Jovens talentos de Ceilândia brilham no jiu-jítsu

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Duas famílias que acreditam no esporte como futuro para os filhos e, mesmo com toda a dificuldade financeira, fazem o que podem para ver os herdeiros treinarem e chegarem mais perto do sonho de se tornarem grandes atletas. Os pequenos Renan Caleb Clastes, 9 anos, e Luiz Fernando Silva, 11, são motivo de orgulho para os pais, professores e comunidade de Ceilândia. Inspirados pelo professor de jiu-jítsu Francisco Carlos da Silva, os alunos se superam a cada dia, e o resultado pode ser notado na mudança de postura e na coleção de medalhas regionais, nacionais e até internacionais. 


Este mês, a dupla foi destaque no campeonato Naga Brasil de Jiu-Jítsu (North American Grappling Association), realizado pela primeira vez fora dos Estados Unidos, no Ginásio do Cruzeiro. Renan levou para casa o cinturão e uma medalha de ouro. Ele foi campeão nas categorias infantil com e sem kimono, de 30kg a 35kg. Já Luiz Fernando conquistou o cinturão de primeiro lugar na categoria infantil sem kimono e ficou com medalha de prata na disputa com kimono, de 40kg a 45kg. 



A rotina de treinos não é fácil. Alunos do Centro Olímpico e Paralímpico Parque da Vaquejada, eles alternam as aulas de jiu-jítsu — oferecidas pela equipe da Fundação Assis Chateaubriand no projeto Esporte e Cidadania — com os treinamentos do time Strong Fighters Team, na Associação Leon de Judá, também em Ceilândia. O professor Francisco participa de ambas as práticas e faz questão de formar não só atletas, mas cidadãos cheios de valores. “Hoje, você vê muitas crianças na rua, envolvidas com drogas, sem apoio das famílias. Aqui no centro, a gente fica feliz de ter pais junto, compartilhando cada momento de superação”, observa o educador. “Dá prazer de levantar cedo, montar o tatame e buscar sempre se aperfeiçoar para ver a evolução e a felicidade dos meninos. Eles se espelharem em mim demonstra o nosso respeito mútuo. Passamos a maior parte do tempo juntos. Fico feliz em ser uma referência para eles e participar de cada conquista, é gratificante”, ressalta Francisco. 



Bombons ajudam as viagens

A história de Luiz Fernando Oliveira Silva com as artes marciais iniciou-se aos 3 anos de idade, com a prática de karatê. Em 2009, começou a treinar na Associação Leon de Judá, onde depois conheceu o jiu-jítsu e se encantou. Por conta do diagnóstico de déficit de atenção e altas habilidades, recebeu orientações para investir também na natação para desenvolver ainda mais a coordenação motora e a concentração. Foi aí que entrou no Centro Olímpico e Paralímpico de Ceilândia, há três anos. Além de nadar, ele chegou a treinar futebol e vôlei, mas quando soube que o centro esportivo ofereceria aulas de jiu-jítsu, não teve dúvidas. 


Desde 2013, o garoto participa de campeonatos. São várias as medalhas dos brasilienses. No ano passado, conquistou o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro de Jiu-jítsu em Barueri (SP) e o bronze no Mundial de Jiu-jítsu Esportivo, na categoria peso médio (40kg). 


A mãe, Joyce Silva, 32 anos, deixou de lado a carreira de professora para acompanhar o filho. O esforço para que ele participe dos torneios é grande. E que os custos, muitas vezes, não cabem no orçamento da família. “A gente precisa de apoio, tudo é muito caro. Fica muito pesado arcar com todas as despesas dos campeonatos, filiações, alimentação, viagens”, comenta Joyce. Mas Luiz Fernando também faz a sua parte: vende bombons na escola e na rua onde mora. “Eu pedi isso para ajudar a minha família. Conto para as pessoas que os bombons são para me ajudar nos campeonatos de jiu-jitsu, e muitas ajudam”, lembra o garoto. “O esporte representa tudo na minha vida e ajuda no meu sonho, que é ser um grande lutador de MMA (artes marciais mistas)”, revela. 


Pequeno estrategista

Já o pequeno Renan Caleb Clastes, 9 anos, foi um talento descoberto no Centro Olímpico e Paralímpico. Ele entrou no jiu-jitsu há apenas um ano, mas desde o início começou a se destacar na equipe. Já participou de sete campeonatos e, logo no primeiro, conquistou o ouro. Ele afirma que se identificou. “Gosto de lutar porque é muito legal. Antes eu só brincava em casa e agora eu fico treinando”, diz Renan. 


O pai do menino, Renato Clastes, 31 anos, não esconde o orgulho. “Com apenas cinco meses de treinamento, ele começou a se destacar. Hoje ele treina com meninos de 12, 13, 14 anos de igual para igual. Ele se tornou um lutador estrategista”, observou. Renato acredita que o filho e os colegas serão reconhecidos no futuro por suas habilidades. “Toda criança tem seu talento e o máximo que a gente puder fazer para que ele não desvie para caminhos das drogas e violência, faremos.” 


Em busca de patrocínio

As famílias de Luiz Fernando e Renan Caleb estão se mobilizando para conseguir levar os atletas para o Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, no período de 30 de abril a 3 de maio, em Barueri (SP). Quem tiver interesse em ajudar a equipe de atletas de Ceilândia com patrocínio para participação em campeonatos ou equipamentos esportivos para treinamento, pode entrar em contato pelo e-mail [email protected]

superesportes.com.br

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