Moradoras do “Nova Jerusalém” contestam ação do GDF e descrevem “cenário de guerra”

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Desalojados do condomínio Nova Jerusalém em Ceilândia (DF) contestaram na manhã desta terça-feira (3) a presidente da Agefis (Agência de Fiscalização do DF), Bruna Pinheiro, que defendeu, em entrevista à TV Record, a forma com que os moradores estão sendo retirados do local. Segundo ela, os fiscais e a polícia agiram dentro da Lei, deram suporte às famílias e trabalharam respeitando o direito aos bens em posse dos moradores.
Segundo duas ex-moradoras ouvidas pelo portal de notícias R7, ao contrário do que afirma o GDF, muitas famílias não puderam remover seus móveis e pertences antes das casas serem derrubadas. A previsão é de que 80 casas sejam demolidas por dia até a próxima sexta-feira (6), além das 97 já destruídas nesta segunda-feira (2).
— Quando cheguei à Nova Jerusalém à tarde encontrei um cenário de guerra. Fumaça de pneus queimados, muito entulho na lama, famílias ao relento e o barulho dos tratores derrubando casas. Helicóptero, cavalaria e bombas, além de gente reclamando de ardência nos olhos, afirmou a moradora Késsia Barbosa.

Desde a noite desta segunda-feira, está abrigada junto com outras 25 pessoas no Ginásio de Esportes de Ceilândia. Ela defendeu a ocupação da área da Nova Jerusalém.
— Não é uma invasão qualquer. Há ruas, iluminação pública, água.
Késsia também contestou a informação do governo de que boa parte dos moradores têm renda acima do perfil dos que podem receber um aluguel social do governo.
— As pessoas estavam lá porque não tinham outro lugar para viver. São pessoas pobres que agora estão sem para onde ir.
De acordo com a ex-moradora Marcia Vianna, também abrigada no ginásio de Ceilândia, a polícia agiu com truculência.
— Chutaram portas e não permitiram que as pessoas pegassem seus pertences. Muitos eletrodomésticos, inclusive, eram colocados na rua pegando chuva. Vi caminhões passando por cima de móveis.
O condomínio Nova Jerusalém está sendo desocupado para a construção de casas populares e outras benfeitorias, segundo o GDF (Governo do Distrito Federal). Cerca de 470 famílias moravam ou ainda ocupam o local.
Segundo apurou os moradores, a construção de casas e barracos começou em julho do ano passado. O GDF diz que a ocupação começou há quatro meses.
Nesta segunda-feira, sete líderes comunitários tentaram negociar com o governo para que as casas não fossem demolidas. O Eixo Monumental na altura do Palácio Buriti chegou a ser interditado pelos moradores ao menos três vezes pela manhã. A Polícia Militar teve de agir para que a outra pista no sentido da Esplanada dos Ministérios também não fosse obstruída.
Informações do R7

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