Movimento Ceilândia Viva participa de audiência na CPI da Violência Contra Jovens Negros e Pobres

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Durante audiência pública da CPI da Violência
Contra Jovens Negros e Pobres para debater índices de homicídio de jovens no
Distrito Federal, deputados divergiram quanto à influência da questão racial na
prática dos assassinatos.

Para o deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), não há razão para fazer essa
correlação. “Eu não vou ficar tranquilo se reduzirmos a zero qualquer das
taxas, e a outra continuar alta”, disse ele, em referencia às taxas de
homicídios de brancos e negros.

Sobre as mortes de jovens em confronto com a polícia, Bolsonaro disse
não acreditar em tratamento seletivo. “Será que o policial atira se for negro e
não atira se for branco?”, questionou.
O deputado Major Olimpio (PDT-SP) pensa no mesmo sentido. “Quando se
fala da formação do policial, não há qualquer orientação em relação a atuar
conforme cor, raça, renda ou orientação sexual”, disse.
Mortes de policiais
Por sua vez, o deputado Pastor Eurico (PSB-PE) criticou o tratamento
diferenciado dado pela mídia às mortes de policiais. “Quando alguém morre em
confronto com a polícia, a imprensa faz um alarde gigantesco. Quando morre um
policial, não se vê nada na imprensa.
”Sobre os assassinatos de jovens negros na periferia do DF, o deputado
disse que não se pode esperar que morram mais brancos onde a maioria é negra.
“Não é porque é negro que é bandido”, disse.
Pacto pela vida
Por outro lado, a deputada Érika Kokay (PT-DF) disse que, se o que se busca é
um pacto pela vida, não se pode negar as evidências. “Há um racismo
institucionalizado, diluído, sim. E não podemos responsabilizar as vitimas por
suas mortes”, disse.
Segundo ela, 55% dos que morrem são jovens e, desses, 75% são negros.
“Quem morre são os jovens negros e pobres. Ao negar essa realidade, não
conseguimos transformá-la”, disse a deputada, ao propor uma ouvidoria
independente para acompanhar o trabalho das forças policiais.
O comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, Florisvaldo
Ferreira Cesar, reforçou que não existe por parte da policia a ideia de
discriminar. “A PM do DF é um ponto fora da curva no cenário nacional. É uma
polícia que, reconhecidamente, respeita a integridade física das pessoas e os
direitos humanos”, disse ele, informando que a média de mortes por confronto
com a polícia no DF é de três por ano.
Violação
Para o deputado Paulão (PT-AL), no entanto, não se pode desviar o foco do
debate e acreditar que são jovens negros e pobres que mais morrem nas
periferias do País. Mesmo destacando o fato de o comandante da PM do DF ter
sido criado em Ceilândia e de ele valorizar os direitos humanos, Paulão disse
que há, sim, casos graves de violação a esses direitos dentro da polícia.
“O que a gente não pode fazer é esquecer que o comandante do Acre já foi
conhecido como motosserra pelos assassinatos que cometia e era ainda comandante
do trafico de cocaína”, disse citando o ex-deputado Hidelbrando Pascoal.
Banalização da violência
Mãe do jovem de 27 anos assassinado com três tiros em Ceilândia, no DF,
Elizabeth Alves da Silva participa atualmente do movimento Ceilândia Viva, criado
para conscientizar a população sobre as consequências da banalização da
violência.
“Vamos mostrar a todos que publicaram coisas sobre meu filho, como se
ele fosse criminoso, que eles estão errados. Ele foi assassinado injustamente”,
disse a pedagoga que pretende cursar Direito para lutar no processo do próprio
filho.
Câmara dos Deputados

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