Pacientes reclamam da situação do Hospital Regional de Ceilândia

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Reclamações
sobre o Hospital Regional de Ceilândia (HRC) não faltam. Um dos atuais
problemas  compromete o atendimento a emergências: a única máquina de
raios X  está quebrada há cerca de dois meses e, segundo a Secretaria de
Saúde, não existe previsão de conserto. Enquanto isso, os pacientes são  
encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia,   a 3,5
km de distância.  

A maioria dos usuários que precisam do exame de raios X
tem casos de fratura, o que torna ainda mais difícil  a locomoção até a
UPA. Maria Aparecida Rocha passou por uma verdadeira peregrinação com   a
filha Larissa, 16 anos. Apenas no segundo dia, conseguiu atendimento para a
adolescente, que estava com o joelho inchado. 

“Quando finalmente fomos atendidas, o médico falou que a
máquina  estava estragada e que  teríamos de ir à UPA e depois
retornar com a chapa. A gente foi de ônibus. Mas a maioria não tem condição de
ficar indo para cima e para baixo. E quem não tem acompanhante? É um descaso
total”, desabafa.

Glênio Aguiar, 35 anos, também foi acompanhar o filho
Pedro Lucas, de seis anos, que quebrou o braço  após cair de skate. Ele
passou pelo mesmo processo e ainda teve de retornar no dia seguinte, pois,
segundo as orientações, o menino deveria ser atendido pela mesma médica, que
estava de atestado.

“Agora, é esperar para ver o que vão resolver. Me sinto
impotente. Como querem oferecer tratamento se não tem recurso adequado? Se a
gente tratar mal é desacato, mas, aqui, eles podem falar com a gente do jeito
que bem entenderem. Até alguns médicos, que deveriam saber como tratar um
enfermo, são grossos e rudes. Isso não está certo”, afirma.

Pedro Henrique, de sete anos, está com o dedo fraturado
há uma semana. A mãe, Andressa Kaliane, 27, conta que eles também foram
direcionados à UPA para fazer o raio X. “O pior foi que, no dia, só colocaram
uma tala. Não melhorou em nada, por isso, voltei. Aqui, tem que fazer confusão
  para ser atendido. Sem dúvida, é o pior hospital”, diz.

Transparência
passa a ser ignorada

Gestante, Marcela de Souza, 21 anos, conta que chegou ao
HRC às 6h e, até o meio-dia, ainda não havia conseguido atendimento: “Estou
desesperada. Cheguei sangrando e com ameaça de aborto. Ninguém veio me examinar
nem nada. Estar no hospital não é garantia de atendimento. É uma vergonha”.

A equipe do JBr. contabilizou, até as 12h, cerca de 70
usuários à espera de atendimento. A cada momento, esse número só aumentava. Não
havia sequer uma escala ou planilha afixada com o nome ou número de
profissionais, informando ao público as especialidades oferecidas no dia.
Segundo a assessoria de comunicação do HRC, essa planilha deixou de ser feita
há algum tempo  por conta do fim das horas extras. Desde então, a escala é
feita “na hora”.

Caos na upa

Na UPA de Ceilândia,  a situação também estava
caótica. Segundo pacientes, havia apenas um médico para atender a demanda do
dia. O filho de Agnaldo Queiroz, 31, era um dos encaminhados do HRC. “O ideal
seria resolver tudo em um só local.  Se não fosse a bondade do meu vizinho,
não teria como trazer meu filho de ônibus com a perna fraturada. O deslocamento
fica por conta do paciente. E temos de voltar para o hospital para colocar
gesso, pois ele está usando apenas tala. O sentimento é de revolta”, reclama.

Iara Célia Nunes, 43 anos, estava apreensiva. Ela relata
que levou a tia à UPA  sentindo falta de ar e fortes dores no peito:
“Tentei atendimento à noite e não consegui. Pediram para a gente voltar bem
cedo, mas até agora ela não foi atendida. Se acontecer algo, ninguém se responsabiliza.
Isso é um absurdo”.

Versão
oficial

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria
de Saúde, não há previsão   de compra de   equipamentos de
radiografia. Há processos de renovação dos contratos de manutenção, como é o
caso do aparelho do  HRC.  A pasta admite que a máquina é muito
antiga e não há peça para reposição, tampouco data para que ele volte a
funcionar. “A empresa responsável pela manutenção do aparelho está tentando
confeccionar uma peça para que o equipamento volte a funcionar”, informa.
 

Sobre o atendimento na unidade, a pasta esclarece que os
pacientes são atendidos conforme classificação de risco e declara que, ontem,
havia um clínico geral atendendo emergências, dois   na internação (salas
amarela e vermelha), dois ortopedistas, dois ginecologistas, quatro cirurgiões
e três pediatras. Na UPA,  na tarde de ontem, havia apenas um clínico.

Ingrid Soares do Jornal de Brasília

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