Parede da Terracap tem ouvido (nada de propina; vou à polícia)

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Foto: Google Imagens

As paredes, decididamente, têm ouvidos. E quando sussurros iniciais acabam em berros insultuosos, corre-se o risco de se ouvir até o que não foi dito. Não é o caso, porém, do que vem acontecendo na Terracap nas últimas 96 horas. O relato que me foi encaminhado é verídico. E estarrecedor.

O preâmbulo é que Brasília acaba de perder seu Polo Digital. Um projeto que traria investimentos de bilhões de dólares para a capital da República. O responsável por esse desastre é Abdon Henrique, presidente da Terracap.
O desfecho desse devastador terremoto verbal que fará abalar a economia do Distrito Federal acabou em tons ameaçadores.
– Não pago propina. Vou à Justiça. E se necessário for, denunciarei à polícia, para defender meus direitos.
A frase, aponta o relato, é atribuída a um interlocutor de Abdon Henrique. Foi dita aos berros ao cair da tarde desta segunda-feira 18, no gabinete do presidente da Terracap.
Abdon, irado, não contemporizou. Retrucou, também aos gritos, que o interessado em uma grande área ‘entrava no esquema ou não havia negócio, porque no governo Agnelo não se faz nada de vulto sem que haja um agrado’.
A denúncia é grave. Vem com ingredientes de antecedentes. Tudo começou no último dia 15 de julho, no escritório de Luiz Carlos Alcoforado, advogado do governador Agnelo Queiroz. O tema da conversa era o Parque Tecnológico da Capital Digital.
De lá para cá, os desmandos são crescentes. Ninguém em são consciência pode se dar ao direito de supor que Agnelo saiba o que se passa na Terracap. Se o governador errou, foi quando colocou no comando da estatal um candidato a presidente do Banco de Brasília expurgado pelo Banco Central antes mesmo de assumir, por ter ficha suja.
Um homem que, tão logo foi indicado para o BRB, disse que os amigos comeriam mamão com açúcar. Defenestrado do ambicionado cargo que almejava, foi deslocado para a Terracap. E mais uma vez falou bobagem. Ao mesmo grupo de amigos disse que faria valer a profecia de Dom Bosco. E que da Terracap jorrariam leite e mel.
Abdon Henrique foi tesoureiro da campanha de Agnelo ao Palácio do Buriti. Se diz muito ligado ao governador. E usa desse suposto vínculo para mandar e desmandar por onde passa. O episódio do Polo digital, porém, pode ter sido a gota d’água.
Abdon assumiu a presidência da empresa desfazendo processos já concluídos. Seu primeiro ato foi marcar uma série de reuniões com a Comissão de Licitação encarregada de promover a venda, respeitados todos os procedimentos de lisura, dos valorosos terrenos de Brasília.
Primeira surpresa: o novo grupo auditor, dirigido pelo apadrinhado Anderson de Melo e Silva, preparou um contra-relatório, tido como absurdo, onde atacava os procedimentos internos do processo feitos na gestão anterior.
Primeiro grande golpe: de ordem de Abdon, Anderson mandou arquivar os pareceres favoráveis emitidos pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal sobre as licitações de áreas do Parque Digital.
Foi deflagrada, então, uma guerra de guerrilha. De um lado, os servidores concursados da Terracap, verdadeiros pilares da empresa. São advogados, economistas, estatísticos, tributaristas, profissionais de tecnologia. De outro, o exército de Abdon que acabara de tomar de assalto a empresa.
No dia 24 de setembro, Abdon queria mostrar quem mandava. Colocou as cartas na mesa. Confrontou a Comissão de Licitação (aquela que teve o aval do Tribunal de Contas) e exigiu o cancelamento do processo.
Mas houve voz discordante. João Alberto, vice-presidente da Comissão, rebateu os questionamentos. E foi exonerado do cargo. Rossini, presidente da Comissão, bateu na mesa. E também ficou sem a função. Outras vozes mais fracas se rebelaram. Mas logo se calaram quando se viram ameaçados da perda do emprego.
Surgiu um problema. O processo existia, precisava ser homologado. E Abdon, pretensioso – é o relato que se fez dos últimos acontecimentos – decidiu tomar para si a decisão. Retirou irregularmente a documentação da diretoria responsável pela licitação e jogou os papéis no fundo de uma gaveta.
Por desencargo de consciência para efeito do público interno, Abdon mandou que seu afilhado-auditor fizesse diligência em um banco que oferecera garantias para a compra da área em questão. Os procedimentos se estenderam de 26 a 30 de setembro. O banco emissor atestou a legitimidade da documentação. Anderson, porém, não levou essa informação oficial ao conhecimento da Comissão de Licitação.
E apareceu mais um abacaxi no colo de Abdon Henrique.
No dia 11 de novembro, o grupo vencedor questionou a Terracap formalmente, por meio do protocolo registrado sob o número 012215. Cobrava os resultados da diligência bancária e dava a compra da área como fato consumado.
O protocolo seguiu os trâmites burocráticos. Desta vez, com mais burocracia. Até que chegou ao gabinete da presidência. E ali ficou, sem que a Comissão de Licitação tomasse conhecimento.
Novembro de 2013, segunda-feira, dia 18, 18 horas. O expediente estava encerrado na Terracap. Precisamente nesse horário, vencia o prazo para que os compradores apresentassem as garantias para ter o lote desejado.
O que Abdon não sabia – presumindo que ele já tenha lido este texto –, é que a parte interessada mantém uma cópia do protocolo datado do dia 11 de novembro. Mais precisamente, uma semana antes do prazo estipulado por lei. Alguma coisa vai acontecer. Os próximos relatos já estão na caixa de entrada do meu email particular.
Por José Seabra / Notibrás

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