Homem preso por racismo já havia sido denunciado quando era calouro da UnB

Compartilhe essa matéria

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Marcelo Valle Vieira Mello foi acusado, em 2005, usar o Orkut para disseminar idéias racistas e agredir negros e afrodescendentes


Um dos presos pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (22/3) acusados de postarem na internet mensagens de apologia a crimes contra mulheres, negros, homossexuais, nordestinos e judeus, além de incitar abuso sexual, havia sido investigado por alguns desse crimes quando estudava na Universidade de Brasília (UnB). Então com 22 anos, Marcelo Valle Vieira Mello foi acusado, em 2005, usar o Orkut para disseminar idéias racistas e agredir negros e afrodescendentes. Ele escreveu termos como “sujos” e “macacos” em uma comunidade para se referir aos estudantes que ingressam na UnB pelo sistema de cotas. O caso veio à tona por meio de série de reportagens do Correio Braziliense. 


No espaço virtual, os opositores à política de inclusão racial usavam palavras agressivas e ofendiam os estudantes cotistas. A iniciativa pioneira da UnB havia já inserido, até então, mais de 900 universitários negros no sistema público de educação superior. Alguns universitários, no entanto, a questionaram de forma criminosa, por meio do Orkut. “Preto tem que morrer mesmo… Estudar a vida inteira e ficar de fora da faculdade por causa de um pretinho de m…. Nessas horas é que dá vontade de pegar uma arma e sair matando todo preto desse país”, postou um integrante da comunidade.

A polêmica começou quando um participante do fórum começou uma discussão sobre as cotas, afirmando que para passar no vestibular era necessário “tomar um banho de sol e passar cera no cabelo, para ele ficar bem duro”, ou ainda “as cotas só colocam gente estúpida na universidade”. O autor das frases era Marcelo Valle Vieira Mello, recém-aprovado para o curso de Letras.

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo já investigava o rapaz desde o início de 2005 e garantiu, na época, que ele era conhecido dos promotores por mensagens racistas em páginas do Orkut. “Esses macacos pobres vão estragar as universidades públicas. Eles não sabem nem escrever”, dizia a mensagem colocada pelo calouro da UnB em uma página do site.

Prisões em casa

As prisões de Marcelo Valle Silveira Mello e Eduardo Rodrigues, na manhã desta quinta-feira, ocorreram em Brasília e Curitiba, onde os dois moravam respectivamente, durante operação intitulada Intolerância. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos em seus locais de trabalho.

Nota divulgada pela Polícia Federal aponta que o Núcleo de Repressão aos Crimes Cibernéticos recebeu inúmeras denúncias relacionadas ao conteúdo discriminatório do site promovido pela dupla. “Outras denúncias, de mesmo teor, foram dirigidas ao Ministério Público Federal e à ONG SaferNet, onde se registraram 69.729 pedidos de providências a respeito do conteúdo criminoso do site investigado. Um número recorde da participação de populares no controle do conteúdo da internet brasileira”, afirma a nota.

A polícia afirmou ainda que dentre os conteúdos publicados havia declaração de apoio dos criminosos ao atirador Wellington Menezes, que em 2011 atacou a tiros uma escola em Realengo, no Rio. Ele matou diversas crianças e se matou em seguida.

Dois homens são presos após mais de 70 denúncias de diversos crimes

Duas pessoas foram presas por volta das 10h pela Operação Intolerância da Polícia Federal acusadas de mais de 70 denúncias de racismo, citação a crimes contra as contra mulheres, homossexuais, nordestinos e judeus. Eles também são suspeitos de apoiar abuso sexual contra menores.

A polícia desconfia ainda que a dupla também tenha apoiado o ataque do maníaco de Realengo, em abril do ano passado, no Rio de Janeiro. Na ocasião, 11 alunos foram assassinados e 13 ficaram feridos.

Os dois suspeitos foram presos em Curitiba e foram estudantes da Universidade de Brasília. Um deles Marcelo Valle, estava no Paraná, mas mora na Asa Norte. O outro Emerson Eduardo Rodrigues, morava em Curitiba. 


Correio Web

1 Comment

  • Avatar
    Emerson Eduardo Rodrigues Setim , 5 de agosto de 2013 @ 16:15

    Em primeiro lugar, eu sai em maio, dia 14 de maio.

    Vocês querem saber a verdade por trás de todo este SHOW MIDIÁTICO?

    Acessem o meu blog e constatem:
    http://emersoneduardorodriguessetim.blogspot.no/2013/07/operacao-intolerancia-da-policia.html

    25-03-12, 16:42 #73
    Quote:
    Postado por Eon
    Não somos defensores do cara, e sim defensores de que ele deve ser livre para expressar idéias contanto que não viole os direitos de ninguém ao fazer isso. 1 – Como eu já disse antes, se eu entrar no meu twitter e disser que vou assaltar um banco e não estou violando o direito de ninguém. Faz parte da liberdade de expressão poder dizer o que eu quiser. 2 – Eu poderia também entrar no meu twitter e dizer que vou matar o Jean Willis e ninguém teria nada a ver com isso a não ser que eu realmente tivesse a intenção de fazer o que digo. Se alguém pudesse provar isso, aí sim seria algo punível pelo código penal, mas não é sequer considerado crime e sim uma infração. Esse detalhe é importante para dar o devido peso as coisas. 3 – Se de fato alguém pudesse provar que realmente tenho a intenção de matar alguém, ainda assim isso não ensejaria o direito de censurar integralmente todo o meu twitter. Poderiam no máximo censurar ou congelar a parte que diz respeito ao crime de ameaça. Não foi o que aconteceu com o blog desse cara, que foi retirado integralmente do ar.

Deixe uma resposta

Posts Relacionados

%d blogueiros gostam disto: