vida, na Estrutural; a Linha de Transmissão de Energia, em Samambaia; três praças culturais, vinte Unidades Básicas de Saúde, além de de UPAs, em Ceilândia; reforma, ampliação e concessão do aeroporto de Brasília e a adequação das BRs 450, 060 e 020, além da concessão da BR 040; liberação de recursos para o Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT, que vai ligar o aeroporto a W3.
O VLT merece um capítulo a parte, não só pelo valor, orçado em R$ 1,5 bilhão. Previsto para julho de 2014, o projeto saiu da lista de obras da Copa do Mundo e foi esquecido. Isso aconteceu em outubro do ano passado.
Gim Argello foi diretamente a presidenta Dilma Rousseff pedir que o VLT migrasse para o PAC e foi atendido. Assim, a obra foi garantida. “Não faz sentido abandonar uma obra tão importante, que inclusive já foi iniciada”, justificou o senador.
A incorporação ao PAC permitirá que as obras do VLT sejam realizadas sob o Regime Diferenciado de Contratações Públicas, o RDC, que dá mais celeridades ao processo de licitação.
Invasão de cadeirantes e a rodoviária do Senado
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação participativa do Senado aprovou recentemente uma emenda de Gim Argello, que destina R$ 550 milhões para promover ações em benefícios de deficientes físicos do Distrito Federal.
Em outra ação, Gim defendeu a aposentadoria especial, a garantia do laudo médico permanente para recebimento de benefícios, assentos preferenciais na primeira fileira de aviões e garantia de 20% das vagas oferecidas em concursos públicos, além de instalação de semáforo sonoras para auxiliar a travessia de deficientes visuais nas ruas do DF.
O fato curioso dessa luta pelos deficientes foi no dia em que Gim pediu uma audiência com o ministro da Previdência, Garibaldi Alves para tratar da aposentadoria especial. No dia marcado, o senador chegou no gabinete do Ministério acompanhado de 50 cadeirantes, para susto de Garibaldi.
“A resposta que tive foi a melhor possível. Nós aprovamos o projeto no Senado e com o ‘sim’ da Previdência, da Casa Civil e da própria presidenta, a aposentadoria especial para deficientes é uma realidade”, comemora o senador brasiliense.
Em outra oportunidade, um grupo de senadores batizou o gabinete de Gim Argello de “rodoviária”, devido ao grande fluxo de representantes de categorias que vão visita-los semanalmente. São garçons, conselheiros tutelares, taxistas, quiosqueiros, agentes penitenciários, defensores públicos, corretores de imóveis, despachantes, caminhoneiros, servidores públicos, entre outros. Na pauta, a defesa da melhoria das categorias.
No caso dos taxistas, por exemplo, Gim Argello garantiu a transferência da permissão em caso de falecimento e o IPI zero até o fim de 2014. Os corretores ganharam a inclusão no supersimples, os despachantes tiveram a regulamentação de seu Conselho Federal e os proprietários de transporte escolar ganharam linhas de crédito no BNDES.
 Amigos e influência
Como um bom corretor que compra um imóvel sabendo que terá um valor maior a curto ou médio prazo, Gim foi se valorizando politicamente a cada espaço ocupado e a cada liberação de recursos para obras e programas sociais no DF. Aliás, ele começou sua carreira empresarial como corretor de imóveis.
Gim fez amizade que começou com caminhadas matinais com a então ministra Dilma Rousseff, no Lago Sul. Os dois eram vizinhos. Uma vez na Presidência da República, Gim aproveitou a proximidade para aprovar seus projetos.
No Senado, seu maior aliado é o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os dois despacham diariamente. As vezes, mais de uma reunião por dia.
Também tem trânsito livre tanto com políticos da base aliada, quanto da oposição. Chega a dar conselhos em negócios imobiliários a eles.
Gim participa, ainda, das principais comissões permanentes da Casa e é líder do bloco União e Força, o terceiro maior do Senado, formado por PTB, PR e PSC.
No Palácio do Planalto, tem um bom relacionamento com as ministras Miriam Belchior, Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti. A entrevista foi interrompida várias vezes por ligações de celular do parlamentar. Uma delas foi da presidenta Dilma Rousseff.
