Parceria de secretarias aposta no esclarecimento contra as drogas, a começar pela Ceilândia

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A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejus) lançou ontem, em parceria com a Secretaria de Educação, o programa Viva Vida! Droga, comigo não rola. O projeto, destinado à prevenção de drogas nas escolas do Distrito Federal, vai garantir o treinamento a educadores para a promoção de atividades sobre o tema em sala de aula. A abertura do programa foi marcada por uma aula inaugural ministrada pelo psiquiatra, escritor e educador Içami Tiba, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A palestra foi assistida por mais de mil professores e pais.

De acordo com dados da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad), 12,5% dos estudantes entre 10 e 12 anos já tiveram  contato com drogas psicotrópicas. O índice cresce para 24,1% entre adolescentes de 13 a 15 e sobe para 38% na faixa etária de 16 a 18. O estudo, realizado em 2004, também revela que 46,1% dos alunos das redes de ensino médio e fundamental já tiveram contato com o álcool, 17,1% já  experimentaram tabaco e 5,5% consumiram maconha ao menos uma vez.

Os novos estudos da Senad, concluídos em dezembro de 2010, somente revelam o quadro nacional, mas já apresentam uma evolução no esclarecimento de jovens sobre as drogas. De acordo com a publicação, houve uma diminuição de 49,5% no uso de substâncias ilícitas entre estudantes da rede pública brasileira, desde a pesquisa anterior.

Para os responsáveis pelo projeto Viva Vida, essa diminuição é resultado das diversas campanhas educativas sobre o assunto promovidas pelo governo. De acordo com Gicia Falcão, subsecretária para Educação Integral, Cidadania e Direitos Humanos, os números podem melhorar ainda mais com a ajuda de políticas que falem a língua dos jovens. “Vamos mostrar para a criança e para o adolescente a vida que eles podem ter se envolvendo com as drogas e a que eles teriam distante delas. Queremos trabalhar a promoção dos direitos humanos mostrando para o jovem que ele é protagonista dessa situação”, explicou.

Segundo Içami Tiba, a tarefa de afastar jovens de drogas é ainda mais árdua em uma época em que o álcool e o tabaco são banalizados pela mídia e pela sociedade. Na opinião do educador, cabe aos adultos manter atenção aos sinais que evidenciam a presença das drogas na vida dos jovens e responsabilizar os filhos e os alunos pelos próprios atos. “A educação é feita a 10 mãos: pai, mãe, escola, lei e jovem. Se ele também não for responsável, ele não se submete às normas”, alertou.

Responsabilidade
A participação da família deve ser o grande diferencial do Viva Vida, que vai procurar usar o próprio jovem na busca pelo envolvimento dos pais em sua educação. A professora Lucielma Araújo, do Centro de Ensino Fundamental 3 do Paranoá, acredita que o envolvimento dos pais é um objetivo importante, porém difícil de alcançar. “Na minha escola, onde há educação de jovens e adultos, temos cada vez menos a influência da família nesse acompanhamento. Mas estamos buscando esse elo de comunicação, principalmente com os que ainda são menores, com grupos, palestras, tentando aproximar a família do ambiente escolar”, contou.

A sensibilização e a conscientização do jovem serão desencadeadas pelos próprios educadores em sala de aula, por meio de projetos transversais de atividades culturais, como música, teatro ou dança. Após a apresentação do tema aos alunos, os pais também serão convidados a se envolver na discussão. As atividades devem durar cerca de dois semestres em cada escola. À medida que o projeto evoluir, as avaliações dos próprios estudantes devem guiar as mudanças necessárias no programa. Inicialmente, a prioridade do Viva Vida serão os alunos do 6º ao 9º anos e do ensino médio da rede pública de ensino do DF. Escolas particulares também poderão aderir ao projeto de forma voluntária.

O ritmo de treinamento dos professores e a implementação do programa ainda não foram definidos, mas a Sejus já divulgou que pretende começar pela regional de ensino de Ceilândia, área com alta incidência de crimes relacionados ao uso de drogas. “Nossa proposta é muito simples: se não tem gente interessada em comprar droga, o traficante não tem para quem vender. A estratégia é diminuir a violência vinculada às drogas por meio do esclarecimento e da prevenção”, explicou o secretário de Justiça, Alírio Neto.

http://www.correiobraziliense.com.br

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