Novo Gama-GO: “O Entorno só terá paz com inclusão social” – diz Doka, prefeito de Novo Gama.

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“O Entorno só terá paz com inclusão social” – diz Doka, prefeito de Novo Gama, no Entorno do DF, após encontro com o ministro José Eduardo Cardozo e os governadores Agnelo Queiroz (DF), Marconi Perillo (GO) e Antonio Anastasia (MG)

“O Entorno só terá paz com inclusão social.” Essa frase, dita para o DF-GOIÁS – Zona Metropolitana de Brasília pelo prefeito João Assis Pacífico, o Doka (PSDB), de Novo Gama, cidade goiana que faz divisa com o Distrito Federal, ao sul, é emblemática. Doka fez a observação logo após o primeiro Colóquio sobre Segurança Pública no DF e Entorno, com lançamento de um plano de desarmamento da região, em Luziânia (GO), na manhã de hoje, com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT); de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); e de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), e prefeitos da região.

Durante a campanha eleitoral, ano passado, tive a oportunidade de entrevistar o então senador Marconi Perillo, que, em dois mandatos, foi o único governador de Goiás que investiu no Entorno do Distrito Federal, construindo escolas, hospitais, prédios para as polícias e rodovias, além de implementar vários programas sociais na região. Pois bem, na entrevista, Marconi deixou claro que só o desenvolvimento será capaz de acabar com a violência no Entorno, um dos índices mais altos do planeta, em países que não estão em guerra.

A reunião ocorreu em Luziânia, a 60 quilômetros de Brasília, por razões óbvias. Trata-se da maior cidade do Entorno, localizada entre Brasília e Goiânia, e uma das mais violentas da região, onde execuções são comuns e vige uma política municipal assistencialista, sem atacar a maior causa da violência: o desemprego e a desqualificação de mão de obra.

Antecipando-se à publicação, esta semana, de entrevista que o deputado estadual Cristóvão Tormin, do PSD de Luziânia, concedeu a este DG-GOIÁS – Zona Metropolitana de Brasília, Tormin afirma que Luziânia só se desenvolverá com um choque de gestão; que seu aeroporto será ampliado; que o trem metropolitano de passageiros, ligando Luziânia a Brasília, será ativado; e que o município, que já conta com forte setor de agronegócios, terá polo industrial. “Supondo que o senhor seja candidato e ganhe as eleições, qual seria seu foco principal como prefeito de Luziânia?” – perguntei a Cristóvão Tormin.


Resposta: “Primeiramente, um choque de gestão. Em especial na saúde pública. Precisamos incrementar não só os postos de saúde, mas o Hospital Regional, pondo tudo para funcionar. Precisamos mudar a concepção de saúde pública do nosso município, uma vez que até as mais simples cirurgias são enviadas para o Hospital de Santa Maria (DF), o Hospital de Base (DF) e o Hospital Regional do Gama (DF). Nós temos que acabar com isso. Luziânia é uma cidade de médio porte e precisa de investimentos maciços na área de saúde. Com relação à infraestrutura, precisamos de obras de qualidade, desde um pequeno reparo até pavimentações asfálticas de grande porte, para realmente aplicar bem o dinheiro do povo, e o dinheiro do povo é uma responsabilidade muito grande que a gente tem. Então, as obras públicas têm que ter qualidade. Pretendo fazer uma revolução na área educacional, que também está precisando de um choque de gestão, principalmente com a implantação de aula em tempo integral. Nós também precisamos fazer parcerias com o governo federal, que está aqui tão pertinho da gente, tanto para a área de infraestrutura quanto para a área de segurança pública. O problema da violência não será resolvido, na nossa região, se não for com parcerias entre as prefeituras e os governos estadual e federal, alocando recursos e executando também programas nas áreas educacional e social. Só assim haverá inclusão social e a marginalidade será bastante reduzida. Precisamos ainda atrair indústrias de porte, tanto para Luziânia sede quanto para o Distrito do Jardim Ingá, para gerarmos emprego, renda, dar dignidade às pessoas para que elas não precisem ir para Brasília, enfrentando esse trânsito horrível nos horários de pico, e poder trabalhar perto da sua casa e contribuir com o progresso, o desenvolvimento do município, trabalhando aqui. Nós ainda estamos em fase de elaboração do plano de governo, uma vez que as eleições ocorrerão somente daqui a dez meses, mas o foco principal será nestas áreas: saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e geração de emprego e renda”.