 Gim e o governo Agnelo
Dos três senadores do Distrito Federal, apenas Gim é aliado do governador Agnelo Queiroz (PT). Curiosamente os outros dois – Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB), foram eleitos na chapa de Agnelo, em 2010. Antes da metade do governo, ambos foram para a oposição e se posicionam como adversários de Agnelo em 2014.
Gim reafirmou durante a entrevista o seu apoio ao governo Agnelo. É o candidato ao Senado na chapa do governador nas eleições do próximo ano. “Meu candidato a governador é Agnelo, e eu vou ao Senado”, diz o petebista.
Mas a lealdade e o grande volume de recursos federais conseguidos para o Distrito Federal não são suficientes para conseguir o apoio do PT.
O partido de Agnelo avisou ao Palácio do Buriti que o candidato ao Senado terá que ser um petista. A encrenca vai cair no colo do governador. O governo vem perdendo apoio de partidos da base aliada.
Se não convencer os companheiros que é preciso ceder, Agnelo vai ficar isolado na intransigência política do PT. Pagar com traição pode levar Gim Argello a buscar uma nova chapa. Ou formar a sua própria. Ele não descarta até disputar o GDF.
O movimento feito pelo PT não vem atrapalhando as boas relações com Agnello. Gim também tem como aliado o vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB).
 Trabalho reconhecido
 Aos 50 anos de idade, o corretor de imóveis Gim Argello virou deputado distrital em 1998 e mostrou articulação politica logo de cara. Foi escolhido como vice-presidente e depois presidente da Câmara Legislativa. Em 2002 foi reeleito para um segundo mandato.
Na eleição seguinte, em 2006, foi eleito primeiro suplente de senador, na chapa de Joaquim Roriz, que renunciou 18 meses depois. No dia 17 de julho de 2007 assumiu o mandato de senador.
A ascensão rápida de Gim não surpreendeu políticos conhecidos de Brasília, o ex-senador Luiz Estevão, é um deles. “Conheço o Gim Há 30 anos e sempre tive muita admiração por ele. Sempre foi extremamente dedicado ao trabalho e cresceu na vida por mérito próprio. Era um excepcional corretor de imóveis. Uma pessoa que você podia fazer negócios, dar um cheque em branco, como em cansei de fazer para comprar um imóvel e ter certeza que ele iria fazer o melhor”, destaca.
Para o secretário de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, deputado licenciado Alírio Neto (PEN), o Gim “é um político que surpreendeu muito. Encontrou um ambiente hostil no Senado devido as turbulências na política brasiliense e hoje é um dos maiores articuladores do cenário brasileiro”
O vice-presidente da Câmara Legislativa, deputado Agaciel Maia (PTC), foi durante cerca de duas décadas diretor do Senado. Conhece os bastidores da Casa. Para ele, Gim se revelou um grande articulador e se ambientou muito bem ao Senado. “O senador Gim Argello é o parlamentar que mais traz recursos federais. Ele é fundamental para o DF, principalmente no relacionamento com o governo federal”
Estevão completa afirmando que Gim é merecedor da confiança não só dele mas de todos os empresários de Brasília. Quanto a carreira politica, Luiz Estevão lembra que Gim tentou duas vezes ser deputado, conseguiu votos para se eleger, mais não foi empossado por problema de coeficiente eleitoral.
“Mesmo assim, nunca desistiu. Quando se elegeu imediatamente ocupou um lugar na Câmara Legislativa, chegando a presidente o que não é fácil. É um território de atividades politicas intensas, são poucos parlamentares que tem a capacidade de construir uma articulação e ele mostrou isso”, destaca o ex-senador.
Alírio Neto destaca a busca de recursos do senador. “Ele trouxe bastante recursos para Brasília. A minha secretaria foi beneficiada pelo trabalho dele e só tenho a agradecer. Eu tenho que dar um braço a torcer”.
Agaciel Maia também lembra dos recursos, notadamente na área de mobilidade urbana, como p VLT e o VLP. “É um senador de resultado, pouco discurso e de muita ação. E eficiente para buscar recursos e melhorar a qualidade da população”
Estevão lembra que Brasília vai completar 28 anos de atividade politica e afirma que a nível de Legislativo, “o Gim é o politico mais importante da historia do Distrito Federal”.
É aquele mais trouxe resultado para Brasília, e que conseguiu exercer uma liderança de maior expressão entre os políticos do DF. A cidade nunca teve um politico como ele”, finaliza.

Por Ricardo Callado, Jornal da Comunidade

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