Moradores contestam derrubadas no Sol Nascente, em Ceilândia

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[Jornal de Brasília] Ânimos
exaltados e barracos derrubados. Esta foi a realidade encontrada no Sol
Nascente, em Ceilândia, na manhã desta quinta-feira (6). Foi o segundo dia que
a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) realizou a derrubada de
barracos localizados na área conhecida como Chácara do Padre, sob a alegação de
ter sido invadida recentemente e do solo ser impróprio para construções.
Pela manhã, houve confusão. Os
moradores contrariados com a derrubada arremessaram pedras e garrafas contras
os policias. O Batalhão de Choque precisou ser acionado e conseguiu conter os
manifestantes com o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha. Um grupo
chegou a atear fogo em um ônibus roubado à mão armada em
um terminal da cidade.

“Alguns moradores dificultaram o
acesso da polícia. Foram montadas barreiras com pneus e cordões humanos que
impediam a nossa passagem. Como não foi possível um acordo, foi preciso o uso
de outras medidas para conter os manifestantes”, afirmou o Capitão Rogério, da
Polícia Militar.

No período da tarde, o clima ficou
mais ameno. Alguns moradores retiravam móveis e partes das casas – como portões
e janelas -, antes das demolições.

Parte dos moradores afirmaram que, há
cerca de quinze dias, representantes do governo estiveram no local e prometeram
que a área não seria demolida. “Vieram aqui e marcaram vários lotes, dizendo
que seria para instalação da rede de esgoto e asfalto. Agora, chegam e derrubam
tudo. Isso é desumano”, disse Beatriz Almeida, de 24 anos.

Segundo o relato dos moradores, nenhum
deles foi notificado da retirada das construções. “É uma injustiça o que estão
fazendo com a gente. Aqui temos famílias e não precisava dessa brutalidade”,
relatou Abimael Ferreira Castro, de 34 anos, enquanto colocava os móveis da
casa em que mora com a esposa dentro do caminhão.

Moradores
não têm para onde ir

Residente
no local há três anos, Ana Cláudia de Oliveira, de 40 anos, diz que nenhum
morador teve apoio do governo. A mulher mora em um dos barracos que está na
área a ser derrubada com a filha e a neta e diz que não tem para onde ir.
“Falam que vão levar a gente para abrigo, mas não tem nenhum abrigo que tem
vaga. Sem contar que nesses lugares, muitas vezes, corremos riscos”, relatou a
manicure.

Versão
Oficial

A Secretaria de Estado de Trabalho,
Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos
(Sedestmidh) disse que, para as pessoas que não têm parentes ou locais para
onde ir, são oferecidas, além da possibilidade de instalação em abrigos, cesta
básica, auxílio vulnerabilidade – no valor de R$ 408 – por até seis meses e
auxílio aluguel – no valor de R$ 600 – por até 12 meses, mediante avaliação e
monitoramento da pasta. Ainda de acordo com a pasta, foram 20
famílias atendidas no local, mas somente uma pediu acolhimento.

A Agesfis informou que o local onde os
barracos estão sendo demolidos tem uma área total de 77 mil m² e que, nos dois
dias de ação, foram desobstruídos 8 mil m². Ainda conforme o órgão, a área em
que ocorrem as derrubadas são construções que foram levantadas após julho de 2014
e que o pedido para desocupação foi feito pela Defesa Civil após avaliação do
solo. “É uma área pública que não comporta construções. Segundo a avaliação,
todo o terreno é condenado por ser área de brejo”, informou.

* Informações Ana Lúcia Ferreira / Jornal de Brasília

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