Governo deve efetivar, nos próximos dias, novas mudanças nas administrações

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As mudanças nas administrações regionais devem ter mais um episódio nos próximos dias. Depois de sete substituições em 10 meses de governo, o oitavo nome a entrar para a lista de ex-administradores deve ser o do petista Antônio Sabino Vasconcelos, de Taguatinga. Embora ainda não tenha sido publicado no Diário Oficial do DF, Carlos Alberto Jales, indicação do deputado Washington Mesquita (PSD), deve ser o novo ocupante do cargo. A troca faz parte de um ajuste para adequar a base de aliados do Poder Legislativo, que gera polêmica desde a campanha para o Governo do DF. Jales será o terceiro nome a comandar um dos principais centros comerciais do DF.

Sabino era indicação do governador Agnelo Queiroz e tem conversado diretamente com o chefe do Executivo para resolver a questão. Por meio da assessoria de imprensa, o atual administrador afirmou que só comentaria a troca depois que houvesse publicação em veículo de comunicação oficial. Por enquanto, não quis falar sobre o assunto. De acordo com as afirmações do líder do bloco PT/ PRB na Câmara, deputado Chico Vigilante (PT), essa confirmação deve ocorrer em breve. “Será a indicação de Washington Mesquita. É uma pena, pois o Sabino realizava um bom trabalho em Taguatinga. Mas faz parte do jogo político”, detalhou.

Com cautela, Carlos Jales, afirmou que, se as expectativas se confirmarem, estará pronto para assumir o desafio. “Sou morador da cidade há 35 anos, quero oferecer uma administração à altura de Taguatinga. Se for preciso, trabalharei 24 horas por dia”, disse. Para ele, as trocas são estratégias de ajuste do governo. Uma tentativa de oferecer o melhor atendimento à sociedade. “Vou para o cargo para unir forças, prestar o melhor serviço à população”, disse.

Adequações como essa devem garantir o apoio ao governo dentro da Câmara. A intenção é conseguir aprovar projetos de interesse do executivo. Para isso, é necessário ter como aliados pelo menos 13 dos 24 deputados distritais. “A Lei Orgânica do DF dá superpoderes à Câmara, é quase um regime parlamentarista. As indicações às regionais concretizam parcerias. Isso só vai mudar quando a população começar a escolher seus administradores em um regime democrático”, completou Vigilante.

Enquanto mecanismos de aprovação popular não são criados, quem perde é a comunidade. Em toda mudança, a continuidade dos serviços prestados é quebrada. Para cada administrador que entra, chegam também novos funcionários. “Perdem-se, pelo menos, cinco ou seis semanas para retomar tudo o que foi iniciado. As ações são prejudicadas, especialmente se o novo nome for de partido diferente de seu antecessor”, comentou o professor de ciência política na Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer.

Segundo o especialista, essas alterações são comuns e podem ser feitas por dois motivos. “Existem casos também que eles são trocados por incompetência. Mas, na maioria das vezes, são motivos políticos”, observou Fleischer. O ideal e pedido diversas vezes pelas comunidades é que o representante das regiões administrativas seja um morador, que conheça todos os problemas a serem resolvidos. Porém, isso não acontece na prática e as administração são usadas como moeda política.

Águas Claras
O troca-troca de Taguatinga só se assemelha ao que ocorreu em Águas Claras. No início do governo, José Júlio de Oliveira foi indicado pelo distrital Chico Leite (PT) para exercer o cargo. Em abril, ele foi acusado de usar a máquina pública para fazer campanha eleitoral, visando se candidatar ao cargo de deputado distrital em 2014. As denúncias feitas por moradores da cidade foram recebidas por Chico Leite, que imediatamente retirou o apoio a Oliveira. No lugar dele, Ruben Ferreira da Costa tomou posse. Menos de dois meses depois, acusado de assediar uma funcionária, perdeu o cargo. Varjão, Brazlândia, Núcleo Bandeirante e SIA também sofreram mudanças (veja quadro).

Entra e sai
Até agora Varjão, Águas Claras, Brazlândia, Núcleo Bandeirante, Taguatinga e SIA sofreram mudanças. Confira o histórico:

Águas Claras
1º administrador – José Júlio de Oliveira. Assumiu no início do governo de Agnelo Queiroz. Era indicação do distrital Chico Leite (PT). Saiu após denúncias de improbidade administrativa, mas alega ter deixado o cargo por pressões políticas.
2º administrador – Ruben Ferreira da Costa – Também apoiado por Chico Leite, foi exonerado do cargo após acusações de assédio. Ficou dois meses no posto.
Atual – Manoel Carneiro. Indicado pelo distrital Olair Franciso (PTdoB), ele não é morador da cidade. Em junho, a Associação Comercial e Industrial de Águas Claras (Aciac) protestou contra a nomeação.

Brazlândia
1º administrador – José Luiz Ramos. Foi integrante da procuradoria da Fundação Hospitalar durante o governo do atual senador Cristovam Buarque (PDT), e foi indicado por ele. Renunciou ao cargo por alegar falta de autonomia como administrador.
Atual – José Bolivar – Um dos pivôs do pedido da saída de José Luiz Ramos, o atual dirigente de Brazlândia era secretário particular de Agnelo Queiroz. Tomou posse em 16 de setembro.

Núcleo Bandeirante
1º administrador – Bruno Bierrenbach Bonetti. Foi indicado pela distrital Eliana Pedrosa (DEM). Na época, moradores e líderes comunitários do Bandeirante protestaram contra a nomeação do publicitário, que nem sequer residia na cidade.
Atual – Elias Carneiro. É ex-assessor da Secretaria de Governo do DF e indicação do secretário Paulo Tadeu.

SIA
1º administrador – Saulo de Oliveira Duarte. Filiado ao PR, é gestor público com mais de 30 anos de serviço. No governo de Cristovam Buarque, atuou nas secretarias de Fazenda e Planejamento, de Segurança Pública, de Gestão Administrativa, de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, de Cultura e foi secretário de Ciência e Tecnologia. Deixou o cargo porque o partido não faz mais parte da base governista.
Atual – Edson Pereira Buscacio Junior. Empresário, tomou posse em 11 de abril deste ano.

Taguatinga
1º administrador – Daniel de Castro (PSB) – Pastor evangélico, trabalhou como coordenador do núcleo evangélico na campanha de Agnelo ao GDF. Também foi subchefe do gabinete do deputado distrital Benedito Domingos (PP) e secretário da administração de Águas Lindas, em 2005. Saiu do cargo após alegar motivos pessoais.
Atual – Antônio Sabino. Assumiu em abril, indicado pelo PT. Pode sair a qualquer momento a pedido do governo para aumentar a base aliada na Câmara. A assessoria de imprensa não confirma a exoneração.
Possível troca – Carlos Alberto Jales. Morador da cidade há 35 anos, é indicação do deputado distrital Washington Mesquita (PSD), que abandonou recentemente o PSDB para fazer parte da base governista.

Varjão
1º administrador – José Maria Martins dos Santos. Exonerado na última segunda-feira, ele mora na região há 22 anos, foi líder comunitário e conselheiro tutelar antes de assumir a Administração do Varjão.
Atual – Hélio Ferreira das Chagas. Era chefe de gabinete de José Maria, exonerado em 27 de setembro.

Do Correio Web.

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