Museu conta história dos fundadores de Ceilândia

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[Correio Braziliense] Uma cidade erguida por um povo
guerreiro, resume o professor de história Manoel Jevan Gomes, 47 anos, sobre a
construção de Ceilândia. Diferentemente do que ficou registrado nos documentos
e livros oficiais sobre o surgimento da cidade, criada em 1971 para receber 16
mil famílias de invasores do Plano Piloto, ele reivindica o justo
reconhecimento aos verdadeiros candangos do Planalto Central.
Por isso, criou e mantém em
sua residência, no P Sul, o Museu da Memória Viva dos Candangos Incansáveis da
Ceilândia. O professor reúne objetos dos pioneiros, artefatos, fotos dos
primeiros anos da cidade e publicações.
Na defesa pela memória dos
candangos, Manoel Jevan diz que a verdadeira Candangolândia é a Ceilândia.
Prega que, em lugar do significado real do nome, formado pela sigla Cei, de
Campanha de Erradicação de Invasões, a abreviatura deveria significar Candangos
Esquecidos Incansáveis. “As famílias não eram invasoras, foram convidadas para
construir Brasília e, depois da cidade inaugurada, passaram a representar um
estorvo para as autoridades”, reclama.
Na luta incansável por esse
reconhecimento, iniciada em 1993, quando decidiu criar o museu, Jevan busca o
apoio dos alunos da escola onde leciona à noite. No começo de cada ano letivo,
solicita que os estudantes indiquem parentes que chegaram no começo da cidade
para registrar sua história no museu. Assim, reuniu mais de 100 biografias de
fundadores de Ceilândia.
Guardião da cultura local, o
professor teve no pai o seu inspirador. “Um cearense candango que trouxe toda a
família para cá e, como todos os outros, foi esquecido”, fala com certa mágoa.
Ao pai ele prometeu que iria se formar em história e ser pesquisador “para
contar a verdadeira saga daqueles que foram renegados na história de Brasília”.
Hoje, a partir das 20h,
cantores da cidade estarão reunidos no espaço cultural Túnel do Tempo, para
participar do Festival Canta Ceilândia. 
E assim , Jevan continua, ano
após ano, a tarefa que tomou para si, de preservar a memória da cidade. E faz
isso movido por motivações pessoais, em memória do pai, e sociais, como
reconhecimento aos construtores de Brasília. Quem quiser conhecer o museu, as
portas estão sempre abertas, na QNN 40, conjunto J, casa 3.
Mutirão para obter água

Uma foto em preto e branco com
uma fila de latas e baldes é o registro das dificuldades enfrentadas pelas
milhares de famílias que foram transferidas para Ceilândia em 1971. “Não havia
água encanada, energia elétrica nem saneamento”, diz Manoel Jevan. “Os
moradores tiveram que fazer tudo em regime de mutirão”, lembra. A imagem é uma
das muitas que ele conserva no museu, assim como fotos de antigos moradores.
No acervo, além de
bibliografias, há também a bandeira da cidade, que traz a imagem dos dois
candangos, “mas esses são os esquecidos”, como tenta denunciar a imagem feita
por personagens com roupas em frangalhos. Na parede, um quadro também reforça a
mesma cena dos habitantes do Barril, como ficou conhecida a cidade pelo seu
formato. Com o passar dos anos e a criação de novas áreas, a figura original se
descaracterizou.

A cidade que tem como ícone a
Caixa-D’Água, patrimônio de Ceilândia, traz uma grande simbologia especial para
a memória da população, “que viveu nos primeiros anos sem água encanada e ao
redor de bicas”, lembra o professor. “Tudo aqui é superação”, reforça.  

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