Mortes em sequência chocam população de Ceilândia

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[Jornal de Brasília] Elâine Sousa Silva, 21 anos,
foi a segunda vítima de feminicídio no Distrito Federal em menos de uma semana
– a terceira morte por crime passional. Para especialistas, os casos, todos
ocorridos em Ceilândia, são exemplos de que muitas relações se tornam abusivas.
É importante atentar-se aos sinais cotidianos, que geralmente começam pela
violência psicológica, e denunciar o agressor.
Elâine foi morta pelo
ex-namorado, um policial militar de 49 anos, na praça ao lado da Administração
de Ceilândia, na noite da última quarta-feira. A Polícia Civil informou que a
vítima conversava com um amigo na praça da QNM 13, ao lado da administração regional,
quando o ex-namorado chegou e ficou observando a dupla. Incomodada, a jovem
pediu para ele ir embora, mas o PM ficou nervoso e ficou com a pistola calibre
40 em mãos.

Elâine teria perguntado se ele
iria atirar. Como resposta, o suspeito apontou a arma para ela. Segundo
testemunhas, a vítima partiu para cima do suposto autor, que, logo depois,
atirou no peito da ex- namorada.

Flagrante

No momento em que a polícia
chegou ao local, encontrou o suspeito ensanguentado, e a vítima, morta. Ele
teria alegado que discutiu com Elâine e a arma havia disparado. Na delegacia, o
autuado em flagrante declarou que usaria do seu direito constitucional de
permanecer calado e só se manifestaria diante da Justiça. A arma foi apreendida
e encaminhada para exame pericial. Ele segue preso.

Doze feminicídios em sete
meses

Também em Ceilândia, mas na
QNO 2, na madrugada de terça-feira passada, Elaine Vieira de Paula, 42 anos,
foi esfaqueada pelo marido, de 57 anos, depois de uma discussão. Um vizinho
ouvido pela Polícia Civil informou ter ouvido gritos e batidas nas portas
vindos da residência do casal. Cerca de cinco minutos depois, Eliane bateu à
sua porta para pedir socorro.

Ele logo deu brigo à mulher,
que sangrava bastante e estava em desespero. Em seguida, o suspeito entrou na
casa e desferiu golpes de faca no pescoço e no tórax da mulher, que morreu no
local.

Os dois casos são investigados
pela 24ª DP Ceilândia. De acordo com a Secretaria de Segurança, houve o
registro de 12 casos de feminicídio entre janeiro e julho deste ano –
levantamento mais recente da pasta. Não é possível comparar os dados com o
mesmo período do ano passado, pois a lei que tipifica o crime entrou em vigor
em março de 2015.

Pastor evangélico

Na quarta-feira, a comunidade
da QNO 18 da Ceilândia também se surpreendeu com o assassinato do pastor Damião
Diniz do Nascimento, 46. A suposta autora é a esposa dele, que teria esperado a
vítima dormir e golpeado com pauladas e facadas para, por fim, asfixiá-la com
um saco. De acordo com a Polícia Civil, a mulher confessou que estaria com
ciúmes do marido por acreditar que ele abusava do filho, de 16 ano, e da filha,
20. No entanto, ambos teriam negado a suspeita.

Eva e Damião eram casados há
30 anos e tinham seis filhos. Alguns deles moravam na mesma casa onde o crime
ocorreu. Para vizinhos, a relação dos dois era tranquila e não imaginavam que a
esposa poderia fazer isso. Ela continua presa.

Ponto de vista

Em um relacionamento, a
agressão psicológica sofrida e praticada pelas partes, normalmente, é um dos
sinais mais expressivos de que o casal não está em sintonia, alerta a psicóloga
e especialista em análise do comportamento Fabiana Cassimiro. “Ela (agressão) é
tão violenta quanto a tortura física. A diferença é que se apresenta de outra
forma, por meio de xingamentos, chantagens emocionais e manipulações. Passa de
amor para algo doentio”, frisa.

De acordo com Fabiana, a
pressão para tentar mudar o parceiro pode arruinar um relacionamento. “A pessoa
deixa de ter a própria vida para viver do jeito que o outro quer, passa a ter
as preferências alheias. Isso é um erro. A preocupação deve existir logo no
início da violência psicológica. Não pode deixar o cenário piorar para tomar
uma atitude”, acrescenta.

A especialista explica que
essa fase é causada por uma série de traumas e inseguranças. “A crise existe
porque um dos envolvidos, ou os dois, demonstram possessividade, ciúme ou
autoestima baixa. Em qualquer namoro ou casamento, a culpa é compartilhada. Se
alguém chega ao ponto de agredir o companheiro é porque não está bem. Isso se
reflete. Vale fazer uma reflexão pessoal”, completa.

Para evitar o desgaste,
Fabiana aconselha apostar na conversa. No entanto, a diálogo deve ser praticado
desde o início e de forma contínua. “Precisa estar tudo combinado entre o
casal. As regras e os acordos estabelecidos entre eles devem estar claros”,
afirma. Ela garante que atende pacientes nessa situação com frequência. “Tem
sido cada vez comum. Por incrível que pareça, percebo que ainda existe muita
dependência financeira, o que dificulta um término. O problema é que as
denúncias só surgem quando a sociedade, os vizinhos e os mais próximos começam
a perceber os primeiros sinais”, conclui.

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