Médicos e enfermeiros do DF estão sem receber horas extras há dois meses

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O Correio Braziliense destaca que entidades de classe recomendam que profissionais suspendam o trabalho
além do expediente. Em 2014, o GDF desembolsou R$ 14 milhões com essa despesa. Confira a matéria.
“Os
desafios da saúde são velhos conhecidos de pacientes e governo. Como se não
bastasse o desabastecimento da rede, o deficit de 8 mil profissionais e as
estruturas sucateadas, a pasta enfrenta a falta de gestão de pessoal. No último
ano, o GDF desembolsou R$ 14 milhões com horas extras. Um aumento real de 50%
com gastos da folha, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Estado da
Administração (Consad).


O relatório, fruto
do Termo de Cooperação entre as duas esferas do governo, ressalta o
“descontrole” no pagamento das gratificações — a maioria sem justificativa.
Diante desse cenário, a Secretaria de Saúde começa a cortar o pagamento dessa
despesa. Ontem, quem procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Núcleo
Bandeirante vivenciou uma via-crúcis, porque os enfermeiros não trabalharam
além do expediente mínimo.



Segundo
o Ministério da Saúde, as horas extras são provocadas pela inexistência de
profissionais em áreas como unidades de terapia intensiva, emergências e
unidades de pronto atendimento. O deficit da rede é de 8 mil servidores. A
receita da secretaria não foi suficiente para custear o pagamento das horas
extras de enfermeiros, por exemplo, que não veem o dinheiro cair na conta há
dois meses. “A recomendação do sindicato é que não se façam mais horas extras.
Os trabalhadores ficam inseguros e ninguém do governo está assumindo a
responsabilidade”, critica João Cardoso da Silva, presidente do Sindicato dos
Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate-DF).




Sem o gasto mensal, seria possível convocar 2,5
mil servidores e investir R$ 3,6 milhões ao mês em outras áreas, de acordo com
o Sindate-DF. “É melhor o governo chamar os convocados do que ficar gastando o
que não tem”, diz João Cardoso, ao explicar que as emergências,
prontos-socorros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) serão
afetados com o corte das horas extras.




“A gente fica com pena, mas não tem o que fazer. É
muito triste ver as pessoas indo para casa sem atendimento. Porém, trabalhamos
sem nenhuma estrutura, falta de tudo”, desabafou uma técnica em enfermagem, que
pediu para não ser identificada. A partir de 1º de setembro, os auxiliares e
técnicos em enfermagem terão a redução da carga horária de 24 para 20 horas
semanais e a incorporação da última parcela da Gratificação de Atividade
Técnico-administrativa (Gata). Aqueles profissionais que fazem 40 horas terão
um acréscimo de 4 horas no salário.”

Otávio Augusto / Correio Braziliense

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