MR-8 veste uma roupa nova mas mantém velhas práticas.

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Foto: Arquivo Notibras

Dois ícones da nossa história contemporânea estão se revolvendo nos túmulos. Um, sorridente, é Orestes Quércia. Outro, taciturno, é Tancredo Neves. O motivo de cenas distintas no além é o MR-8, queridinho do ex-governador de São Paulo e execrado pelo presidente eleito que morreu antes de tomar posse.
O braço guerrilheiro (e não aguerrido) que sobreviveu à sombra do MDB e posteriormente do PMDB, vestiu roupa nova e se apresenta como Partido da Pátria Livre. Mas a prática da baderna continua a mesma. E como sempre, tendo guarida no seio do poder.

Em Brasília, o PPL transita livre pelo Palácio do Buriti, sangra o PT e suga os cofres públicos sempre em benefício próprio. É dinheiro que garante projeção a seus dirigentes oficiais (como Marco Antônio Campanella, diretor do DFTrans) e oficiosos (um exemplo é o secretário dos Transportes José Walter Vazquez). E ainda sobra troco para os Black blocs.
Oriundo do PCdoB , que sempre teve o MR-8 não como adversário na disputa política, e sim como um verdadeiro inimigo, o governador Agnelo Queiroz se vê às voltas hoje com os problemas protagonizados por Campanella, Vazquez e companhia. E as preocupações crescem na medida em que se fecha cada vez mais, de um lado, o cerco em torno diretamente do diretor do DFTrans, e de outro, indiretamente, do secretário de Transportes.
Dois episódios recentes tendem a levar Agnelo Queiroz a mexer drasticamente no segmento transportes. O PPL, agarrado ao seio do PT e infiltrado no coração do Buriti, deve perder os espaços ocupados por Campanella e por Vazquez. Até a semana passada a dupla tinha onde se agarrar com um precioso voto na Câmara Legislativa. Porém, perderam a força a partir da cassação, por corrupção, do deputado Raad Massouh.
Uma das palavras mágicas que tem tirado o sono de Agnelo é passagem. Aérea e terrestre. Tem tudo a ver com transportes. A outra é baderna, promovida por Black blocs que costumam se alimentar com dinheiro dos cofres públicos. Somadas, as duas são sinônimos de peculato: crime específico de servidor público, como o desvio de dinheiro. Em outras palavras: apropriar-se de bens de que tenha a posse em razão do cargo.
A situação de Campanella, particularmente, é preocupante. A cabeça dele está a prêmio na Câmara Legislativa. Na semana passada, em depoimento aos deputados distritais, o diretor do DFTrans ficou sem palavras ao ver sua administração questionada pela oposição.
Celina Leão (PDT), chegou mesmo a ser irônica, puxando as orelhas de Campanella e mostrando ao depoente o que é roubo, ao citar o Artigo 317 do Código Penal: é crime de corrupção passiva solicitar ou receber, para si ou para outros, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem.”
Já Eliana Pedrosa (PPS), foi enfática: A podridão reina no âmbito do DFTrans. É inadmissível que os desmandos continuem por mais tempo, disse, referindo-se à farra de pedido de benefícios a fornecedores para atender a filiados do PPL. Lacônico, Campanella apenas respondeu que “nunca soube destes pedidos (cortesias de passagens aéreas). É uma mera coincidência.”


Agnelo pensa diferente de Campanella. O governador entende que é muita coincidência de vantagens para um só órgão. Tanto, que mandou a Secretaria de Transparência investigar todas as denúncias. E não adianta o rugir de tigres. Principalmente quando se trata de um projeto maior da presidente Dilma Rousseff.

Certa vez, ao ser indagado sobre a postura do MR-8, que vestia as cores do comunismo mais reacionário,  Tancredo Neves afirmou que a ditadura, seja de esquerda ou de direita, carrega o germe da corrupção, que desfigura as instituições e acaba desfigurando o caráter do cidadão. Já Quércia, padrinho do embrião que se transformou em PPL, dizia que político é como bolo fermentado – quanto mais bate, mais cresce. Muitos dos que ouviam isso, mostravam uma certa indignação. Quércia fez crescer sua fortuna sabe-se lá com passagens de quem.
Por José Seabra / Notibrás

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