Manifestações dividem especialistas.

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O auge das manifestações foi na Copa das Confederações e poucos, que não queriam protestar, cometeram atos de vandalismo e violência, marcando as passeatasFoto: Valter Campenato-AbrO auge das manifestações foi na Copa das Confederações e poucos, que não queriam protestar, cometeram atos de vandalismo e violência, marcando as passeatas
A população brasileira demonstrou nos últimos meses a insatisfação que sentia em relação aos serviços públicos prestados à sociedade. Saúde em situação catastrófica, educação sem qualidade, falta de segurança, transporte público ineficiente e impostos nas alturas foram motivos que levaram o povo brasileiro a refletir e tomar uma atitude.

Ocorreram mobilizações em praticamente todas as capitais do país e o povo decidiu protestar cobrando atitude dos governantes. Os lemas “O gigante acordou”e “Vem pra rua” tomaram conta das redes sociais e mobilizações via internet, além de serem utilizadas em faixas e cartazes durante as manifestações.


O auge dos protestos foi no período dos jogos da Copa das Confederações. Entretanto, nem todos que estavam nas ruas iam reivindicar melhores condições à sociedade, muita gente foi com a intenção de quebrar tudo e destruir o que encontrava pela frente. Atos de vandalismo e destruição do patrimônio público marcaram as manifestações e despertou as ações de enfrentamento da polícia, que utilizou a força bruta, gás de pimenta e até mesmo bombas de gás lacrimogênio para acabar com as ações de vandalismo. A violência e os atos de vândalos acabaram com a credibilidade das mobilizações, que perderam força e manifestantes. As manifestações mais recentes ocorreram no dia 7 de setembro, feriado da Independência do Brasil, mesmo assim, com um número bem menor de pessoas que em julho.


Para Antônio Flávio Testa, sociólogo da Universidade de Brasília, não foi só o vandalismo que fez os protestos diminuírem. “Muitos grupos articulados pelo governo iam para as manifestações somente para atrapalhar e causar desordem. Muita coisa foi articulação do governo para dar um fim aos protestos. Se isso não tivesse ocorrido, é bem provável que o povo continuaria reivindicando e cobrando seus direitos. A ação da polícia também foi um fator que contribuiu para inibir a ação do povo e deixar todo mundo com medo”, analisa. O sociólogo acredita que podem ocorrer novos movimentos, porém setorizados e com menos impacto diante da sociedade e do governo.


“Muita coisa aconteceu, o governou decidiu tomar algumas providências e dar atenção às reivindicações do povo, criou estratégias, aprovação de projetos, criação de determinadas leis, coisa que já deveria acontecer a mais tempo. Portanto, acho muito improvável ocorrer novas manifestações, é muito difícil mobilizar toda a população brasileira novamente. Apesar da Copa do Mundo no ano que vem, acredito que não haverá mais protestos. Pode até ser que haja mobilizações nesse período, mas serão de torcida e de animação para o evento”, destaca. Testa cogita uma pequena possibilidade de o povo mostrar sua indignação e revolta nas urnas, durante a escolha dos próximos governantes.

Copa do Mundo e eleições 2014

Muita gente acredita que o povo voltará às ruas com força total no próximo ano, no perío-

do da Copa do Mundo de 2014 e das eleições. A possibilidade divide opiniões e há quem diga, principalmente nas redes sociais que “O gigante adormeceu” e que é improvável a volta dos protestos em todo o Brasil.


Na visão de David Fleischer, cientista político da UnB, o povo brasileiro cansou de ficar calado e ver seus direitos serem jogados para o alto. “As pessoas decidiram dar um tempo nas manifestações, mas não tenho dúvida alguma de que elas recomeçarão no próximo ano. A Copa do Mundo é um prato cheio para o povo reivindicar suas causas e chamar atenção mundial. Os protestos vão demonstrar a insatisfação dos brasileiros com a corrupção e os diversos serviços públicos prestados à sociedade. O período de eleições também é uma grande oportunidade da população voltar às ruas com força total, mas a melhor resposta será vista no resultado das urnas”, ressalta. Questionado sobre os possíveis motivos para a desmobilização nas ruas, Fleischer disse que as ações policiais e as promessas do governo podem ter contribuído para a pausa nas manifestações.


Já para o filósofo, Klinger Ericeira, as mobilizações ocorridas no período da Copa das Confederações não passaram de um movimento conservador, de direita. “Nunca vi com bons olhos esses protestos e nem me iludi que eles resultariam em algo consistente, em melhorias para o Brasil. O que eu observei é que eles foram um fenômeno da internet, da juventude, no sentido de envolver alguns segmentos, mas isso nada tem haver com a construção de um política mais sólida e consistente. Por trás de todas as manifestações houve uma mobilização partidária”, acredita. Na opinião de Ericeira, é provável que os mesmos manifestantes voltem às ruas no próximo ano, durante a Copa do Mundo, afinal o Brasil terá grande visibilidade no cenário mundial.

Informou o Jornal da Comunidade

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