Não à toa, as ruas de Luziânia já dão indícios de que Cristóvão Tormin será o novo prefeito da cidade. Jovem e bem-preparado, o deputado sabe que populismo e paternalismo formam a ladeira perfeita que leva à miséria e, esta, à violência.


Doka, o prefeito de Novo Gama, vê da mesma forma, embora não dê para comparar o município de Novo Gama com Luziânia, do qual foi desmembrado. Novo Gama se encontra em um estágio em que precisa desesperadamente de infraestrutura básica e urbanização, daí o empenho de Doka por asfalto e um grande hospital. Dia 11, Marconi Perillo assinou ordem de serviço para o asfaltamento de 370 mil metros quadrados de ruas de Novo Gama, o equivalente a 60% da zona urbana, e é provável que ainda este ano Marconi e Doka assinarão a ordem de serviço para a grande obra local, aguardada há uma eternidade: a duplicação e pavimentação da GO-520, a principal artéria que corta o Novo Gama. Trata-se da única via utilizada no transporte coletivo de moradores de 5 bairros com destino ao centro da cidade, à Brasília e às cidades da região. Os bairros são: Alvorada, América do Sul, Boa Vista, Lago Azul e Lunabel. A GO-520 se encontra esburacada, o que dificulta o trabalho dos motoristas que precisam trafegar na rodovia.

Marconi Perillo assinou, dia 2 de setembro, um protocolo de intenções com a Cruz Vermelha Brasileira para a construção, a partir de 2012, de um hospital de nível internacional, no valor de R$ 220 milhões, numa área de 40 mil metros quadrados, em Novo Gama. Marconi Perillo já garantiu a Doka que o hospital é mesmo de Novo Gama. Dia 10, o secretário municipal de Infraestrutura, Marinaldo Almeida Nascimento, se encontrou com o assessor da presidência da Saneago, José Fernandes Peixoto Júnior, para tratar da desapropriação de área da empresa para a construção do hospital. “A construção começará no próximo ano” – comemorou um entusiasmadíssimo Doka.

OS NÚMEROS DA VIOLÊNCIA – Familiares de vítimas da violência no Entorno protestaram, na manhã desta segunda-feira, em frente ao Centro Cultural de Luziânia, onde foi realizado o Colóquio sobre Segurança Pública no DF e Entorno. Luziânia, juntamente com Águas Lindas, Valparaíso, Cidade Ocidental e Novo Gama, apresentam índice alarmante de crimes, principalmente assassinatos. Segundo o governo de Goiás, até o fim de outubro de 2011, foram registrados 476 homicídios no Entorno, o equivalente a 35% de todos os casos registrados em todo o estado de Goiás. Luziânia é a terceira cidade mais violenta do estado, com 126 assassinatos este ano, perdendo apenas para Goiânia (408) e Aparecida de Goiânia (139), que são bem maiores. O Entorno apresentou 448 homicídios em 2010 e 540 em 2011. Latrocínios (roubo seguido de morte) aumentaram 137%, tentativas de homicídio subiram 131% e estupros cresceram 105%.

No Entorno, a média, em 2011, é de 70,22 homicídios para cada 100 mil habitantes. O nível considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 10 homicídios por 100 mil habitantes. A média nacional é de 24 homicídios para cada 100 mil habitantes. No Distrito Federal, a média prevista para 2011 é de 37 assassinatos para cada 100 mil habitantes. É o Brasil em guerra urbana.

Os policiais civis nos 19 municípios goianos do Entorno estão em greve há 31 dias. Reivindicam aumento da gratificação de localidade dos atuais R$ 276 para R$ 800, e concurso público. O piso do agente da Polícia Civil em Goiás é R$ 2.711. No outro lado da rua, no DF, os policiais civis estão em greve há 27 dias; reivindicam aumento de 13%. O piso inicial de um agente no DF é R$ 7.514 e pode chegar a R$ 11.879.

Será que as Forças Armadas dariam conta de pacificar o Entorno? Não! Só inclusão social, como disse Doka.
Por Ray Cunha.

 

1 Comment

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    Anônimo , 26 de dezembro de 2011 @ 23:55

    a realidade é que a lei aqui e de quem atira primeiro,não a policia para ir atraz de quem matou ela so vai buscar o corpo….socorrohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohoho,aqui não tem policia,é o crime que domina

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