“O Entorno do Distrito Federal é um promissor polo de desenvolvimento” Entrevista com Marcelo Dourado.

Compartilhe essa matéria

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram

Marcelo Dourado, superintendente da Sudeco: “Este ano,
os recursos serão prioritariamente utilizados para o Plano
Brasil Sem Miséria. Há recursos”
A palavra de ordem nestes tempos de austeridade é a busca da gestão eficiente, na iniciativa privada ou no setor público. Não importa para o cidadão-contribuinte se o mandatário da vez é do partido A, B ou P — o que ele espera e deseja é que os gestores envolvidos na condução de políticas públicas não negligenciem diante dos desafios.
Esta é uma das cobranças cotidiana da presidente Dilma Rous­seff a seus auxiliares, desde o mais graduado posto ao mais modesto, regra também adotada pela maioria dos governos estaduais e municipais do País.

É neste conceito de austeridade que o professor de História e pós-graduado em Administração Pú­blica Marcelo Dourado administra a Superintendência de De­sen­volvimento do Centro-Oeste (Sudeco), recriada pela presidente Dilma Rousseff em maio de 2011. Marcelo tem se desdobrado para atender as demandas cres­centes de uma região carente de investimentos públicos, infraestrutura em mobilidade urbana, saneamento básico e geração de empregos. “Estamos agindo no sentido de liberar os recursos de convênios já firmados para obras de pavimentação, drenagem, aquisição de máquinas e equipamentos nos municípios do Entorno que pertencem à Ride.” OJornal Opção conversou com Marcelo Dourado sobre os in­vestimentos para a região Cen­tro-Oeste e o Entorno do Dis­trito Federal.


No anúncio do PAC para o Entorno feito pela Sudeco, governos de Goiás e DF, foi aventada a possibilidade de ter R$ 6 bilhões para investimentos na região. O contingenciamento orçamentário do governo federal deve ter promovido um corte considerável nesta soma. Qual é o valor real disponível?
Existe um equívoco sobre este valor já que o PAC do Centro-Oeste ainda não foi constituído. Este programa está sendo discutido com os governadores de Goiás e do Distrito Federal e a Sudeco. Após esta fase, será entregue à presidente Dilma Rousseff, que determinará os critérios e disponibilidade de recursos a serem investidos. Quanto ao valor de R$ 6 bilhões, divulgado em alguns veículos de comunicação, se refere ao Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO), cuja previsão orçamentária é de 5,1 bilhões para 2012, divididos da seguinte maneira: Distrito Federal e Entorno R$ 1,14 bilhão,  Goiás R$ 1,44 bilhão, Mato Grosso do Sul R$ 1,14 bilhão e Mato Grosso R$ 1,44 bilhão.
Quais são os projetos da Sudeco para a região do Entorno do Distrito Federal e à Ride de um modo geral?
A Região Integrada de De­senvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF) é uma de nossas principais prioridades. Para isso, estamos agindo no sentido de liberar os recursos de convênios já firmados para obras de pavimentação, drenagem, aquisição de máquinas e equipamentos nos municípios que pertencem à Ride.
No final do ano passado, teve a primeira reunião do Conselho Administrativo da Região In­tegrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Co­aride — DF), após seis anos de paralisação. Naquela ocasião foi criado um grupo de trabalho que deverá discutir e apontar soluções para os problemas da região.
No final de dezembro de 2011, participamos de uma reunião com os governadores de Goiás, Mar­coni Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Nesse encontro, foi assinado um acordo de cooperação com o governo federal para dar início à transformação da linha férrea entre Brasília e Luziânia em linha regular de transporte de passageiros. Além de integrar ainda mais a região, a implantação do novo meio de transporte beneficiará cerca de 500 mil moradores do Entorno Sul.
Outra ação da Sudeco em andamento é o projeto Mulheres na Construção no qual estão sen­do investidos cerca de R$ 1,1 mi­lhão. O programa visa capacitar tec­nicamente 440 pessoas, em sua maioria mulheres, que vão atuar na construção civil em área de pintura de obras e colocação de azulejos. No decorrer do cur­so, cada participante receberá uma bolsa de estudos no valor de 200 reais por mês para custear suas despesas com deslocamento e alimentação. O Centro-Oeste de um modo geral será uma das regiões mais ricas do país e o Entorno do DF, que para muitos é um problema, é um promissor polo de desenvolvimento e bem-estar para sua gente. Veja o caso de municípios como Valparaíso, Luziânia, Cristalina, Formosa e outras cidades que estão crescendo e gerando postos de trabalhos para milhares de pessoas. Falta muito para ser feito, mas com parcerias entre os governos de Goiás e Distrito Fede­ral, principalmente as forças políticas regionais, vamos trans­formar o Entorno numa referência de desenvolvimento com justiça social, segurança e qualidade de vida.
A Sudeco já tem estudos apontando onde investir os recursos? Por exemplo: saneamento básico, infraestrutura, mobilidade ur­bana…
O Plano Plurianual (PPA) e a Política Nacional de Desen­volvimento Regional (PNDR) referenciam as atividades que devem ser priorizadas. Por exemplo: em 2012 os recursos serão prioritariamente utilizados para o Plano Brasil Sem Miséria, usando os recursos do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO) e Fundo Cons­titucional do Centro-Oeste (FCO).
Embora a Sudeco não disponha de recursos para investir em saneamento, o grupo de trabalho criado pelo Conselho Ad­mi­nistrativo da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Coaride) está discutindo, entre outras questões da Ride, os problemas de saneamento básico na região. Pro­vavelmente, na próxima reunião já se tenha um diagnóstico mais preciso sobre onde investir e quais as prioridades nos Estados e nos municípios.
Sobre a infraestrutura e mobilidade urbana, o projeto do trem de passageiros ligando Brasília a Luziânia conta com R$ 16,7 milhões da Sudeco e vai ajudar a desafogar o trânsito na região de Brasília e do Entorno Sul. Trata-se de uma reivindicação antiga dos moradores destas cidades, principalmente quem trabalha em Brasília. É bom lembrar que não é só a Sudeco e os governos que  vão suprir as demandas da região. Os empreendedores privados são um elo fundamental nesta parceria.
Existe projeto para a área do agronegócio, principalmente irrigação e agroindústria? Como serão distribuídos estes investimentos? Qual a participação dos governos de Goiás, DF e os municípios?
As atividades de irrigação encontram-se sob gestão da Secretaria de Infraestrutura Hí­drica (SIH). Já as ações ligadas ao agronegócio relacionam-se mais diretamente com o  Ministério da Agricultura. Entretanto, em­pre­endedores podem obter recursos para tais atividades por meio do Fundo Constitucional de Finan­ciamento do Centro-Oeste (FCO), que é administrado conjuntamente pelo Ministério da Integração Nacional por meio da Sudeco e do Banco do Brasil.
Em 2011, o Fundo Cons­ti­tucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) bateu o re­corde de contratações entre to­dos os fundos regionais. Foram R$ 5,5 bilhões em 2011, compa­radas com as do ano passado, no valor de R$ 4,2 bilhões, alcança-se um aumento de 30%. Em 2012 estão disponíveis para os pro­dutores rurais do Centro-O­es­te R$ 2,2 bilhões, sendo R$ 189 milhões para o DF e Entorno; R$ 721 milhões para Goiás; R$ 572 milhões para o Mato Grosso do Sul e R$ 721 milhões para o Mato Grosso.
Jornal Opção

Deixe uma resposta

Veja Também:

Últimas Postagens

Siga-nos nos Facebook

%d blogueiros gostam disto: