Organização de festa realizada em Ceilândia acusa PM de abuso de autoridade

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Nessa terça-feira de Carnaval (17), o que era para ser uma festa descontraída e alegre, terminou em confusão. Durante o evento, batizado de CarnaSarau, artistas nacionais do Hip Hop se apresentavam no Espaço Cultural MoverMents, em Ceilândia Norte, onde tradicionalmente acontecem os saraus, quando policiais militares abordaram diversos jovens que aguardavam a entrada do lado de fora da casa.

De acordo com um dos idealizadores do evento Rafael Brito, conhecido como Rafinha Bravoz, os policiais agiram de maneira autoritária e violenta. “Quando percebi um movimento estranho do lado de fora, fui perguntar o que estava acontecendo. Nesse momento, os policiais espirraram spray de pimenta no meu rosto”, contou. “Não acreditamos na forma com que estavam nos tratando, eu e mais dois organizadores resolvemos filmar a abordagem e fomos ameaçados por eles”, detalhou. 


Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal informou que qualquer denúncia contra a ação policial deve ser registrada na Corregedoria da Polícia Militar para que o fato seja investigado e defendeu o uso do spray de pimenta. “Ele é um equipamento dentro das técnicas de uso progressivo da força na contenção de conflitos, por isso a queixa deve ser formalizada para que as circunstâncias sejam apuradas”, esclareceu. 


O evento

O CarnaSarau é organizado pelos idealizadores do Projeto Cultural MoverMents. Um sarau acontece há dois anos, todas as terças às 20h. Poetas e poetisas e diversos artistas se reúnem e promovem a inclusão social através da propagação da cultura Hip Hop. Na sede do projeto, além do sarau, são realizados oficinas, ações sociais e intervenções culturais visando combater a ociosidade que dá vazão a incidência de criminalidade e ao uso indevido de drogas. 





A coordenação do evento emitiu nota de repúdio à ação policial, confira íntegra da nota:

NOTA DE REPÚDIO À AÇÃO POLICIAL AUTORITÁRIA NO
CARNASARAU CM

O Projeto Cultural MoverMents, um grupo de jovens
moradores da Cidade Satélite de Ceilândia/DF que atuam,
vivenciam e promovem, desde 2005, inclusão social através da
propagação da cultura Hip Hop, por meio de oficinas (Mc, DJ,
Grafite e Break), ações sociais, sarau, intervenções culturais,
desenvolvendo no caráter da criança e pré-adolescente, a
importância deste trabalho, visando ser um combatente à ociosidade
que assola comunidades desprovidas de melhores condições de vida,
tal situação que dá vazão a incidência de criminalidade, uso
indevido de drogas, violência urbana e doméstica, tal propagação
que é negativa e desordenada diminui as possibilidades de lazer na
comunidade, que é enfraquecida a cada dia mais em um processo mais
acelerado.

O Projeto Cultural MoverMents é representante do
Sarau da CM (Caligrafia Mardita), que é realizado, semanalmente,
desde Setembro de 2013, ora em praça pública, ora em espaços
cedidos, e recentemente no Espaço Cultural MoverMents, trazendo a
importância da poesia, da liberdade de expressão, da manutenção
de coisas positivas e da propagação e evidência de novos talentos,
dando oportunidade para a aparição dos mesmos. Também é apoiador
do Samba na Comunidade, que faz evidência ao Samba de Raiz, num
projeto que é realizado desde Junho de 2014.

Dessa forma, através desta, viemos a público para
manifestar absoluto repúdio ao injustificável episódio de
autoritarismo e violência em frente ao Espaço Cultural MoverMents,
por parte da Polícia Militar, na noite do dia 17 de Fevereiro de
2015.

O último dia 17, um feriado nacional, onde pessoas
se juntam para se divertirem, pois é Carnaval, foi marcado pelo
CARNASarau CM, um Sarau temático, que contou com a presença de
amigos, poetas, poetisa e foi embalado musicalmente pela discotecagem
de Palito, Dj Janna e DJ Donna. Porém no decorrer da noite, fomos
surpreendidos por uma fatídica cena, que mesmo que seja rotineira em
periferias, ainda causa recusa e indignação por pessoas que sofrem
da tal. A tradicional (em periferias) abordagem policial, onde as
pessoas são expostas nas ruas, posicionadas de pernas abertas, com
as mãos na cabeça e postas de costas, para que seja evitado o
contato visual do abordado com o executor da abordagem, procedimento
padrão para demonstração de que? Porém não é este o motivo do
repúdio, em sua totalidade, o fator mais alarmante veio a seguir,
quando um convidado do Sarau foi ao encontro dos Policiais
posicionados próximos aos cidadãos abordados e das viaturas, que
foi covardemente acuado com spray de pimenta, seguindo, um dos
organizadores do Sarau, se posicionou para tentar entender o que
estava acontecendo, mas foi orientado, de maneira autoritária, a se
afastar, este tomou um aparelho de telefonia móvel em mãos e foi
tentar fazer uma filmagem simples, para que fosse posto em apreciação
a ação dos Policiais e para que tivesse ciência de quais foram as
viaturas que estavam no momento da ação, mas neste momento um dos
Policias se posicionou em sua frente e também o acuou com o spray,
isso num ato de pura covardia, uma vez que não havia resistência à
abordagem, não houve falta de respeito, agressão, ou qualquer tipo
de ofensa, mas houve sim, uma ação de extremo Abuso de Autoridade,
injustificável, pois não foi encontrado, absolutamente nada, que
incriminasse alguém ou até mesmo, nada que pudesse desencadear tal
atitude, que foi regada à olhares ameaçadores, abusando de uma tal
razão que não tinham.

Para aqueles que lutam por mais democracia,
expressam suas idéias, propagam cultura, motivando o alcance das
próprias potencialidades para concretizar seus objetivos dentro de
uma sociedade apática e alienável, e desafia o poder repressor
instituído, a punição é aplicada, mas com o aval de quem? Baseada
em que indícios? Julgada com que argumentos de acusação?

Acreditamos, sim, no trabalho honesto e competente
de parte da Polícia Militar, mas é notório que não é necessária
a sua presença ostensiva num evento Cultural que já é realizado há
17 meses, assiduamente, todas as terças feiras, uma vez que não
houve contato do Comandante da Operação, com a Coordenação do
evento, simplesmente agiram de maneira autoritária, indevida,
inexplicável.

É de suma importância falar, que o trabalho do
Projeto Cultural MoverMents, funciona desde 2005, encabeçado por
Mobilizadores Culturais, músicos inscritos na Ordem dos Músicos de
Brasília, credenciados no Sistema de Cultura deste Estado, e que, no
mínimo, por toda história executando trabalhos voltados para
comunidade, tem que ser respeitado, como algo funcional e objetivo na
busca por melhorias em periferias do Distrito Federal.

Salientamos ainda que o Projeto Cultural MoverMents,
não tem, de maneira alguma, intenção de fazer generalizações e
que seremos contra todo e qualquer tipo de ofensa proferida aos
Policiais que realizaram tal ação, mas de maneira, muito mais
contundente, salientamos que não aceitamos ser tratados como
criminosos por Policiais que não estão preparados para realizar
atendimento ao público e que, de modo algum, haverá recuo de nossa
parte, iremos continuar fazendo pela comunidade, no intuito de
construir melhores dias, mesmo que continuem tentando desconstruir e
impor seu regime autoritário.

Enquanto não nos assumirmos como responsáveis,
também, pelo que acontece ao nosso redor, continuaremos perdendo,
cada vez mais nossos direitos de sermos, simplesmente, cidadãos.

O momento é de alarme, pois temos que acordar e nos
movimentar, pois estamos sendo assolados com a Repressão Policial,
com alegação de estar trabalhando pela sociedade, mas, na verdade,
só aumenta a lacuna entre Comunidade e Segurança Pública, onde
somente a comunidade está sofrendo os efeitos deste caos instaurado.

“Se
continuarmos a calar nossa própria voz, morreremos torturados sem
poder gritar”!

SIDNEY SAMPAIO SANTOS 
COORDENADOR GERAL
PROJETO CULTURAL MOVERMENTS

Com informações do Jornal de Brasília

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