O perigo do improviso da carreta da visão.

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A Secretaria de Saúde do Distrito Federal vive hoje
um grande problema com falta de médicos, ou melhor, o povo de Brasília, do DF e
do Entorno. O Governo do DF alega em suas entrevistas que são poucos os
profissionais que querem permanecer na rede pública. Por este motivo, há uma
escassez de médicos, não apenas no DF, mas em todo o Brasil, por este e outros
motivos o Governo Federal importou médicos Cubanos.

 Muito bem, eis que surge
uma pergunta, ou melhor, um grito de revolta. Se profissionais médicos estão em
falta na rede pública, não suprem se quer as necessidades da demanda, a
população quer saber por que muitas das unidades de saúde que poderiam ser
gerenciadas por enfermeiros ou quaisquer outros especialistas em saúde são
gerenciadas por médicos? Retirar um profissional médico que já está escasso na
rede para serviço administrativo não seria incoerente?
Outra tentativa, que para a sociedade aparenta um
sucesso, mas para nós, defensores da saúde: um fiasco este mutirão da carreta
da visão. A pasta da Saúde divulgou uma média de 250 operações de cirurgia de
catarata, com o objetivo de zerar a fila desta patologia. A carreta
oftalmológica apresenta um modelo de atendimento médico itinerante, por meio de
tendas, e lá são colocados uma equipe de oftalmologistas, anestesiologistas e
profissionais de enfermagem. Após o episódio da forte chuva na semana passada,
a tenda desabou, e ao invés de adiar os procedimentos, o mutirão continuou.
Afinal, as palavras de ordem são zerar a fila, e não cuidar das pessoas. Dentro
desta estratégia, a carreta foi transferida para o Ginásio de Esportes da
Ceilândia, ao lado da Estação Guariroba do Metrô. Num primeiro momento, faz-se
ao ar livre, no meio da poeira e do barro, e depois num ginásio.
Este tipo de atendimento nos traz alguns
questionamentos sobre os protocolos de segurança do paciente e do checklist de
cirurgia segura, que nos traz recomendações médicas para evitar a infecção
hospitalar? O GDF está mais preocupado em realizar as operações ou com a
qualidade de vida destas pessoas pós-cirurgia? Estão preocupados com o risco
cirúrgico ou apenas com os votos certamente assegurados pelas famílias
assistidas? Não seria mais coerente, fazer uma parceria com um hospital da
iniciativa privada, como já foi realizada em governos anteriores?
Um bom governo não deve preocupar-se apenas com as
ações do presente, e sim com os reflexos para o futuro. Sabe-se que
a saúde dos olhos é algo que mexe profundamente com a emoção das pessoas,
isso porque perder a visão significa uma forma de perder o contato com o mundo.
Felizmente, a maioria dos problemas visuais já pode ser tratada quando as
doenças são descobertas logo no estágio inicial.
A catarata é uma das doenças que contribuem para a
cegueira. Esta perda decorre da falta de acesso à cirurgia de catarata e é um
problema no nosso País. Ressalto que no ranking da cegueira, o glaucoma ocupa o
primeiro posto, visto que é uma doença silenciosa.
No entanto, as últimas estimativas mundiais sobre
saúde ocular refletem grande preocupação: 285 milhões de pessoas sofrem de
alguma deficiência visual. Desse total, 39 milhões são cegas. Segundo o
consenso médico, 80% dos casos podem ser evitados.
Os números não param de crescer, estatísticas
apontam também que os cuidados com a saúde ficam em segundo plano, devido à
prioridade de atenção com a família, afazeres profissionais e domésticos, a
falta de conscientização para a visita ao médico e a realização de exames
de check-up e de prevenção, e por último, a morosidade pelo
acesso aos serviços de saúde no SUS.
Outras razões que nos preocupam é que uma parcela
da população tem preocupação em cuidar da saúde, isso porque, estudo recente
das Organizações das Nações Unidas mostra que, em 2050, o planeta
terá 2 bilhões de idosos. Já o Brasil, daqui a onze anos, em 2025, vai ocupar o
sexto lugar em número de idosos no mundo. Hoje, indivíduos com 60 anos ou mais
já representam 12% da população, o que totaliza 23 milhões e meio de pessoas,
de acordo com o IBGE.
Estes números nos traz a reflexão de que o Brasil
precisa de políticas públicas voltadas para a saúde dos olhos que sejam mais
eficazes e tenham continuidade, independente se há ou não troca de liderança no
governo.
Os avanços na medicina buscam minimizar os efeitos
do tempo e de garantir melhor qualidade de vida à população, pois nossos olhos
merecem atenção especial, que inclui visitas regulares ao oftalmologista para
medição da acuidade visual e detecção precoce de alterações que requeiram
tratamento médico como forma de prevenir complicações que possam levar à
cegueira. E desta forma, o cidadão deve priorizar o cuidado com a saúde e o
respeito devido que ela merece.
E por isto que trago a reflexão de que a população
não precisa de atendimento itinerante, e sim, permanente. Estas tentativas
de zerar as promessas realizadas no período da campanha ao Buriti em 2010
até o próximo dia 6 de julho, quando será dada largada oficial à campanha ao
governo, a nossa capital federal será protagonista de diversas realizações de
atendimentos vapt-vupt em muitas ações da nossa governadoria. Qual é o objetivo
mesmo? Cumprir e realizar?
Todos os anos de gestão não foram suficientes para
por em práticas estas promessas? Então, este ‘fiasco’ das
cirurgias de catarata realizadas basicamente no meio da rua, é sim um hospital
de campanha… política!

Por Rócio Barreto
Sobre Rócio Barreto

Rócio
Barreto é cientista político e sociólogo pela Universidade de Brasília; s
ervidor público de carreira do Ministério da Saúde, cedido
atualmente para o GDF, coordenador Geral da Cruz Vermelha da RIDE, presidente
de Honra da ONG Saúde e Cidadania e dirigente do SINDPREV-DF por duas gestões
consecutivas (de 2010/2013 e 2013/2016). 
Para mais informações:
www.rociobarreto.com.br

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