Insatisfeitos na CLDF com os dias contados.

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Entrevista do Deputado Chico Vigilante ao Alô Brasília.

Foto: RICARDO MARQUES
O papo de segunda desta semana traz o líder do PT na Câmara Legislativa do DF, o deputado Chico Vigilante (PT). O petista, que foi acusado de receber dinheiro da empresa M Brasil na campanha eleitoral, contou como recebeu o recurso da empresa e como pretende encarar uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa para investigar a doação. Um dos parlamentares mais próximos ao governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), Vigilante contou que o grupo dos insatisfeitos na Câmara está com os dias contatos. Segundo ele, Agnelo já montou um calendário de encontros com os blocos partidários para conversar com os distritais e afinar o relacionamento. Divididos em café da manhã, almoços e jantares, as reuniões devem começar e terminar ainda neste mês. Na entrevista, Vigilante ainda conta sobre o suposto afastamento do secretário de Governo, Paulo Tadeu (PT).

Qual o verdadeiro motivo de não terem votado o projeto dos combustíveis?

As coisas ainda estavam muito amarradas entre os deputados. Alguns blocos parlamentares ainda não tinham fechado a posição a respeito do projeto. Na hora da votação, inclusive, o próprio bloco do PMDB fez uma reunião e pediu para deixar para depois, porque não concordavam com a emenda da deputada Eliana Pedrosa e do deputado Raad. Eles queriam um pouco mais de tempo, mas se comprometeram em votar amanhã. Eles não querem nenhuma das emendas e o líder do bloco, Rôney Nemer alegou que Eliana não estava presente. Amanhã vai ficar claro quem está a serviço do cartel. Os seis deputados do bloco PT-PRB já se comprometeram, assim como os seis do PMDB e os quatro do PDT. Serão 16 deputados para votar. Se não votar vai ficar claro que tem uma manobra evitando a aprovação do projeto.

Deputado, é verdade que o grupo dos 14 já está em 16 deputados?

Desde o início venho falando com o governador Agnelo da necessidade de se definir uma vez por todas quem é base e quem é oposição. Não dá para gente que tem cargo no governo – e quase todos têm -, ficar posando de oposição. Quem quiser ser oposição, que seja. Isso é legítimo, correto, eu já fui oposição, fiz com dignidade. Mas tem que ser livre, sem o rabo preso, sem benefícios. É muito fácil fazer discurso de oposição e está cheio de cargos no governo. Tem que ser um governo bobo pra deixar acontecer isso. Como Agnelo já sentiu esta situação, ele vai alterar esse comportamento.

O governador vai mudar a relação com esses deputados?

Vai. Eu asseguro. Vai tratar oposição como oposição e governo como governo. Até então, as coisas não estavam sendo feitas desta forma, mas a partir de agora vai fazer.

Mas como o governador vai fazer com o grupo dos descontentes, que parece se fortalecer na Casa outra vez?

Os deputados do PT sabem o quanto foi duro eleger Agnelo e os cinco têm a obrigação moral de estar perfilado ao lado dele. Deputado do PT, quando quiser fazer reclamação do governo, tem o momento adequado, que é olho a olho com ele. Eu acho um comportamento inadequado dos que criticam o governo. O acesso e as conversas com o governo existem, mas nem sempre o governador atende. Então, o que tem que ficar claro é que ‘não’ também é resposta. O Agnelo é um grande dialogador, quer ser amigo de todo mundo, mas precisa entender: amigo é amigo, política à parte.

Então o governador está jogando o jogo errado?

Mas ele vai alterar este comportamento, ele já viu que não dá para ficar desse jeito.

Essa mudança começa pelo calendário de encontros entre o governo e os blocos partidários?

Esta vai ser a conversa definitiva. Ser base tem suas regras e quem quiser ser base, terá que seguir as regras do governo. Quem quiser ser oposição, será legítimo. Só tem dois partidos aqui que não podem ser oposição: PMDB e PT. Agora, quem optar por ser oposição, entregue os cargos, não tem problema nenhum, se posiciona e diz porque é oposição. Eu tenho um amigo, um camarada que eu tenho o maior respeito e fico muito triste com o comportamento que ele está tendo hoje, que é o senador Cristovam Buarque (PDT). Eu, presidente do PT na época, ajudei a elegê-lo como governador do DF. Peguei um capital político que tinha na época e depositei no governo Cristovam. Ele chegou a ter 80% de rejeição e nós não o abandonamos. Ficamos lá, lado a lado, e ele sabe da dificuldade de governar. Então, ele não tem o direito de fazer o que está fazendo com Agnelo, ficar de birra com o governador.

Qual é a contagem da base?

Temos seis do bloco PT/PRB, seis do bloco PMDB e quatro do bloco PDT. Não estou dizendo que 16 seriam base, mas sim que isto é o ideal. Se não é possível, temos que ter pelo menos 13 consolidados dentro da Câmara. A gente faz parte de um projeto, elegemos o governador e o vice e os partidos que os elegeram têm uma responsabilidade maior. Estar insatisfeitos é uma coisa,  faltar com a votação é outra. Na hora de reclamar, temos os fóruns adequados e eu espero que passem a usar.

Como serão as conversas?

O governador fez um calendário que será cumprido. Serão encontros que terão que começar e terminar ainda este mês. É de imediato. O governador tem clareza de que a Câmara é a mais poderosa do país. Qualquer mudança que ele queira fazer depende da Casa. Esse calendário foi proposto pelo próprio governador, que assumiu essa articulação política para si. Ele está fazendo isso e o norte da conversa é ele quem está dando. Os articuladores do governador têm que se comportar como qual. O chefe é o Agnelo e auxiliar tem que se comportar com a maior discrição política. Todos os líderes foram avisados do calendário e terão almoços, jantares, café da manhã, todos agendados. O descontentamento será ajustado.

O presidente da Casa, o deputado Patrício (PT), disse que a Casa só voltará a votar projetos do Executivo quando o governador se desculpar com a Câmara. O senhor acha que isto será necessário?

Não. Quando o governador encaminhar os projetos, temos instâncias e vamos votar. O nosso presidente falou aquilo em um momento de emoção. Quem é base de governo em qualquer circunstância tem que apoiar o governo. E não é só na festa, tem ônus e bônus.

O que o senhor acha da oposição querer tentar instalar a CPI da M Brasil?

Temos uma oposição sem norte e sem propostas, porque essa oposição que está aí não tem autoridade moral para falar mal de ninguém. Eles participaram de um esquema que desviou mais de R$ 1 bilhão no DF, participaram da Caixa de Pandora, alguns estão sendo investigados, então, que autoridade moral têm para falar? O PT quando foi oposição sempre teve um projeto para a cidade. Com cinco meses de governo, falam do atendimento péssimo da saúde. Claro que está ruim, porque eles destruíram. O transporte está péssimo, claro, eles acabaram com o transporte. Essa CPI não tem sentido nenhum.

Como foi feito o contato entre o senhor e a M Brasil para que a empresa lhe doasse R$ 100 milhões?

A empresa me contatou, eles ligaram e disseram que tinham um recurso para doar. Eles transferiram, com registro, porque foi uma exigência minha. O recurso vem, a gente emite o recibo e declara. Eu desafio qualquer deputado que tenha perguntado qual era a função da empresa que doou para eles. Não sou corretor e não vou defender interesse da empresa. Então, eu não recebi dinheiro por fora, assim como fizeram os deputados da oposição. Como uma empresa que existe há 40 é fantasma? Ela fez uma incorporação de um outra empresa e tem CNPJ registrado.

Esse dinheiro foi usado restritamente na campanha?

Sem dúvida. O dinheiro eu não posso gastar com despesa que não comprove.

Já que é uma verba declarada e aprovada pelo TRE porque a oposição tentaria iniciar uma investigação se baseando nestes fatos?

Isso é mais do que oportunismo. Oposição se faz em cima de coisas concretas e objetivas. Mas, neste caso, estão sobrecarregando o Ministério Público com coisas que não têm o que investigar. O MP só investiga quando tem ilegalidade e nós não cometemos nenhuma.

É verdade que o secretário de Governo, Paulo Tadeu (PT), vai sair do governo?

Sempre existiram boatos. O blog que plantou isso não tem credibilidade. Não existe nenhuma disposição em afastá-lo, tudo que ele faz é em consonância com o governador. Converso no mínimo três vezes por dia com o Paulo e nós temos um projeto e seríamos burros se a gente brigasse e decidisse acabar com isso. Ele vai sair do governo quando ele quiser. Ele não quer e o Agnelo também não.
Fonte:  Alô Brasília

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