Moradora de Ceilândia de 20 anos, é mais nova aprovada na OAB.

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Aos 20 anos, Thais é a candidata mais jovem aprovada no Distrito Federal: 'Ter passado representa um alívio muito grande' (Edílson Rodrigues/CB/D.A Press)
Aos 20 anos, Thais é a candidata mais jovem aprovada no Distrito Federal: “Ter passado representa um alívio muito grande”


Paula Filizola Em um ano, a taxa de aprovação dos bacharéis em direito no Exame Unificado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quase dobrou. Conforme lista divulgada ontem pela entidade, 24,05% dos candidatos, ou seja, 26.010 pessoas, passaram no teste. O índice é bastante superior aos 11,73% registrado entre os que fizeram a prova em dezembro de 2010, quando foi aferida a maior taxa de reprovação da história. No DF, 1.004 candidatos foram aprovados nesta edição.

O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, considerou o resultado o mais expressivo dos últimos anos. “Acredito que, a partir de agora, vamos estacionar nesse patamar, que eu considero bem razoável para a qualidade de ensino jurídico no país”, avalia. Para ele, as instituições têm preparado melhor os alunos. “Não tenho dúvidas de que a fiscalização social e as radiografias das universidades por meio dos resultados da OAB fizeram com que elas tivessem um olhar mais preparado. Afinal, as pessoas procuram faculdades com bons resultados”, avalia. Segundo a entidade, 108.335 pessoas prestaram o concurso.

Aprovada na prova da Ordem aos 20 anos, Thais Barbosa Alencar é considerada a mulher mais jovem a se tornar a advogada no Distrito Federal. Na sua avaliação, o maior problema do teste é o tempo curto para realizar as questões. Porém, segundo a advogada, o conteúdo cobrado na última edição estava dentro do esperado pelos candidatos. “Ter concluído tudo e passado representa um alívio muito grande”, admite.

Thais ainda lembrou que, na segunda fase da prova, os cadernos de direito penal e constitucional apresentaram erros. Na ocasião, a OAB informou que “as erratas foram comunicadas (aos candidatos) em tempo hábil e concedidos 30 minutos como tempo extra” para a resolução. Mas Thais conta que os fiscais só comunicaram o problema após duas horas do início da prova.

O professor de direito constitucional da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Blair avalia que uma das hipóteses para o aumento no número de aprovados nesta edição é, assim como acredita o presidente da Ordem, a melhoria do ensino jurídico hoje. Segundo o especialista, o baixo desempenho dos candidatos nos anos anteriores era um reflexo da banalização e da expansão em massa da oferta dos cursos de direito registrada a partir da década de 1990. “Só agora, estamos revertendo esse quadro negativo. Acredito também que as faculdades têm sofrido apertos de instituições de acompanhamento de ensino e, por isso, houve uma melhora nos índices”, argumenta. De acordo com a OAB, há, atualmente no Brasil, 1,2 mil cursos de direito.

Ranking
O ranking das instituições mais bem colocadas do Brasil será divulgado na segunda-feira. Tradicionalmente, a Universidade de Brasília figura na lista das 10 melhores instituições do país. Na última edição da prova da OAB, a entidade ficou em quinto lugar, garantindo a aprovação de 62,5% dos estudantes inscritos. Para Paulo Blair, um dos diferenciais da UnB é o processo seletivo. “Temos alunos muito bem preparados, além de um ambiente que estimula o ensino”, ressalta o docente.

Os bacharéis em direito interessados em fazer a próxima edição do Exame de Ordem podem se inscrever até a próxima segunda-feira, no site da FGV Projetos — www.fgv.br/fgvprojetos/—, organizadora do concurso. A prova da primeira fase será realizada em 5 de fevereiro e, a segunda, em 25 de março.

Desafio

O Estatuto do Advogado prevê até três exames de Ordem por ano. Porém, em 2009, a OAB cancelou uma das edições após suspeitas de vazamento de gabarito. A partir de 2010, a prova passou a ser unificada em todo o país. Confira os índices de aprovação das últimas edições:

2009
1ª edição – 19,48%
2ª edição – 24,45%

2010
1ª edição – 14,03%
2ª edição – 16,00%
3ª edição – 11,09%*

2011
1ª edição – 15,02%

* Esse foi considerado o pior resultado da história da entidade


Informações do Correio Web.

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